O Solar Impulse 2. (Fonte da imagem: Reprodução/SolarImpulse)

No ano de 2012, dois suíços — Bertrand Piccard e André Borschberg — tiveram uma ideia um tanto quanto ousada. Eles começaram a desenvolver um avião que utilizasse a luz solar como combustível e que fosse capaz de dar a volta ao mundo sem precisar ser abastecido (clique aqui para conhecer mais sobre o assunto).

Na época, os testes com o veículo Solar Impulse ainda estavam começando. A novidade em relação a tudo isso é que os responsáveis pelo projeto obtiveram avanços significativos, o que culminou na produção do Solar Impulse 2, o avião que realmente vai dar a volta ao mundo com uma “pequena” ajudinha do sol.

Melhorias bem relevantes

De acordo com o que está sendo divulgado, o novo avião é mais eficiente e apresenta uma maior autonomia quando comparado com o seu antecessor. Por conta disso, a envergadura passou de 63,4 metros para 72 metros — e isso faz com que a largura do Solar Impulse seja maior do que a de um Boeing 747 (68,5 metros), mesmo tendo espaço somente para uma pessoa.

Outro número que aumentou é o que diz respeito à quantidade de células solares que estão dispostas nas asas do “avião verde”. Antes, os suíços utilizam 12 mil componentes, sendo que agora são um pouco mais de 17,2 mil deles. Todas essas células são mais finas do que um fio de cabelo humano, de modo que elas não devem pesar o suficiente para prejudicar a autonomia do veículo.

Tecnologia e um prazo longo

(Fonte da imagem: Reprodução/Gizmodo)

A fuselagem é feita com fibra de carbono, que é três vezes mais leve do que o papel, resultando em uma máquina que pesa apenas 2,2 mil quilogramas (continuando com a mesma comparação, o Boeing 727 pesa mais de 396 mil quilogramas). Dessa maneira, o avião é uma máquina feita com foco na eficiência da utilização de energia solar, mesmo que ele conte com um banheiro, espaço para dormir e guardar comida dentro do cockpit.

Caso você esteja se perguntando, saiba que ainda vai demorar um pouco para que o Solar Impulse 2 comece a rodar o mundo. A jornada vai começar no próximo mês de março, com um voo com altura média de 8,5 quilômetros. O ponto de partida é o Golfo Pérsico, com a travessia passando pela Índia e depois pelo Oceano Pacífico.

É difícil, mas também é promissor

A maior dificuldade dessa volta ao mundo para o piloto são os longos dias voando acima do oceano, simplesmente porque não há um lugar para parar e descansar. Dessa maneira, vai ser necessário apenas cochilar para que o avião não saia do rumo, já que não há um piloto automático completo (afinal, esse recurso resultaria em mais peso na estrutura total do veículo).

Apesar disso, é bem provável que essa aventura termine bem, pois grandes companhias investiram de alguma maneira nela — até mesmo a Google deu uma ajuda com o Hangouts. Além disso, caso a volta ao mundo dê certo, a tecnologia de utilização de fibra de carbono e de células solares pode ser o início de algo bem bacana na aviação. Interessante, não é?