Tudo indica que o grupo russo que hackeou a campanha do Partido Democrata – e que supostamente acabou influenciando nos resultados das eleições norte-americanas – não estão tirando nenhum tipo de descanso neste final de ano. Segundo a CrowdStrike, uma empresa especializada em cibersegurança que investiga o episódio eleitoral nos EUA, os integrantes do grupo conhecido como Fancy Bear agora estão focando seus ataques em unidades militares da Ucrânia.

Como o país está em conflito com a Rússia desde meados de 2014, por conta da separação e posterior anexação da região da Crimeia, a equipe da CrowdStrike acredita que isso só confirma os rumores de que os hackers trabalham bem próximo da GRU, agência de inteligência do exército russo. Ao que parece, para minar possíveis ações dos combatentes ucranianos, os criminosos virtuais integraram um malware bastante ardiloso a um aplicativo utilizado junto a armamentos militares.

Conflito entre Ucrânia e Rússia já tem mais de dois anos

O app original desenvolvido para Android teoricamente tem o objetivo de fazer com que a antiga artilharia da era soviética consiga processar comandos e localizar alvos mais rapidamente. Com o trojan, no entanto, o programa passa a cortar as linhas de comunicação entre as duas partes do sistema e podem até estar compartilhando com o exército inimigo a localização exata dessas armas – uma vantagem estratégica sem igual em um possível enfrentamento bélico.

D-30 em ação pelas mãos do exército afegão

A empresa de cibersegurança afirma em seu comunicado mais recente que esse malware, que foi batizado de X-Agent (Agente X), tem facilitado o reconhecimento contra tropas ucranianas ao longo dos últimos dois anos. Para provar o seu ponto, a companhia afirma que o D-30 Howitzer, um canhão de artilharia de longa distância criado na década de 1960 e que é beneficiado pelos recursos do app, foi um dos equipamentos mais inutilizados desde que o conflito teve início.

Os ursos podem ficar soltos...

A CrowdStrike acredita firmemente que os Fancy Bears fazem parte da inteligência russa

Juntando tudo isso com o fato de o X-Agent também ter sido utilizado na invasão dos emails dos aliados de Hillary Clinton e de o malware ser de uso exclusivo do grupo hacker, a CrowdStrike acredita firmemente que os Fancy Bears fazem parte da inteligência russa. Isso, porém, pode não ter nenhuma repercussão mundial, já que, mesmo com agências internas como o FBI e a CIA corroborando com a opinião da empresa de cibersegurança, o futuro presidente dos EUA não acredita que haja qualquer conexão entre ambos.

Ainda que Donald Trump tenha classificado as acusações de influência russa no processo eleitoral norte-americano como “ridículas”, o atual chefe de estado, Barack Obama, espera que seu sucessor dê continuidade a uma investigação iniciada há algumas semanas e que deve ter seus primeiros resultados antes do final do seu mandato. Será que o Kremlin está realmente utilizando todo tipo de armas digitais para vencer uma guerra silenciosa contra seus oponentes? Deixe mais abaixo o seu comentário sobre o assunto.

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