No fim da tarde do dia 4 deste mês, a morte de Antonio Marcos da Silva Figueiredo, um policial baleado em serviço, acabou desencadeando uma onda de mensagens via WhatsApp na cidade de Belém, capital do Pará. Notícias do falecimento começaram a circular pelo serviço, porém, mais tarde, outras mensagens mais alarmantes se seguiram, com alertas sobre regiões que não seriam seguras naquela noite.

Os cidadãos começaram a receber mensagens replicadas por diversos amigos e familiares, que por sua vez tinham recebido o conteúdo de outras pessoas e assim por diante. Em textos ou mensagens de voz o conteúdo era claro: “Não vá para Guama, Canudos ou Terra Firme esta noite. É para a sua segurança. Mataram um policial nosso e vai ter uma limpeza na área”. No decorrer do fim daquele dia, dez pessoas foram mortas nas ruas, baleadas por motociclistas que rondaram as regiões mencionadas por seis horas a fio.

Depois que tudo se acalmou, as pessoas passaram então a compartilhar pelo aplicativo as fotos dos corpos deixados pelas ruas da cidade. João Batista, de 19 anos, morador de Belém, disse em entrevista para a BBC que nunca viu algo do tipo antes. "É a primeira vez que me lembro de ter visto algo se espalhar dessa forma pela cidade e que tenha causado tanto medo", contou o jovem.

Vingança planejada

Acredita-se que policiais revoltados com a morte do companheiro espalharam as mensagens para garantir que os cidadãos comuns não se ferissem durante a matança promovida nos bairros da cidade. Postagens da página da ROTAM no Facebook e em diversos perfis pessoais de agente da polícia, que convocaram ajuda de todos para vingar o colega morto, acabam dando peso à essa teoria – e estão na mira da corregedoria da organização.

Aparentemente, esse tipo de tática, com avisos através do WhatsApp, é bastante utilizado por criminosos, que impõem toques de recolher usando mensagens do serviço, garantindo que as ruas estejam limpas para confrontos com outros grupos ou policiais, além de aproveitar para fazer grandes negociações de drogas.

A ligação entre as mensagens e a chacina, está sendo investigada, com a força policial procurando as pessoas responsáveis por ambos. Enquanto isso, o clima na cidade é de medo, já que o serviço vem sendo utilizado em massa novamente, sugerindo que o ciclo de violência entre os policiais e os bandidos está longe de ter um fim.

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