Quem acompanha as notícias sobre smartphones e tecnologia sabe que a Xiaomi é uma fabricante que tem potencial para incomodar os concorrentes. Durante o lançamento do Redmi, do Redmi 2 e do Redmi 2 Pro – além de outros produtos, como a Mi Band e o Mi Power Bank –, a empresa mostrou que tem qualidade e pretendia investir pesado no mercado brasileiro.

Porém, parece que as coisas não andam tão boas para a Xiaomi em território nacional, o que obrigou a empresa a rever a sua estratégia por aqui e decidir não lançar mais smartphones no curto prazo. Isso é o que conta Hugo Barra, vice-presidente internacional da fabricante chinesa em entrevista ao AndroidPIT, que atribui essa mudança aos entraves tributários para a fabricação de dispositivos e a situação economicamente instável do Brasil.

“Com as mudanças constantes nas regras de fabricação e na tributação para as vendas via e-commerce no Brasil no final de 2015, e que ainda não estão solidificadas, decidimos não fazer novos lançamentos no país no curto prazo. Sabemos da expectativa dos fãs a respeito de novos produtos, mas concluímos que, dada a atual situação, é a decisão correta”, disse Hugo Barra na entrevista.

Hugo Barra disse que a Xiami está saindo momentaneamente do Brasil

Mudando os planos

Se antes a empresa apostava em um site próprio para comercializar os seus produtos – o Mi.com – e lojas online e off-line da Vivo, a partir de agora a Xiaomi vai contar com a ajuda de parceiros do e-commerce. Essa mudança de plano de negócios faz parte de sua reestruturação aqui no Brasil, o que evidencia ainda mais a breve ausência da fabricante por aqui.

A empresa não produzirá mais produtos aqui no Brasil

“Os produtos estão disponíveis nas lojas da Vivo e nos nossos parceiros de e-commerce: Submarino, Americanas.com, Shoptime, Casas Bahia, Extra, Pontofrio, Walmart.com, Webfones e Ricardo Eletro.”, afirmou Barra. Uma pesquisa rápida comprova que o modelo Xiaomi Redmi 2 ainda está disponível em algumas lojas brasileiras, mas essa situação tende a ficar cada vez mais escassa, especialmente se levarmos em conta que a empresa não produzirá mais produtos aqui no Brasil.

“Tomamos as decisões a respeito da importação ou fabricação local dos produtos disponíveis no Brasil de acordo com cada produto. Eles são produzidos no Brasil quando, e se, a fabricação for mais vantajosa comparada à importação.”, disse o executivo. Hugo Barra também creditou a pausa na produção à constante mudança das políticas brasileiras de incentivos fiscais. Para os próximos lançamentos, o vice-presidente promete que será feita uma nova avaliação do quadro.

Por enquanto, os smartphones da marca serão vendidos pelos parceiros do e-commerce

As mudanças também impactarão a estrutura organizacional da Xiaomi aqui no Brasil, fator que também reforça a situação delicada pela qual a empresa estava passando por aqui. Embora afirme de forma categórica que não sairão do Brasil, Hugo Barra disse que algumas modificações no quadro de funcionário realmente acontecerão.

Um setor que será afetado é o de Marketing e Social Media, que serão transferidos para o escritório central da fabricante em Pequim. Hugo Barra se defende, elogiando a equipe: “A nossa equipe Mi Brasil na área de social media tem feito um trabalho magnífico e hoje lidera nossos best practices no Facebook, por exemplo. Muito em breve, esse pessoal se mudará para Pequim, onde se juntará a nossa equipe global de marketing”.

Um setor que será afetado é o de Marketing e Social Media, que serão transferidos para o escritório central da fabricante em Pequim

Entretanto, Barra afirma que os Mi fãs não ficaram órfãos e todo o trabalho continuará a ser executado de forma remota. “Eles continuarão a cuidar das nossas atividades de marketing no Brasil e irão também contribuir para nossos planos para a América do Norte”. Com as mudanças, seis áreas ainda continuarão sua atuação em território nacional: e-commerce, suporte ao cliente, assistência técnica, logística, finanças e gerência geral.

Não há previsão de retorno para o Brasil, o que deve acontecer em médio prazo

Planos para voltar? Vai depender do usuário

Embora não tenha especificado quanto tempo esse “curto prazo” de ausência da Xiaomi vai durar, o vice-presidente da fabricante disse que não pretende deixar os fãs da marca totalmente solitários. Ainda na entrevista, o executivo disse que a empresa vai criar um programa Beta focado nos consumidores locais que tem o objetivo de obter o feedback em relação a novos produtos.

O programa ajudará a Xiaomi a tomar as decisões futuras em relação ao mercado brasileiro. “Todos os detalhes do Xiaomi Beta serão informados diretamente aos Mi Fãs nas nossas páginas nas redes sociais nos próximos dias, mas posso adiantar alguns detalhes: os interessados deverão responder perguntas sobre a Xiaomi e sobre tecnologia em geral e a própria Xiaomi, com base nas respostas, selecionará os beta testers”. Essa parece ser uma boa notícia, mas é preciso lembrar que os entraves econômicos ainda são decisivos para um possível retorna da marca para o território nacional.

Por enquanto a Xiaomi apenas estudará o retorno para o nosso mercado

Questionado se há arrependimento sobre a atuação e chegada da fabricante chinesa aqui no Brasil, o executivo nega: “De maneira alguma. A operação brasileira é bem sucedida e atingiu as metas esperadas até agora, tanto de vendas, como de crescimento e produziu grandes inovações de marketing que surpreenderam até mesmo a nossa equipe na China”. Porém, para a infelicidade do público, por enquanto a Xiaomi apenas estudará o retorno para o nosso mercado.

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