A Wikipedia é uma enciclopédia livre em que qualquer pessoa pode ser um editor. Ela é construída todos os dias por milhares de colaboradores de todo o mundo. O projeto foi iniciado em janeiro de 2001 e hoje já existem mais de 14 milhões de artigos publicados no site.

Quem já acessou a Wikipedia sabe: o visual da página é extremamente simples. Alguns se arriscam até mesmo a dizer que ela não é muito atraente visualmente falando. A sensação ao se acessar o site é estar entrando em uma página do final do século passado. São linhas e mais linhas de texto com poucas imagens, fugindo da tendência atual da web 2.0 com conteúdo dinâmico.

Se por um lado isso pode ser estranho para o padrão atual, é importante lembrar que o site é planejado para ser assim. Segundo a diretora-executiva da Fundação Wikimedia, Sue Gardner, a Wikipedia sempre teve esse ar de página artesanal, mas, ao mesmo tempo, confortante. Isso faz parte do charme da enciclopédia.

Sue também afirma que a equipe tem coisas muito mais importantes com o que se preocupar do que com a aparência. O site não foi desenhado por marqueteiros que desejam vender algum produto. A página é simples, limpa e objetiva. A enciclopédia deseja transmitir o conhecimento, e isso  ela faz muito bem, independentemente do seu visual.

“A Wikipedia nunca esteve interessada em ser o Facebook, por isso, sua aparência simples é uma coisa que deve ser preservada”, diz Sue Gardner.

O problema não é a aparência, mas a interface

Segundo a própria Fundação Wikimedia, um dos maiores problemas da Wikipedia não é necessariamente o seu visual ultrapassado, mas sim a sua dificuldade de utilização. O Facebook, o Twitter, o Tumblr e diversos outros serviços semelhantes são muito simples, amigáveis. Esse foi um dos fatores principais que levaram essas ferramentas a conquistar os usuários.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia)

Essa facilidade, entretanto, não abre mão do visual bonito e extremamente convidativo, passando justamente a imagem de que eles são muito fáceis de lidar, não necessitando de um processo rigoroso de aprendizado. Isso permite que qualquer pessoa utilize os serviços com facilidade.

As características apresentadas são justamente o oposto na Wikipedia. Sua interface não é nem um pouco amigável, sendo que um site que funciona na base da colaboração deve ser convidativo.

A principal propaganda da Wikipedia, além de ser o maior centro de informação gratuita da internet, é que qualquer um pode editar os artigos. “Qualquer um” talvez seja exagero, já que, para editar qualquer entrada, é preciso certo nível de conhecimento técnico. A interface do site não contribui muito para que os “meros mortais” contribuam com informações.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia)

Esse é, talvez, o principal ponto em que a Wikipedia precisa mudar sua política. O maior problema da enciclopédia não é a aparência, mas a interface que afasta pessoas com menos conhecimento de programação, uma vez que, para editar qualquer artigo, é preciso conhecer alguns comandos avançados para poder diagramar o conteúdo corretamente.

Isso tende a piorar quando uma das principais bandeiras erguidas pela Wikimedia em seu plano estratégico é a necessidade de expandir a base de editores do site, oferecendo ainda mais diversidade de conteúdo: muitas pessoas, ao tentar contribuir, acabam se afastando justamente pelo complexo sistema do Wiki Markup, o editor de textos do site.

Introduzindo um sistema mais amigável para a edição de textos

Há alguns meses, a Wikipedia introduziu um protótipo de um sistema de edição de textos mais moderno, simples e com elementos gráficos. O design é semelhante ao visto em um editor comum de blog. No entanto, esse protótipo ainda não entrou no site definitivamente, pois ainda está em versão de testes.

Os desafios, segundo a equipe de desenvolvimento, são grandes. Enquanto é preciso adicionar um novo layout para edição dos textos, também é necessário manter inalterada a ferramenta original — que é a mesma em mais de dez anos de vida. Isso é necessário para que os antigos editores, já acostumados com o formato, não se sintam prejudicados com a mudança.

A nova interface pretende facilitar a vida dos editores (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia)

Outro grande problema é a complexidade de ferramentas oferecidas pelo Wiki Markup. Existe uma diversidade de comandos e funções diferentes, como tabelas, layout, edição e inserção de imagens, fórmulas matemáticas, caixas de informação e muitos outros conteúdos dinâmicos que servem para formatar a Wikipedia como ela é originalmente. Manter tudo isso funcionando nos dois editores, de maneira que um não atrapalhe o outro, é uma tarefa complicada para os desenvolvedores da Fundação Wikimedia.

Apesar desses esforços em tornar a interface mais amigável aos novos editores, Sue Gardner não acredita que um novo editor de textos, sozinho, consiga trazer mais contribuintes para a enciclopédia. No entanto, isso é um passo na direção certa.

O visual da Wikipedia precisa mesmo mudar?

É um fato que a Wikipedia tem um layout já um pouco ultrapassado. No entanto, talvez seja justamente essa pureza e integridade o que garante o seu indiscutível sucesso. As políticas quanto à mudança de formato são extremamente rígidas dentro da Fundação Wikimedia.

Quem acompanha o Tecmundo deve ter visto o fundador da Wikipedia pedindo doações para que o grupo possa pagar suas contas. Jimmy Wales é completamente contra o uso de publicidade dentro da enciclopédia, pois, segundo ele, o site é como se fosse uma biblioteca pública, um templo do conhecimento. Portanto, publicidade não se encaixa no formato.

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia)

O importante é que a Wikipedia é um dos sites mais acessados do mundo todo. Mesmo com o seu visual um pouco ultrapassado e a necessidade de campanhas para arrecadação de doações todos os anos, a Fundação Wikimedia consegue fazer o que muitas empresas de internet não conseguem: manter um dos maiores empreendimentos funcionando com uma equipe de 95 pessoas.

E você, acredita que a Wikipedia precisa de um “Extreme Makeover” em seu visual?

Fonte: Wikimedia, The Atlantic, PC World

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