Evento aconteceu em São Paulo, na última quinta-feira (06) (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Não podemos dizer que a Dassault Systèmes é uma empresa muito popular, principalmente entre os consumidores finais. E até mesmo o vice-presidente executivo de estratégia e operações de vendas globais da Dassault Systèmes, Bruno Latchague, concorda com isso, já que essa foi uma das declarações que ele deu ontem (06), em São Paulo, durante a plenária de abertura do Fórum 3DEXPERIENCE.

Mas, apesar disso, não há quem conteste o sucesso da companhia no mercado de soluções de 3D. Com valor estimado de mais de 2 bilhões de dólares, a Dassault Systèmes tem milhares de  clientes espalhados pelo mundo e, entre eles, grandes companhias das indústrias mais diversas, como Boeing e Porsche. Quem também apelou para os softwares da empresa francesa foi a Samsung, com o intuito de criar teclados para dispositivos móveis.

Com tanta conquista, não é de se estranhar que a Dassault Systèmes tenha sido eleita pela Forbes como uma das 100 empresas mais inovadoras do mundo. Tudo isso apostando na tecnologia 3D, ou seja, permitindo que empresas e indivíduos criem protótipos virtuais e funcionais antes de partir para a produção física, o que reduz custo e tempo de invenção e produção.

Simulação 3D e a indústria aeroespacial

Entre os casos apresentados durante o Fórum 3DEXPERIENCE estava o da Boeing, que recorreu aos softwares da Dassault para construir um avião com foco no conforto do passageiro. Todo o desenvolvimento foi simulado, antes, em ambiente 3D, incluindo as tecnologias que oferecem um maior controle na umidade e pressão do interior da aeronave.

Estudantes, empresários e executivos estiveram presentes no Fórum 3DEXPERIENCE (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Como se não bastasse, a Embraer também subiu ao palco para contar sua experiência com as soluções da empresa durante o desenvolvimento da aeronave Legacy 500. Se antes os projetos eram feitos em papel e, posteriormente, em imagens digitais 2D, agora tudo é construído a partir da modelagem 3D.

Os modelos tridimensionais de construção da aeronave estão presentes até mesmo na linha de montagem da Embraer, com a ajuda de computadores all-in-one e tablets. As imagens em 2D e a listagem de peças das aeronaves agora são geradas automaticamente, a partir do modelo 3D, agilizando ainda mais o processo.

De acordo com a apresentação do estudo de caso, o modelo 3D traz a vantagem de ser interpretado semanticamente, ao contrário do 2D, que precisa ser “traduzido” para o operador depois de analisado. E quem confirma essa ideia é a Akaer, que também tem construído peças para aviões e helicópteros com os softwares da Dassault Systèmes.

Inovação na indústria automobilística

Se aviões podem ser planejados em ambientes 3D, como é que a indústria automobilística ficaria de fora? Entre os estudos de caso apresentados durante o evento estava o da empresa de carros elétricos Tesla Motors, que inovou o comércio desse tipo de bem ao colocar revendedoras em shoppings que permitem a customização do automóvel junto com o cliente, antes da compra.

A Ford também se apoiou na tecnologia 3D para desenvolver um mecanismo simples, mas que faz toda a diferença em um automóvel: abrir o porta-malas com o pé, empurrando um dispositivo na parte de baixo do carro. Ótimo para ocasiões em que você se encontra com as mãos ocupadas com sacolas, caixas ou malas.

Bruno Latchague, da Dassault Systèmes, apresentou estudos de caso da empresa (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Quase no fim da manhã, o sócio-diretor e fundador da Pieracciani-PIER, Valter Pieracciani, empolgou engenheiros e outros profissionais interessados em inovação com detalhes do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto).

Essa medida governamental prevê economia para empresas da indústria que investem em inovação. De acordo Pieracciani, as empresas habilitadas no programa poderão obter descontos de até 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). E não é tão difícil quanto parece.

De acordo com o palestrante, hoje muitas empresas chamam de “assistência técnica” atividades que, na verdade, são de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, o projeto também prevê parceria de empresas grandes com pequenas, o que torna o cenário ainda mais interessante para quem deseja se beneficiar dessa medida.

Pieracciani reforçou que as ideias antigas de que o Brasil é o “celeiro do mundo” ou fonte de “mão de obra barata” já estão ultrapassadas, e que os engenheiros do país devem assumir o papel de inovadores. Vamos torcer para que o Inovar-Auto possa colaborar ainda mais para esse cenário. Se depender do público presente no Fórum 3DEXPERIENCE, a expectativa é grande.

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