Na última quarta-feira (14), como parte da operação Lava Jato, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa, Marisa Letícia e outras seis pessoas por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Entre as páginas do documento que constituem o processo há uma curiosidade: os investigadores conseguiram ligar a empreiteira OAS ao filho de Lula graças a um recurso do WhatsApp.

No iPhone de José Adelmário Pinheiro Filho, ex-presidente da OAS, a Polícia Federal descobriu uma série de mensagens enviadas a Marcelo Ramalho, funcionário do grupo, que faziam referências a um misterioso “Dr. Fábio”. Para descobrir a identidade dessa pessoa, os policiais decidiram adicioná-la no comunicador instantâneo — o resultado foi a aparição de uma fotografia de Fábio Luis Lula da Silva, também conhecido como Lulinha.

“A vinculação do filho do ex-Presidente da República ao telefone indicado por MARCOS RAMALHO como sendo de propriedade do ‘Dr. Fábio’ é feita pelo fato de que, quando tal número é salvo em qualquer aparelho telefônico e selecionado no aplicativo ‘WhatsApp’, aparece como imagem do contato uma foto de FÁBIO LULA DA SILVA, conforme informado no Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 32”, afirma o documento.

Sítio e apartamento

Após a descoberta, a Polícia Federal solicitou uma confirmação da operadora Oi, que afirma que o número em questão realmente pertence ao filho de Lula. A ligação com o ex-presidente é reforçada por outras mensagens nas quais ele era referenciado como “chefe”, segundo a investigação.

O Ministério Público Federal acusa Lula de receber R$ 3,7 milhões em propinas através do custeio de um apartamento triplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia. Já os advogados do ex-presidente, em nota enviada ao Gizmodo, afirmam que nem ele nem sua esposa, Marisa, são proprietários dos imóveis, tampouco beneficiários de qualquer reforma lá feita.

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