Eu já falei algumas vezes por aqui que o automobilismo funciona para a indústria automotiva como uma espécie de laboratório: tecnologias são criadas e testadas nas pistas antes de finalmente chegarem aos modelos de produção que vemos andando nas ruas.

Com a chegada iminente dos carros elétricos, não poderia ser diferente, já que diversas empresas de tecnologia estão usando a Fórmula E para desenvolver tecnologias de recarga e baterias mais eficientes. Agora, no entanto, outra categoria está prestes a receber um integrante elétrico: o endurance – ou as corridas de longa duração.

A fabricante norte-americana de veículos de competição Panoz dificilmente teria oportunidade melhor para mostrar um novo carro de corrida do que no último fim de semana, quando aconteceu a 85ª edição das 24 Horas de Le Mans, na França, um dos eventos automobilísticos mais tradicionais do mundo. Foi lá que a companhia anunciou que está construindo o GT-EV, que deverá participar da corrida, que tem duração de um dia, no futuro.

Desenvolvido em parceria com a empresa Green4U, o veículo tem dois motores elétricos que geram o equivalente a 603 cavalos de potência em duas ou nas quatro rodas, dependendo do regulamento que se aplicar. A velocidade máxima deve ser em torno de 290 km/h.

As baterias, que permitem uma autonomia de 177 quilômetros, ficam localizadas ao lado do cockpit, que foi deslocado para a lateral para dar espaço. Elas ficam em uma espécie de gaveta, para facilitar a troca durante os pitstops – para efeitos comparativos, o carro vencedor da edição de 2017 das 24 Horas, um Porsche 919 e-Hybrid, percorreu uma distância total de 4,7 mil quilômetros.

O peso total, que é um dos pontos críticos em veículos elétricos justamente por conta das baterias, deve ficar entre 990 kg e 1,2 tonelada, graças ao chassi feito em fibra de carbono.

O veículo ainda conta com uma função de aerodinâmica ativa, para aumentar sua velocidade nas retas e também melhorar a eficiência energética, que também vai receber a contribuição de regeneração de energia durante as frenagens, algo muito comum nos carros elétricos e híbridos da atualidade.

A Panoz pretende fazer uma versão mais civilizada do GT-EV para rodar nas ruas. A parte mais legal desse modelo é que o passageiro vai sentar atrás do motorista, e não ao seu lado.

O GT-EV deve participar de um programa chamado “Garagem 56”, dedicado a projetos experimentais. Um exemplo de veículo que já correu nesse programa foi um protótipo adaptado para que um homem que teve seus quatro membros amputados pudesse disputar a corrida. Não há previsão de que a Panoz já consiga colocar o seu carro para correr no ano que vem, mas essa é a expectativa.