Como o Android é, de longe, a plataforma mobile mais popular no mundo — rodando em mais de 86,8% dos smartphones vendidos globalmente no terceiro trimestre de 2016 - IDC —, é natural que criminosos foquem no Robô quando querem desenvolver algum malware ou qualquer outro software malicioso. Por isso, a plataforma da Google tem sido muito mais atacada por esse tipo de praga do que o iOS ou mesmo o Windows 10 Mobile, que possuem fatias muito menores do mercado.

Como é que a Google consegue garantir a segurança dos smartphones de mais de um bilhão de pessoas pelo mundo?

Com a quantidade de malwares aumentando anualmente e com o fato de o Android ser o principal alvo de quem desenvolve esses códigos, como é que a Google consegue garantir a segurança dos smartphones de mais de um bilhão de pessoas pelo mundo?

A empresa explicou recentemente que existem duas frentes de defesa principais: o sistema “Verify Apps” nativo do Robô e uma fórmula que calcula o nível de ameaça que cada app representa para o ecossistema conforme ele ataca aparelhos desprotegidos.

Linha de frente

Todas as aplicações que chegam à Google Play passam por uma verificação de segurança nos servidores da Google antes de serem disponibilizados para download. Isso quer dizer que nenhum app presente na loja do Android chegou lá sem ter sido aprovado pelos “robôs” da gigante das buscas.

Mas como os criadores de malwares e de outras ameaças estão continuamente tentando encontrar formas de fazer seu código malicioso passar despercebido por essa primeira verificação, a Google desenvolveu o Verify Apps e a tal fórmula, que atuam como uma segurança extra.

Se a fabricante do seu smartphone nunca envia atualizações de segurança, você prevalente não está bem seguro

O Verify Apps entra em ação sempre que você baixa um app na loja e, antes de iniciar a instalação, ele faz uma varredura em todo o código do item em busca de possíveis ameaças. Aparentemente, esse recurso é bastante seguro, uma vez que os criminosos agora estão encontrando formas de desabilitá-lo em vez de tentar fazer seus apps passarem despercebidos por ele.

Esse sistema de verificação nativo, entretanto, só consegue se manter seguro de verdade quando as atualizações de segurança mensais que a Google libera para o Robô chegam ao seu aparelho. Se a fabricante do seu smartphone nunca envia atualizações de segurança, você prevalente não está com o mesmo nível de proteção que os usuários de aparelhos Nexus e Pixel possuem.

Seja como for, já existem apps maliciosos que conseguem desabilitar o Verify Apps no momento da instalação e, com isso, abrem uma porta para que o verdadeiro perigo chegue ao seu smartphone.

Plano B

Quando esses apps conseguem desabilitar o Verify Apps, a tal fórmula que mencionamos anteriormente entra em ação. Para conseguir se instalar no smartphone de alguém, o app malicioso precisa desativar o Verify imediatamente. Caso contrário, o recurso identifica o perigo e o remove ou bloqueia. Contudo, a Google tem como saber quando o Verify é desativado logo depois de um download na loja. Quando a empresa recebe um retorno positivo para isso, ela coloca essa ocorrência na fórmula.

Basicamente, o smartphone que teve o Verify desativado vira uma estatística e fica marcado como “comprometido por app fulano de tal”. Conforme mais dispositivos recebem essa marcação, a fórmula consegue calcular um coeficiente, e, quando ele cai para baixo de um valor específico, o pessoal da Google Play recebe um alerta de perigo.

Com isso, o app que estava fazendo a farra e desativando a segurança do Android é verificado e testado com mais atenção para determinar se ele é realmente perigoso ou se era apenas um falso-positivo.

Caso ele tenha realmente causado brechas de segurança, a Google remove o app da Play Store

Caso ele tenha realmente causado brechas de segurança ou comprometido o sistema dos smartphones de alguns usuários, a Google remove o app da Play Store e consegue desinstalá-lo remotamente dos smartphone que foram prejudicados. Ou seja, a falha é revertida.

A tal fórmula é esse aí em baixo. Nela, “N” representa o número de aparelhos que baixaram o app, “x” é o número de aparelhos que tiveram o Verify desativado logo após instalarem o app, “p” infere a probabilidade de um app qualquer desativar o Verify em um smartphone Android e “Z” é o coeficiente do qual falamos. Quando ele chega a -3,7 ou cai abaixo disso, o alerta é disparado.

Com esse sistema de segurança que funciona a partir da verificação local e dos metadados coletados pela Play Store no momento de cada instalação, a Google já conseguiu evitar que milhões de usuários fossem infectados com apps maliciosos que carregavam as ameaças conhecidas como Hummingbad, Gooligan e Ghost Push, todos malwares largamente disseminados recentemente.

Apesar disso, não queremos nem podemos dizer que, com essa abordagem, a Google consegue deixar o Android completamente seguro. Isso não é verdade, e nenhum sistema computacional no mundo é 100% seguro. Contudo, é interessante que a Google tenha atacado o problema dos malwares por uma frente que pouca gente poderia imaginar: usando metadados de usuários que acabaram infectados para proteger a plataforma como um todo.

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