(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

A linha Pro da Apple já foi a preferida de designers, editores de vídeo, programadores e usuários mais exigentes que gostam de uma maior capacidade de processamento gráfico e configurações avançadas que permitiam um maior domínio sobre os materiais de trabalho.

Parece, no entanto, que essa relação entre consumidores Pro e a Apple já não é mais a mesma, e há indícios de que a empresa esteja mudando o conceito da categoria topo de linha. Produtos como o Final Cut Pro e o Aperture deixaram de ser softwares de referência entre os usuários, e computadores destinados a esses consumidores já não são mais tão robustos e vantajosos.

Uma dos sinais de que a Apple deixou de produzir produtos para a linha Pro foi a descontinuidade do MacBook Pro de 17 polegadas, apesar de o aparelho ter sido bem recebido entre o público consumidor e os analistas da área. Os modelos em venda hoje são de 13 e 15 polegadas.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

Entre os softwares desenvolvidos para o sistema operacional da Apple, o Final Cut Pro, sempre um favorito para editores profissionais de vídeo, não trouxe novidades significativas na última versão do programa e recebeu críticas por ter recursos que automatizam configurações avançadas de trabalho. Pelo olhar dos especialistas, o Final Cut Pro X parece se encaminhar para um iMovie Pro, o software de edição rápida e para iniciantes da Apple.

No caso do Aperture, o suposto descaso da empresa é ainda mais evidente. O software permanece sem uma grande atualização desde a versão 3.0, lançada em fevereiro de 2010, e está ficando muito para trás do seu concorrente direto, o Adobe Lightroom, que cresce e domina cada vez mais o mercado.

Política da empresa

Mas será que a Apple está deixando de lado a linha Pro, que por tantos anos fez o sucesso da empresa e fortalecia a imagem dos seus produtos com o que havia de mais avançado no mercado? Parece que a resposta é mesmo afirmativa, e cada vez mais a Apple parece priorizar o setor convencional – de computadores, dispositivos eletrônicos e programas voltados para o público geral.

Essa nova política, na verdade, já era prevista ainda na época em que Steve Jobs estava no comando e a Apple alcançava o posto de destaque que tem até hoje entre produtos eletrônicos. Jobs teria considerado eliminar a linha Pro e levou essa questão para uma reunião da empresa, na época em que os iMacs se tornaram um grande sucesso de vendas.

A razão para isso é bastante compreensível: produtos destinados ao grande público têm maior alcance e vantagens ilimitadas, enquanto a linha Pro é direcionada a um nicho de mercado e ainda por cima consome os melhores recursos de desenvolvimento e fabricação – e frequentemente com retornos menores para a empresa.

A característica mais importante da linha Pro para a Apple é seu valor conceitual, mais do que os números de venda, ou seja, na maneira como os produtos se tornam referências para os especialistas e ajudam a sedimentar a opinião pública, influenciar consumidores e chamar a atenção para a alta qualidade da marca.

Essa foi a razão que teria feito Jobs apostar, por mais um tempo, na continuidade dessa linha de produção. Porém, nos últimos anos, com a popularização de outros produtos, a Apple parece dar cada vez menos atenção para esse mercado, diminuindo a oferta de lançamentos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

O último modelo da linha Pro, lançado no final do ano passado, foi o Mac Pro, uma máquina potente equipada com processadores Intel Xeon E5 em versões quad-core ou com 6 núcleos, além de duas GPUs para a máxima capacidade gráfica.

O computador atende a demanda de usuários profissionais, além de projetar mais uma vez a imagem de qualidade da empresa. O design cilíndrico do aparelho também tem chamado muito a atenção. Porém, o equipamento não ficou livre de críticas.

Uma das reclamações é que o Mac Pro não tem opções de instalações extras pelo usuário, como slots para incluir mais memória ou ampliar discos de armazenamento. De configuração fechada, ele se distancia um pouco mais dos antigos modelos da categoria, como o Power Mac G4 Cube.

Esses são alguns sinais que indicam uma nova atitude da Apple em lançar produtos “prontos para uso” aos consumidores, especialmente com o sucesso de sua linha de computadores iMac, adequadas ao usuário comum, sem falar na popularização de dispositivos portáteis como o iPhone e o iPad, que se tornaram os principais itens de vendas da empresa. Parece inevitável, portanto, que a Apple deixe de focar na linha profissional enquanto a sua imagem e seus produtos permanecem em alta perante os consumidores.

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