Junto ao iPhone 7, os AirPods surgem como a maior prova de que a Apple acredita que o futuro será totalmente wireless. Usando a tecnologia Bluetooth e o poderoso chip W1, o dispositivo vem como uma solução para consumidores que detestam lidar com fios e já estão envolvidos com o universo de dispositivos baseados no iOS.

Conhecidos no Brasil principalmente pelo seu preço “generoso” de R$ 1.399, os acessórios trazem uma série de tecnologias bastante interessantes. No entanto, algumas limitações e problemas de planejamento fazem com que o acessório definitivamente não seja algo capaz de agradar a todos os gostos.

Design

A maneira mais direta de descrever os AirPods é que eles são praticamente idênticos aos já conhecidos EarPods. A principal diferença é a ausência de qualquer cabo visível, o que pode gerar um pouco de estranhamento em um primeiro momento.

Os produtos são oferecidos junto a uma base de proteção que serve tanto para você os guardar em segurança quanto para realizar sua recarga. O design do case é discreto e funcional, podendo ser confundido facilmente com uma caixa de fio dental — até mesmo o botão responsável por realizar o pareamento Bluetooth tem um visual minimalista.

A opção por um formato familiar traz consequências positivas e negativas

A opção por um formato familiar traz consequências positivas e negativas. Ao mesmo tempo que isso permitiu à fabricante apostar em uma bateria maior e em um sistema de microfones competente, o design clássico falha por não se encaixar confortavelmente em todos os tamanhos de orelha — problema que já assola os EarPods há um bom tempo.

Essa limitação se torna especialmente preocupante quando levamos em consideração que estamos lidando com um fone sem fios. Não dá para caminhar pelas ruas ou praticar exercícios se sentindo seguro com um aparelho que pode escapar da orelha facilmente, ainda mais quando estamos falando de um gadget tão caro.

Desempenho

A Apple acertou em cheio ao criar um fone de ouvido que “simplesmente funciona”. Apostando na comodidade, a empresa criou um sistema no qual o iPhone detecta automaticamente os AirPods assim que sua caixa é aberta, permitindo o pareamento rápido entre os dois dispositivos.

Essa praticidade só é possível graças ao chip W1 presente no acessório, hardware que deve ser incluído em breve em alguns dos modelos fabricados pela Beats. Os fones também são equipados com sensores de proximidade que detectam quando você os coloca na cabeça e pausam automaticamente a reprodução de músicas quando uma unidade é removida.

Graças a um acelerômetro interno, basta dar duas batidas com o dedo na lateral de uma das unidades para acionar a assistente de voz Siri e poder usar todos os seus recursos. Essa característica é especialmente útil para quem costuma fazer muitas ligações ou quer acessar recursos específicos com rapidez, mas não é muito útil para controlar a reprodução de músicas.

Como os AirPods não têm um sistema de controles por toque (algo encontrado em rivais como o Gear IconX da Samsung), você depende do software para trocar de faixas ou ajustar o volume de reprodução. Isso é tão inconveniente quanto tirar o smartphone do bolso para realizar as ações, mostrando certo descuido por parte da Apple na hora de encontrar soluções convenientes para seus consumidores.

A qualidade sonora é ligeiramente melhor do que a oferecida pelos EarPods, mas a diferença não pode ser considerada muito notável. O acessório reproduz tons médios e graves de maneira um pouco mais fiel que seu antecessor, mas sua qualidade geral ainda não passa do mediano.

Já os microfones surgem com uma boa surpresa: captando muito bem os sons de sua voz, eles são acionados mesmo quando você está falando baixo. Como padrão, os AirPods escolhem automaticamente qual unidade capta suas falas, mas você pode definir um lado específico para essa ação nas configurações do iOS.

E no Android?

Os AirPods não estão restritos a funcionar no iOS, mas quem decidir utilizá-lo em um aparelho Android vai sair bastante decepcionado. Com o sistema da Google, os fones de ouvido perdem suas características mais atraentes, incluindo a integração com um assistente de voz e o sistema que interrompe automaticamente a reprodução de músicas ao retirá-los do ouvido.

Com o sistema da Google, os fones de ouvido perdem suas características mais atraentes

Em outras palavras, o acessório se torna somente um receptor de áudio que sequer conta com um sistema de controles integrado. A única comodidade que permanece é a ausência completa de fios, sendo que qualquer ajuste de som ou início de ligação terá que ser feito retirando seu smartphone do bolso.

Bateria

A Apple cumpriu sua promessa de criar um acessório que oferece até 5 horas de uso contínuo em uma única recarga. O valor pode parecer pouco quando comparado a outros fones Bluetooth do mercado, mas é quase o dobro do que é alcançado pelo Gear IconX da Samsung, aparelho que traz uma proposta semelhante.

Caso sua bateria esteja próxima do fim, não há com o que se preocupar. A case da fabricante consegue, em 15 minutos, oferecer energia suficiente para você reproduzir pelo menos 3 horas contínuas de música.

Levando em consideração a energia acumulada pela case, os AirPods podem ser usados de forma moderada por aproximadamente uma semana antes que você tenha que os conectar a uma fonte de energia. O processo é relativamente rápido e pode ser feito através do cabo Lightning que acompanha o acessório.

Vale a pena?

Após alguns dias usando os AirPods, fica claro que o dispositivo foi desenvolvido para ser um complemento ao meio ambiente do iOS. No entanto, por mais que algumas de suas tecnologias sejam surpreendentes, é difícil recomendar o aparelho para a maior parte do público.

O principal motivo para isso sem dúvida é seu preço, que chega a absurdos R$ 1.399 no Brasil. Por melhor que o gadget seja, é difícil justificar esse investimento, visto que com o mesmo valor é possível adquirir um ótimo fone de alta fidelidade ou até mesmo um smartphone de boa qualidade.

Também não ajuda muito o fato de que os acessórios ainda parecem um tanto incompletos. A integração com a Siri é bem-vinda, mas faltou uma maneira mais cômoda de trocar faixas ou ajustar o nível do volume — ter que tirar o celular do bolso toda vez que é preciso fazer essas ações se mostra tão inconveniente quanto realizá-las com a ajuda do software.

A situação é ainda mais complicada no Android. O sistema consegue trabalhar com os fones de ouvido, mas perde a maioria das características que os tornam interessantes. Em resumo, os AirPods são mais interessantes por suas tecnologias únicas e pelas promessas futuras que eles representam do que como uma solução realmente completa para se comunicar e escutar músicas.

Vale a pena esperar um pouco por uma segunda geração do gadget, nem que seja pela esperança de obter um aparelho que feche as brechas deixadas pelo modelo atual. Isso a não ser, claro, que dinheiro não seja um problema e você faça questão de sempre ter em mãos os produtos mais atuais do mundo da tecnologia.

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