O driver é uma peça fundamental no funcionamento de um componente de hardware. Este software é o grande responsável pela comunicação entre sistema operacional, aplicativos e demais componentes.

No caso do driver da placa de vídeo, este item tem importância ainda maior, pois garante a compatibilidade com tecnologias mais recentes e impacta diretamente no desempenho do chip gráfico com os jogos.

Acontece que as fabricantes de placas de vídeo tomaram a decisão inteligente de fundir driver e painel de controle em um único produto, levando uma ferramenta mais simples e completa até o consumidor. Esse tipo de fusão já existe faz algum tempo, mas nem sempre funcionou muito bem.

No caso específico da AMD, o driver era uma coisa e o Catalyst Control Center (acima) era outra completamente diferente. O programa desenvolvido para as placas Radeon foi aperfeiçoado ao longo dos anos, ganhou nova interface e passou por uma série de adaptações para incluir novos recursos das placas de vídeo.

Apesar do esforço da fabricante, nem todo mundo conseguia encontrar as funções, tampouco obter controle total dos recursos da placa de vídeo. Como dito, a mudança no visual viria para ajudar nesse sentido, mas não é algo que surtiu muito efeito, pois ainda era uma interface antiquada.

No fim de 2014, a AMD lançou o driver Omega, que prometia levar mais atualizações e melhorias de performance aos consumidores. Os resultados superiores foram perceptíveis desde a primeira versão desta nova onda de produtos. Ao longo deste ano, o Catalyst mostrou ser mais eficiente ao trabalhar com tecnologias como o FreeSync e o Virtual Super Resolution.

Acontece que, apesar de acertar na parte de comunicação com o hardware, o software ainda não conversava bem com o usuário. Pensando nisso, a AMD separou a equipe de desenvolvimento em um grupo chamado Radeon Technologies Group. Agora, esta divisão da companhia lança seu primeiro produto: o Radeon Software Crimson Edition.

Instalação rápida e simples

A experiência de uso com o Radeon Software começa já na instalação, que está descomplicada e bem informativa. Após baixar o arquivo, basta executar o programa para que a descompactação dos itens seja realizada automaticamente.

Já de cara, você pode definir quais itens deseja instalar no seu computador. O instalador traz detalhes sobre cada componente que faz parte do pacote, de modo que o usuário não deve se confundir com os elementos que serão adicionados ao sistema.

O Radeon Software conta com: driver de vídeo, driver de áudio HDMI, ACP Appliccation, AMD Settings (o painel de controle que substitui o Catalyst), Gerenciador de instalação do AMD, Microsoft Visual C++ e AMD Gaming Evolved App (que é usado para captura e configurações simplificadas em jogos).

Depois de selecionar os itens desejados (ou clicar em "Pacote" para marcar tudo), o programa será instalado na sua máquina. O processo leva poucos minutos e, ao fim, é solicitado para que você reinicie o computador para que o driver seja carregado apropriadamente.

Interface completamente reformulada

A primeira coisa que você vai notar é que o Radeon Settings é extremamente rápido. Basta um clique no ícone que fica disponível no menu de contexto da Área de trabalho para que a nova interface seja aberta instantaneamente! É sério, não leva nem um segundo para visualizar a página principal do programa.

Ao abrir o aplicativo, outra surpresa: a interface está muito diferente. Toda aquela lista de itens genéricos que ficavam ao lado da janela principal dá vez para uma área com abas que trazem atalhos para as principais funcionalidades: Jogos, Vídeo, Monitor, Eyefinity e Sistema.

Os ícones minimalistas são bem explicativos. As bordas quadradas, o fundo translúcido, o espaçamento adequado entre informações e as capacidades responsivas mostram que o programa é ideal para qualquer perfil de usuário.

O Radeon Software segue o estilo visual do Windows 10, com botões grandes e informações claras para uso tanto em computador quanto em telas sensíveis ao toque. Vale mencionar que o programa ainda traz atalhos rápidos para a área de atualizações, preferências e notificações.

Talvez, a única coisa que faltou para deixar tudo ainda mais simples foi a integração com o AMD Gaming Evolved App. A separação dessas funções facilita a vida de quem já está acostumado com o atual modelo (não dá para reclamar também, já que o Evolved é bonito e bem direto), mas a união desses itens faria muito sentido.

Estabilidade é prioridade

Durante o longo tempo de desenvolvimento, o Radeon Software foi aperfeiçoado para garantir a melhor estabilidade aos jogadores. O programa traz uma série de correções de bugs nos principais games mais jogados, informações que a AMD coletou com a comunidade gamer (a lista completa você confere aqui, porque são muitas correções).

Além das melhorias no código do software, a AMD trabalhou arduamente para testar múltiplas placas de vídeo, diferentes combinações e vários componentes de hardware que trabalharão em conjunto com as placas.

Todos os componentes foram testados tanto com benchmarks automáticos quanto em situações manuais, com resoluções alteradas, diferentes perfis e outras configurações que podem ser comumente alteradas pelo jogador. Isso mostra que a AMD está preocupada em levar um aplicativo realmente sólido até o consumidor.

Novos recursos

Uma das melhorias que a AMD implementou neste software foi o suporte no Frame Rate Target Control para o DirectX 9 e o DirectX 10. A ferramenta que antes garantia melhor eficiência energética e poupava os esforços da placa no DirectX 11 agora também pode ser aproveitada em games que ainda usam a versão antiga da API da Microsoft.

Não conhece essa funcionalidade? Nós vamos explicar. Normalmente, a placa de vídeo funciona de forma livre, produzindo o máximo de frames por segundo. Do ponto de vista teórico, isso é ótimo, já que o desempenho tende a ser maior do que o mínimo aceitável para determinadas situações, evitando possíveis travamentos.

Entretanto, vamos supor que você pretende rodar um jogo em uma taxa de frames específica (digamos que seja 60 frames por segundo) e com uma tecnologia de sincronia vertical. Todo o esforço da GPU adicional a este patamar será desperdiçado, uma vez que o monitor vai exibir apenas 60 quadros.

O Frame Rate Target Control vem justamente para evitar que este tipo de situação acabe gerando um desgaste da sua placa de vídeo. Com este recurso, a placa de vídeo se prepara para renderizar apenas os 60 quadros por segundo.

Na prática, isso significa que quase todos os jogos do mercado (para a plataforma Windows) vão rodar com menos recursos, o que é ótimo do ponto de vista econômico e funcional, pois a placa poupa recursos e funciona de forma mais fria.

O AMD FreeSync também recebeu melhorias, trazendo compatibilidade para configurações CrossFire que rodam em jogos com o DirectX 9. O programa ainda ganhou melhorias para a compensação do FreeSync em situações que a taxa de frames fica muito baixa.

E mais: no blog oficial, a AMD confirmou que está trabalhando com as fabricantes de monitores para conseguir habilitar o FreeSync com a tecnologia HDMI.

O Radeon Software ainda se destaca pela compatibilidade com a tecnologia AMD LiquidVR, mostrando já a preocupação da fabricante com os óculos de realidade virtual e os jogos que trarão compatibilidade com esse tipo de acessório.

Outro grande avanço é a inclusão do Frame Pacing 3.0 no driver, funcionalidade que pretende diminuir a latência no processamento dos frames, levando assim repostas mais rápidas para o jogador em todas as situações. A experiência geral também deve melhorar significativamente com o Shader Cache, que vai acelerar os carregamentos e evitar engasgos.

Testes com o Radeon Software

Na tentativa de evidenciar possíveis melhorias com a chegada do Radeon Software, nós realizamos uma série de testes que você possivelmente faria em seu computador. Os testes são divididos em duas etapas: jogos e benchmarks sintéticos.

Nossas verificações foram realizadas em duas placas de vídeo com diferentes níveis de performance e especificações. Realizamos testes com a PCYES R7 360 e a SAPPHIRE Radeon R9 285, justamente para verificar os benefícios em duas gerações distintas de produtos.

Máquina de testes

  • Sistema: Windows 8.1
  • CPU: Intel Core i7-3930K @ 3.200 MHz
  • Placa-mãe: EVGA X79 SLI
  • Memória: 16 GB RAM quad-channel G. Skill Sniper DDR3 2133
  • SSD: Samsung 840 Pro 256 GB
  • HD: 3 TB Seagate ST3000M001
  • Fonte: Corsair AX1500i
  • Versão do Catalyst: 15.10
  • Versão do Radeon Software: 15.30

Jogos

Benchmarks

Conclusão

Como você pode ver, a diferença de performance entre o Catalyst e o Radeon Software Crimson Edition não é brutal na maioria das situações, mas a nova versão do driver se mostra superior em quase todos os cenários. Em alguns benchmarks, os dois programas entregaram os mesmos resultados, o que mostra que tudo depende da engine que está em execução.

Bom, falando das situações em que o Crimson foi superior, mesmo que o ganho de 1 ou 2 frames por segundo pareça ínfimo, é uma vantagem que acaba valendo a pena, considerando que você não gasta absolutamente nada e obtém mais performance.

Vale notar que há situações (como em Shadow of Mordor com a placa R9 285) em que o driver realmente pode fazer muita diferença e exibir até 7 frames adicionais por segundo. Além disso, ressaltamos que nós testamos apenas cinco jogos, o que é uma amostra pequena, então você pode esperar melhorias em muitos outros games. Confira algumas evoluções prometidas pela AMD:

  • Carregamento até 33% mais rápido no Star Wars Battlefront
  • Performance até 20% melhor no Fable Legends 2
  • Melhorias nas respostas de mouse e teclado
  • Até 1,8 vez mais economia de energia com o Frame Rate Target Control
  • Economia de energia geral de até 23%

Ampla gama de componentes compatíveis

O Radeon Settings também vem para garantir que mais dispositivos possam aproveitar as novidades preparadas pela AMD. Entre as principais placas de vídeo, a AMD ressalta a compatibilidade com os seguintes modelos:

  • AMD Radeon R9 Fury X
  • AMD Radeon R9 Fury
  • AMD Radeon R9 Nano
  • AMD Radeon R9 390X
  • AMD Radeon R9 390
  • AMD Radeon R9 380X
  • AMD Radeon R9 380
  • AMD Radeon R7 370
  • AMD Radeon R7 360

  • AMD Radeon R9 290X
  • AMD Radeon R9 290
  • AMD Radeon R9 285
  • AMD Radeon R9 280X
  • AMD Radeon R9 280
  • AMD Radeon R9 270X
  • AMD Radeon R9 270
  • AMD Radeon R7 260X
  • AMD Radeon R7 260
  • AMD Radeon HD 8900 series
  • AMD Radeon HD 8500 series
  • AMD Radeon HD 7900 series
  • AMD Radeon HD 7800 series
  • AMD Radeon HD 7700 series

Além das placas gráficas Radeon para desktops, o novo software oferece compatibilidade com chips para notebooks e múltiplas APUs. Veja se o seu modelo está entre os suportados:

  • AMD Radeon R9 M300 Series
  • AMD Radeon R7 M300 Series
  • AMD Radeon R5 M300 Series
  • AMD Radeon R9 M200 Series
  • AMD Radeon R7 M200 Series
  • AMD Radeon R5 M200 Series
  • AMD Radeon HD 8500M+ Series
  • AMD Radeon HD 7700M+ Series

  • AMD A-Series APUs com Radeon R7 Graphics
  • AMD A-Series APUs com Radeon R6 Graphics
  • AMD A-Series APUs com Radeon R5 Graphics
  • AMD A-Series APUs com Radeon R4 Graphics
  • AMD A-Series APUs com Radeon R3 Graphics
  • AMD FX-8800P APUs com Radeon R7 Graphics
  • AMD E-Series APUs com Radeon™ R2 Graphics
  • AMD Radeon HD 8500+ Series Graphics

O abandono das gerações antigas

Se você observar a longa lista supracitada, vai perceber que várias placas da série Radeon HD 8000, Radeon HD 7000, Radeon HD 6000 e Radeon HD 5000 não estão entre os produtos compatíveis com o Radeon Software.

Segundo a informação no site oficial da AMD, essas versões já atingiram o pico de otimização de performance, de modo que a fabricante não pretende lançar mais atualizações de drivers para tais componentes. A empresa ainda informa que a ideia é priorizar os novos modelos de placas de vídeo que usam a arquitetura Graphics Core Next (GCN).

Se você tem uma placa dessas linhas, ainda pode jogar normalmente com o Catalyst Software Suite 15.7. Entretanto, como “cortesia”, a AMD vai fornecer o Radeon Software Crimson Edition Beta para os consumidores que ainda usam tais placas.

Vale mencionar que o Crimson Edition em versão Beta é um programa em versão de desenvolvimento que não nunca receberá versão final, sendo que ele pode apresentar bugs, erros e instabilidade. Basicamente, a AMD oferece o produto como está e não garante que ele apresente melhorias em relação ao Catalyst.

Obviamente, a companhia informa que os jogadores mais apaixonados que desejam continuar experimentando o melhor da tecnologia podem considerar um upgrade para as novas GPUs Radeon, que já são compatíveis com o novo software.

Compatível com muitos sistemas

Para finalizar, é importante informar que o AMD Radeon Software é compatível com os principais sistemas operacionais do mercado. Confira:

  • Windows 10 64-bit
  • Windows 10 32-bit
  • Windows 8.1 64-bit
  • Windows 8.1 32-bit
  • Windows 7 64-bit
  • Windows 7 32-bit
  • Red Hat Enterprise Linux 7.2 / 7.1 / 7.0
  • Red Hat Enterprise Linux 6.7 / 6.6 / 6.5
  • Ubuntu 15.10 / 15.04
  • Ubuntu 14.04.3 / 14.04.2
  • Ubuntu 12.04.4 LTS
  • SUSE Linux Enterprise 11 SP3, SUSE 12
  • OpenSuSE 13.1

Nós testamos o driver com os seguintes sistemas operacionais: Windows 10 64 bits, Windows 8.1 64 bits e Ubuntu 15.10. Todos os sistemas apresentaram bom funcionamento com o Radeon Software em diferentes configurações. Detalhe importante:o Radeon Software Crimson Edition para Linux ainda está com a inteface antiga.

Ficou interessado? Então, clique aqui para baixar o Radeon Software.

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