Quais as diferenças entre os formatos de áudio Dolby, DTS e THX?

Entenda quais são as principais características, vantagens e desvantagens de cada formato.
  • Visualizações10.850 visualizações
Por Elaine Martins em 28 de Fevereiro de 2013

Se você já teve a curiosidade de ler todas as informações menores presentes na caixa de um disco de DVD ou Blu-ray, certamente já se deparou com os termos Dolby Digital, TrueHD e DTS. Esses são formatos de som utilizados para trazer o áudio do seu filme ou documentário o mais próximo ao usado nos cinemas.

Diferente do que muita gente pensa, existe uma diferença nos sistema de áudio utilizados, e a disposição das caixas de som pelo ambiente são parte fundamental para uma boa experiência sonora.

Se você não sabe muito bem a diferença entre os diversos formatos de áudio, não precisa ficar com vergonha, pois você não está sozinho. É muito comum encontrar pessoas que entendem pouco ou absolutamente nada dos sistemas de som utilizados nas mídias que elas possuem em casa.

Por isso, o Tecmundo resolveu criar este artigo. A ideia é esclarecer um pouco a diferença entre os diversos tipos de sistema de som empregados nos DVD e Blu-rays e, com isso, saber como posicionar melhor as caixas de som do seu Home Theater em casa.

Os formatos são basicamente três: Dolby, DTS e THX, e os detalhes a respeito de cada um deles você confere logo abaixo.

Dolby

A Dolby Laboratories vem contribuindo para a melhoria na qualidade sonora dos cinemas. A empresa londrina não comercializa equipamentos, mas investe muito em pesquisas na área de processamento de som. O nome do formato Dolby (e da empresa também) vem do engenheiro e fundador da companhia, Ray Dolby.

Quais as diferenças entre os formatos de áudio Dolby, DTS e THX?

No início, o formato Dolby funcionava como um filtro, que diminuía consideravelmente o ruído e melhorava os graves e agudos, proporcionando um som estéreo mais limpo e em dois canais. Alguns anos depois, o sistema de som foi melhorado e surgiu o Dolby Surround.

Dolby Surround

Com o Dolby Surround, a sensação é de que o som vem de vários lugares. Essa tecnologia foi utilizada pela primeira vez no filme “Fantasia”, da Walt Disney, em 1941. Uma evolução no processo anterior passou a fornecer o som em três canais – dois frontais laterais e um canal para reproduzir efeitos como passos ao longe e sons ambiente.

Dolby Digital

Chamado de Dolby Stereo Digital até 1994, o sistema de som digital da Dolby Laboratories apareceu pela primeira vez no mercado em 1992, no filme “Batman Returns”. O sistema faz uso de seis canais de áudio independentes, sendo cinco de frequências normais e uma para o subwoofer (o chamado 5.1). Com isso, é possível ao espectador ouvir sons inaudíveis nas versões anteriores do sistema.

A configuração das caixas de som considerada ideal para o sistema digital é ter três na frente e duas na parte de trás do ambiente, todas a uma distância parecida umas das outras e na mesma altura.

Para ser possível colocar seis canais de áudio em um DVD, por exemplo, algoritmos matemáticos complexos foram criados pela Dolby Laboratories. Depois de anos de pesquisa, o “áudio code 3” foi desenvolvido e, por isso, o nome oficial do Dolby digital é AC-3.

Os seis canais de áudio do Dolby Digital não são simulados mas sim reais. Dessa forma, diálogos, explosões, músicas, sons ambientes e outros elementos são processados separadamente, permitindo perceber claramente a direção da qual o som é emitido.

Uma das principais vantagens do sistema digital de som da Dolby é que ele pode ser gravado no próprio rolo do filme (no caso do cinema), no espaço entre os orifícios usados para encaixar os dentes responsáveis pela rolagem do filme nas máquinas.

O Dolby Digital é suportado pela maioria dos aparelhos de reprodução de vídeo, pois é o sistema mais comum em discos de DVD e Blu-ray. O som nesse formato pode ser enviado por meio de cabos HDMI ou conexões coaxial/ótica.

Trata-se de um sistema em que a compressão do áudio acaba fazendo com que haja perda de informações. Ainda assim, o resultado final é um som de boa qualidade em um aparelho de reprodução simples.

Dolby Digital EX

Em alguns filmes, o áudio é codificado no sistema 5.1, mas há um canal “extra”, criando assim o som 6.1. O novo canal é colocado centralizado na parte de trás do ambiente. Dessa forma, a disposição das caixas de som passa a ser três frontais (direita, central, esquerda), três traseiras (direita, central, esquerda) e o subwoofer.

Nesse sistema de canais, é preciso um codificador especial para que a parte “extra” seja enviada para o sexto alto-falante da composição. Caso o aparelho não suporte o Dolby Digital EX, o sistema 5.1 é selecionado automaticamente.

Dolby TrueHD

O TrueHD é detectado automaticamente por qualquer aparelho que possua o codificador interno para o formato. Uma vez decodificado, esse tipo de som pode ser transmitido por meio de conexões HDMI.

A principal vantagem do Dolby TrueHD sobre o Dolby Digital é que o primeiro utiliza uma compressão de áudio com menor perda na qualidade final do áudio. Ou seja, embora o som ainda seja comprimido, o resultado final do processo é praticamente igual ao arquivo original de áudio.

Infelizmente, trilhas no formato TrueHD estão disponíveis apenas em discos de Blu-ray, pois são muito grandes para caber em uma mídia de DVD. Esse sistema é 7.1, ou seja, são sete canais independentes e um subwoofer.

A configuração ideal das caixas de som para um sistema 7.1 é um canal frontal esquerdo, um central, um canal frontal direito, dois canais laterais (esquerdo e direito), um canal traseiro esquerdo e um canal traseiro direito.

Dolby Pro Logic II

O Dolby Pro Logic II é um sistema bem diferente daqueles apresentados até o momento. Nesse formato, o sistema de áudio 5.1 é simulado a partir de um faixa de áudio estéreo. Com isso, é possível aproveitar todos os efeitos do som surround.

Esse sistema possui três versões diferentes: movie, music e game. Como você pode imaginar, cada uma das edições possui particularidades que são melhor utilizadas de acordo com a fonte sonora que está sendo utilizada, seja ela um filme, uma faixa musical ou um game.

Dolby Pro Logic IIx

Essa versão de sistema de áudio da Dolby é capaz de converter sons 5.1 ou stereo em 6.1 ou mesmo 7.1, dependendo do aparelho de reprodução sonora que está sendo utilizado. Assim como o formato anterior, o Dolby Pro Logic IIx possui versões diferenciadas para filmes e seriados, músicas e jogos.

Dolby Pro Logic IIz

Uma evolução do formato anterior, o Dolby Pro Logic IIz adiciona uma nova dimensão ao sistema surround: altura. A ideia desse sistema é incluir duas caixas de som acima daquelas já utilizadas nas laterais direita e esquerda. Dessa forma, os efeitos sonoros ficam ainda mais realistas.

Essas caixas extras podem ser adicionadas a um sistema de som 5.1 (que passa a ser 7.1) ou a um 7.1 (que se transforma em um sistema 9.1). Obviamente, será necessário um aparelho capaz de suportar esses formatos para reproduzir o som adequadamente.

DTS

O Digital Theater System, ou simplesmente DTS, é um família de formatos de áudio. A estreia do sistema aconteceu em 1993, com o famoso título “Jurassic Park”, de Steven Spielberg. O formato leva o nome da empresa que o criou para fins comerciais e é tido como o principal concorrente da Dolby, visto que o DTS surgiu apenas quatro anos depois que o Dolby Digital já estava no mercado.

A versão básica do sistema (5.1) conta com seis canais de som surround, sendo cinco deles primários e um para graves. Os filmes com o formato de áudio DTS possuem uma faixa que permite sincronizar, frame a frame, a imagem em exibição com o som. Dessa forma, mesmo que haja uma falha da projeção, o áudio não perde a sincronia com a cena.

Para a configuração 5.1 do sistema, a disposição das caixas de som pelo ambiente normalmente seguem o padrão de duas caixas frontais, uma caixa mais ao centro e duas atrás do telespectador. O subwoofer pode ser colocado em qualquer lugar da sala, dando preferência para os cantos ou outra posição em que há uma boa resposta aos graves.

O DTS é detectado e reproduzido automaticamente nos aparelhos que possuem o codificador para o formato. A trilha sonora em DTS pode ser enviada por meio de conexões HDMI ou coaxial/ótica e reproduzida em um sistema de som 5.1.

Assim como o Dolby Digital, o DTS é um formato com perda de qualidade durante a compressão dos dados. Embora alguns digam que esse sistema é melhor do que o seu concorrente, em sistemas de áudio domésticos não é possível perceber a diferença entre eles.

DTS Neo:6

A ideia do DTS Neo: 6 é transformar o som stereo para os formatos 5.1 ou 6.1, dependendo do aparelho que irá reproduzir o áudio. O funcionamento desse sistema é bem parecido ao Dobly Pro Logic II, mas a qualidade final das conversões é diferente, por isso é sempre bom testar os dois formatos e ver qual deles é melhor para você.

Quais as diferenças entre os formatos de áudio Dolby, DTS e THX? (Fonte da imagem: iStock)

O sistema DTS Neo: 6 possui duas versões: cinema e música. Cada edição é otimizada para reproduzir um tipo de trilha sonora. Dessa forma, escolher o formato de maneira correta garante uma melhor qualidade no áudio.

DTS-HD Master Audio

O DTS-HD Master Audio é reproduzido automaticamente em aparelhos que suportam o formato. Da mesma forma que acontece com o Dolby TrueHD, uma vez que o áudio tenha sido decodificado ele pode ser enviado pelo aparelho de Blu-ray até o sistema de som através de uma conexão HDMI.

Essa variação do DTS possui uma taxa bem baixa de perda na qualidade do áudio durante a compressão, fazendo com que o som final seja muito parecido com o original gravado. O DTS-HD Master Audio só pode ser encontrado em discos de Blu-ray, pois é muito pesado para ser colocado em mídias de DVD.

THX

Fundada por George Lucas, a marca THX, na verdade, diz respeito a um padrão de qualidade de áudio para alto-falantes, cinemas e outros sistemas de som. O modelo surgiu em 1983 a partir de uma criação de Tomlinson Holman, que na época era funcionário da Lucasfilm. A ideia era assegurar que a trilha sonora do filme “Star Wars: O Retorno do Jedi” fosse reproduzida com a mesma qualidade em todos os cinemas.

Se você já foi a um estabelecimento que possui a certificação THX, certamente ouviu a conhecida Deep Note (ou Nota Profunda) antes da exibição dos filmes. O objetivo desse “barulho” é chamar a atenção das pessoas, proporcionando a experiência de som intenso dentro da sala de cinema.

O padrão THX leva em conta aspectos como controle de reverberação, o isolamento acústico do recinto e o uso de uma acústica especial para a parede frontal, em que são fixadas as caixas de som. Para cada sala, os ajustes necessários para se enquadrar no modelo de qualidade são diferentes, pois é preciso levar em conta a disposição dos objetos e a acústica geral do lugar.

Os locais que possuem certificação TXH contam com a tecnologia THX Advanced Speaker Array (ou TXH ASA). Esse sistema conta com três modos de som diferentes: cinema, música e jogos. Cada versão possui suas particularidades e conta com modos aprimorados para cada tipo de som.

No modo THX Cinema, por exemplo, o ambiente do cinema é reproduzido pelo posicionamento das caixas de som do sistema 5.1. Já o THX Jogos distribui os sons de efeitos e diálogos gerados pela engine do game de tal maneira que proporciona uma experiência de áudio em 360 graus.

Por fim, o THX Música simula a qualidade de áudio de um estúdio de gravação. Dessa maneira, para aproveitar melhor as vantagens de cada modo, é preciso utilizar a versão correta para cada tipo de som.

.....

Vale lembrar que um ambiente sem certificação THX não é inferior aos que aplicam o padrão de qualidade. Não existe melhor ou pior, mas sim aquele sistema de áudio que atende melhor às necessidades de cada pessoa.

Fonte: THX.com, The Home Cinema Guide, Dolby Laboratories, DTS.com

Leitor colaborador: Luiz pereira



Viu algum erro ou gostaria de adicionar uma sugestão para atualizarmos esta matéria?
Colabore com o autor clicando aqui!