A luta entre a Intel e a ARM já é uma realidade. Embora no passado os microprocessadores da Intel atendessem apenas o mercado de desktops – além de servidores e outros aparelhos que exigem altíssimo poder de processamento –, hoje em dia as coisas mudaram bastante.

A Intel, talvez por descuido ou por subestimar a proporção que o mercado de dispositivos móveis podia alcançar, não investiu de forma tão consistente no setor, deixando a ARM confortável para transformar sua arquitetura em um padrão para a maioria dos smartphones, tablets e até mesmo laptops de baixo custo.

Hoje em dia, quase 99% desses devices citados acima estão equipados com chips baseados na arquitetura ARM, e 4,3 bilhões de pessoas, 60% da população mundial, utilizam gadgets com esses processadores todos os dias.

ARM onde? Nunca ouvi falar

Se você está lendo este artigo no seu Android ou Windows Phone, você está, muito provavelmente, utilizando um CPU ARM; se você tem nas mãos um gadget da Apple, como um iPhone, iPad ou iPod, então você pode ter 100% de certeza de que um chip da ARM Holdings está cuidando do processamento.

Os chips de baixo consumo de energia são mais populares em dispositivos móveis, mas eles ainda são encontrados em vários modelos de Chromebooks e notebooks populares. O Surface 2, o Nokia Lumia 2520 e o Galaxy Tab 3 também são excelentes exemplos.

ARM vs. x86

Os processadores da ARM, de arquitetura RISC (Computador com um Conjunto Reduzido de Instruções), não são, em suma, mais poderosos que os chips da Intel, que utilizam a arquitetura x86 e x64. Entretanto, devido ao conjunto de instruções menor, eles são muito mais econômicos tanto em consumo de energia quanto em preço, o que os torna perfeito para aparelhos pequenos que precisam funcionar longas horas utilizando baterias.

O hardware da Intel, por outro lado, é mais parrudo devido à maior complexidade da arquitetura x86, mas o consumo de energia é bem superior, o que o tornava até pouco tempo atrás inviável para dispositivos mobile. 

Começa a briga

Obviamente, a gigante que dominou o mercado de unidades de processamento nas últimas duas décadas não ficou feliz quando viu a concorrente se transformar em um padrão dentro de um dos setores tecnológicos de maior crescimento do mundo.

A linha Atom, que nasceu em 2008 principalmente para atender Netbooks e PCs de baixo custo, foi remodelada para funcionar também em smartphones e tablets com Android, permitindo à empresa concorrer nesse setor.

A linha Zenfone, da ASUS, é apenas um dos exemplos mais recentes da investida da Intel no setor mobile especificamente visando atingir os consumidores de Android. A companhia também tem outros dispositivos com seus processadores, como Motorola RAZR I, Acer Liquid C1, Lenovo K900 e a linha XOLO, por exemplo.

E eu com isso?

De fato, no ecossistema do Android, mais de 95% dos apps funcionam sem problemas em processadores da Intel, o que não deve preocupar a maioria dos consumidores. Contudo, há alguns pormenores técnicos que colocam a arquitetura x86 em desvantagem.

Conforme um estudo realizado pela própria ARM no começo deste ano, apenas 23% dos 25 aplicativos mais populares da Google Play (dos Estados Unidos) rodavam de maneira nativa nos chips "Intel Inside", enquanto 44% ainda utilizavam uma técnica de tradução em tempo real para fazer com que código específico para RISC seja traduzido e executado. O percentual de apps que funcionavam apenas na máquina virtual do Android, ou seja, que não conseguiam extrair todo o potencial de baixo nível do hardware era de 21%, e os programas que não funcionaram somamam 9%.

Esses números provam de maneira contundente que, embora a Intel esteja trabalhando duro para compatibilizar sua arquitetura no Android, os seus processadores ainda se encontram em posição de desvantagem quando comparados com os da ARM. Não só a performance pode ser inferior nos apps não otimizados, mas esses problemas também podem fazer com que o aparelho gaste mais energia, e alguns programas podem nem mesmo funcionar.

Um problema para os games?

Os jogos mais exigentes, que geralmente são construídos no NDK do Android (que permite aos desenvolvedores utilizar C/C++) ou então por meio de frameworks que utilizam instruções de baixo nível para extrair todo o potencial do hardware, são os mais afetados pelo problema de incompatibilidade de arquitetura.

Em agosto, a Intel anunciou que a plataforma de desenvolvimento Unity (4.x ou superior), uma das mais populares na criação de games, gerará código compatível com seus processadores, o que é um grande avanço para a fabricante e pode resultar na otimização de dezenas de títulos populares que utilizam essa engine.

Planos para o futuro

Pelo menos por enquanto, a situação não é tecnicamente das mais confortáveis para a Intel. Entretanto, a maioria dos apps roda sem problemas nos processadores x86, o que vai fazer com que muitos consumidores jamais se preocupem com isso.

Os principais jogos do mercado, otimizados – ou não – para funcionar com a plataforma da Intel, também demonstram desempenho adequado. Quando avaliamos a linha Zenfone, que vem equipada com chips Atom, encontramos excelente performance, provando que, apesar dos problemas “internos”, os processadores da Intel podem oferecer uma excelente experiência para o usuário final.

Contudo, para os gamers hardcore que visam encontram maior compatibilidade e desempenho com jogos de todos os tipos (até com os mais antigos), um aparelho com chip ARM é certamente uma aposta um pouco mais segura.

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