Gravar em 4K faz sentido mesmo que você não tenha uma tela UHD?

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O 4K (ou Ultra HD) é mesmo uma resoluçao impressionante — só pensar em 3840 x 2160 pixels ou algo com quatro vezes mais elementos que o Full HD em uma única tela já é algo assustador.

E é curioso como, ao mesmo tempo, essa tecnologia está perto e longe dos consumidores: enquanto uma série de smartphones no mercado (sem contar câmeras e filmadoras mais especializadas) já gravam vídeos em 4K, televisores que suportem o formato ainda são escassos ou, por conta do preço, artigo de luxo e para poucos.

Ainda assim, pode ser um bom negócio começar agora mesmo a fazer gravações em 4K, caso você tenha essa oportunidade, seja para uso profissional ou aproveitamento desse conteúdo no futuro. Abaixo, você confere o porquê.

Nos mínimos detalhes

Muita gente não consegue acreditar que o 4K é uma resolução quatro vezes maior que o Full HD — e elas podem até estar certas. É preciso notar que "maior" é quantidade em pixels, o que não é traduzido necessariamente em qualidade. Sem contar que são vários os fatores que influenciam além dessa tecnologia: as configurações da televisão, a iluminação do ambiente e até a qualidade da visão da própria pessoa.

Ainda assim, em testes comparativos, são muitas as pessoas que conseguem apontar a diferença entre o Full HD e o Ultra HD. Além disso, o espaço deixa cada vez mais de ser um problema: cartões de memória com mais capacidade e o amazenamento na nuvem só crescem, o que significa que até algumas gravações de maior duração podem ser guardadas em algum dispositivo.

Melhores cores mesmo após conversão

Pode parecer esquisito, mas é verdade: um conteúdo em 4K que é reduzido para reprodução em 1080p tem uma qualidade melhor do que uma gravação nativa neste mesmo Full HD.

No croma subsampling do 4K, em 4:4:4, a qualidade é notável mesmo após redução de resolução.

O segredo está no processo de transporte de cores de uma resolução para outra, o chamado chroma subsampling. De forma extremamente resumida, quando isso ocorre durante a conversão, cada pixel resultante continua carregando o mesmo "valor" de cores de antes (sample 4:4:4, contra 4:2:0 em outros casos). Ou seja, há muito mais cores captadas pelo 4K, que fazem a diferença mesmo após a redução.

Preservação de memória

Se você tem algumas fitas VHS com gravações caseiras da infância, sabe que a qualidade não é das melhores. A imagem provavelmente está granulada e com falhas e o som é todo cortado, isso se ela tiver sobrevivido até 2014. A questão da durabilidade de uma tecnologia e da "sobrevivência" de materiais é importante: quem gostaria de perder memórias porque a mídia em que ela estava armazenada ficou obsoleta?

Só alguns dos exemplos de cartões que aceitam bastante material e suportam o 4K

Gravar hoje em 4K faz com que o conteúdo capturado tenha uma durabilidade bastante considerável. Como essa resolução ainda não é o padrão da maioria dos dispositivos, vai demorar alguns anos até que ela seja padronizada e muitos outros até que ela seja considerada de má qualidade — se é que isso vai acontecer algum dia. As mídias também tendem a melhorar (sem contar o armazenamento em nuvem), o que significa que perder conteúdos é algo cada vez mais raro.

Por isso, mesmo que você não assista às suas produções hoje em uma tela 4K, em breve isso deve ser possível e, caso o conteúdo não esteja na melhor qualidade, esse formato pode fazer falta no futuro.

Mais fácil de alterar

Quem trabalha com edição de vídeo ou pretende modificar o conteúdo gravado também tem a se beneficiar do formato. Como há uma quantidade absurda de informações processadas na imagem em 4K (quatro vezes mais que ), isso também amplia as possibilidades de alterações. O vídeo abaixo, feito para promover uma câmera da Panasonic, explica bem esse caso.

Cortes e efeito de zoom na tela (para modificar o enquadramento de uma cena, por exemplo) podem ser feitos mais facilmente e sem comprometer a qualidade de todo o trabalho, já que há uma quantidade bastante considerável de pixels para serem corrigidos ou manipulados. Efeitos como estabilização de imagem e câmera lenta também podem ser aplicados com um resultado muito melhor. Imprimir frames gravados em 4K também garante um retrato aprimorado.

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