Eletrônicos de sucessos como o MP3 player e o tablet percorreram um longo caminho até encontrar as formas e características que seriam bem aceitas pelo mercado. E como a tecnologia evolui rapidamente, com inúmeros lançamentos e descobertas publicadas diariamente no Tecmundo, às vezes acabamos esquecendo como esses gadgets se pareciam nos anos 90. Sendo assim, vale a pena contar essas histórias.

Listen Up, o primeiro MP3 player

Listen Up, uma hora de música e loja virtual defasada (Fonte da imagem: Luxury Launches)

Imagine um MP3 player capaz de armazenar até uma hora de música, com propagandas que interrompem sua audição a cada 30 segundos e cuja loja virtual não vende as faixas dos seus artistas favoritos. Pois de acordo com a revista New Scientist, era assim que funcionava o Listen Up, produto lançado em 1996 por uma start-up de Cupertino, Califórnia, conhecida como Audio Highway.

Na época, a imprensa especializada adorou a novidade, e o produto chegou a ganhar prêmio de inovação na Consumer Electronics Show (CES) de 1997. Porém, depois disso, nada aconteceu. Apenas 25 unidades do player foram produzidas, sendo que uma delas apareceu à venda no eBay em outubro de 2009, mas ninguém se dispôs a pagar os US$ 75 mil cobrados pela relíquia.

O grande problema do Listen Up foi ter sido lançado em uma época em que apenas 1% da população mundial tinha acesso à internet e a maioria dos computadores não possuía porta USB, fazendo com que os proprietários do produto ficassem sujeitos à porta paralela e a uma conexão de 28,8 kilobits por segundo. É possível sentir uma tristeza profunda só de pensar na velocidade a que os arquivos eram transferidos para o dispositivo.

Cinco anos depois...

Primeira geração do iPod revolucionou o mercado de players portáteis (Fonte da imagem: Divulgação/Apple)

Levou meia década para que a Apple surgisse com o produto que revolucionou o mercado de MP3 players. O iPod foi lançado em outubro de 2001, sendo muito menor que seus antecessores e oferecendo mais capacidade de armazenamento (5 GB), além de uma interface de uso diferenciada para a época.

A princípio, o player fez sucesso apenas entre os fãs dos computadores Macintosh, mas em julho de 2002 o iPod conquistou o público em geral, já que começou a oferecer compatibilidade com PCs equipados com o sistema operacional Windows.

Messagepad, avô do iPhone e do iPad

MessagePad e iPhone, lado a lado (Fonte da imagem: blakespot/Flickr)

Você já está na fila de espera para receber o novo iPad? Pois talvez você não imagine as monstruosidades que vieram antes dele. Em 1992, por exemplo, a Apple anunciou para um auditório lotado em Las Vegas que uma nova geração de dispositivos portáteis revolucionaria o mundo da computação pessoal. Entre as novidades estava um sistema de reconhecimento de escrita que tornaria o teclado obsoleto.

No ano seguinte, a empresa apresentou o tal gadget revolucionário: o Messagepad, uma espécie de tablet que funcionava com o sistema operacional Newton e vinha com uma canetinha que permitia ao usuário escrever diretamente na tela do eletrônico. Entretanto, o lançamento foi um fracasso.

Entre os problemas que colaboraram para a baixa aceitação do Messagepad, estavam o tempo de vida curto da bateria do “tablet” e o fato de que o modelo mais simples não podia ser conectado a um computador. Além disso, o dispositivo possuía uma falha grave: o sistema de reconhecimento de escrita, principal argumento de venda do gadget, não funcionava bem.

Quando Steve Jobs voltou para a Apple em 1997, a primeira coisa que fez foi cancelar o projeto Newton e começá-lo do zero. Essa decisão acabou levando à criação do iPhone, em 2007, e do iPad, em 2010. O resto dessa história todos nós conhecemos.

Bônus: o surgimento da interface gráfica

Xerox Star acabou com a tortura de impressão via linha de comando (Fonte da imagem: DigiBarn)

Já pensou como seria imprimir um documento por volta de 1977? Para começar, você teria que usar uma impressora matricial, que era lenta a ponto de não conseguir imprimir mais do que 200 caracteres por segundo. Além disso, não existiam softwares como o Word ou OpenOffice: tudo era feito por meio de comandos digitados no terminal, desde a formatação do texto até a impressão.

Felizmente, uma empresa do Silicon Valley resolveu acabar com essa tortura. Na mesma época, a Xerox criou não apenas a interface gráfica, como também a rede Ethernet. Isso permitiu, por exemplo, que arquivos pudessem ser impressos remotamente.

Assim surgiu o Xerox 8010, também conhecido como Star, o primeiro computador a contar com interface gráfica e um periférico muito curioso, conhecido como mouse. Porém, a novidade não pegou.

Como a Xerox perdeu a chance

Interface da Apple inspirada nos softwares da Xerox (Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

Depois de anos trabalhando no aperfeiçoamento dessas funções, o Xerox Star foi lançado em 1981. Foi nessa época que Steve Jobs, “inspirado” pelas ideias da Xerox, resolveu investir em um plano audacioso: vender computadores com softwares semelhantes ao do Star por US$ 2,5 mil.

Apesar disso, a Xerox ainda teve sua chance. O 8010 estava dois anos à frente do Apple Lisa, foi lançado quatro anos antes do Microsoft Windows e três anos antes do primeiro Macintosh. Mas o que tornava o computador um fracasso de vendas era o preço proibitivo: US$ 16,5 mil por uma única estação.

Enquanto a Xerox queria entregar um produto de alta qualidade, a Apple se decidiu pelo caminho oposto: hardware mais modesto e preço mais acessível. Assim, mesmo com um terço da memória do Star, monitores com a metade do tamanho e ausência de disco rígido, as máquinas da Apple venderam como água.

Para ajudar, os advogados da Xerox estavam tão preocupados com as patentes de hardware que se esqueceram de proteger legalmente o sistema operacional. Assim, a Maçã aproveitou as melhores ideias do software e venceu a batalha.

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