A Western Digital é uma das maiores empresas no segmento de armazenamento, sendo líder de mercado desde meados de 2012, quando ela adquiriu a Hitachi e incorporou mais opções em sua linha de produtos.

A companhia sempre se destacou ao levar componentes de alta qualidade até o consumidor, modelos que entregam, além de performance robusta, confiabilidade para todas as tarefas, o que garantiu sua expansão nos últimos anos.

Recentemente, no entanto, a WD notou algum impacto em vendas devido a um movimento natural do mercado, que começou a optar por drives de estado sólido. Com o barateamento dos SSDs, os consumidores investiram muito mais nesta tecnologia que entrega maior velocidade e menor suscetibilidade a defeitos mecânicos.

Para acompanhar a tendência, a Western Digital deu um passo ousado, lá no começo de 2016, ao adquirir a marca SanDisk. Com toda a tecnologia de ponta da famosa fabricante de unidades com memória Flash, a WD desenvolveu uma nova série de produtos focada no mercado que busca SSDs de alto desempenho.

No ano passado, a fabricante revelou os primeiros detalhes dos drives de estado sólido WD Green e WD Blue, que apresentam diferentes propostas e colocam a marca para concorrer em múltiplas frentes. Visando dar uma demonstração do que vem por aí, a companhia nos enviou uma unidade do WD Blue de 1 TB para testes. Vamos conferir o desempenho do produto.

Especificações

Design e embalagem bastante simples

Antes de qualquer coisa, precisamos falar sobre design de componentes de hardware. Quem acompanha esse mercado sabe que, além de placas de vídeo e algumas outras poucas peças, há determinados itens que simplesmente apresentam características tradicionais e não chegam com grandes propostas visuais.

Assim, apesar de o Western Digital Blue ser focado em um mercado mais exigente, ele não deve impressionar quem busca um projeto inusitado, uma vez que ele prioriza funcionalidade no lugar de apresentação. A experiência com o produto começa na embalagem, que é um bocado simples e apenas contém as informações básicas.

Num primeiro olhar, é fácil reparar que ele se assemelha a outros modelos concorrentes. O desenho dessa peça é bem simples, apenas com os devidos espaços para parafusos e conectores. O acabamento é de material bastante resistente, um metal que entrega proteção e auxilia na dissipação do calor.

Na parte superior, a Western Digital inseriu uma etiqueta bem simples com o nome do produto, algo que poderia ter sido mais bem pensado, já que o design geral não tem como receber muitas modificações. A gravação do componente diretamente na peça poderia ser um diferencial interessante. Já a parte inferior tem apenas informações técnicas.

Controlador Marvell e memória própria

O Western Digital Blue é equipado com o controlador Marvell 88SS1074, fabricado com litografia de 28 nm. Esse modelo já conta com tecnologias de correção de erro, verificação de paridade de baixa densidade, melhoria de confiabilidade, acréscimo na resistência e suporte para TLC NAND (peças com células de triplo nível).

Conforme você já conferiu nas especificações, este componente é preparado para trabalhar com interface SATA 3. Ele é capaz de usar quatro canais NAND, com até oito dispositivos por canal. Com essa funcionalidade, ele economiza muita energia e se destaca entre os concorrentes.

O Marvel 88SS1074 ainda entrega segurança aprimorada com criptografia AES-256 e suporte para componentes TLC (3-bit) e MLC (2-bit). Os módulos de memória deste SSD são do tipo TLC, fabricados pela própria SanDisk com litografia de 15 nm.

Testes de desempenho

Para averiguar as capacidades do produto no dia a dia, nós realizamos testes práticos e benchmarks específicos. Para completar, o colocamos ao lado de outros modelos para que seja possível ter uma base de comparação.

Importante: utilizamos SSDs de tamanho e modelos variados durante os testes. A diferença entre as análises também é relacionada ao tipo de data sendo transferida para a unidade. Alguns controladores não usam compactação antes da gravação, o que aumenta a velocidade, mas degrada um pouco mais os chips de memória.

Máquina de testes

  • Sistema: Windows 10 Pro
  • CPU: Intel Core i7-6700K
  • Placa-mãe: GIGABYTE Z170-X Gaming G1
  • Memória: 16 GB RAM Corsair DDR4 2133
  • SSD: Corsair Neutron XT 240 GB
  • HD: 3 TB Seagate ST3000M001
  • Fonte: Corsair RM1000

Cópia de arquivo

Na tentativa de evidenciar os resultados práticos do Western Digital Blue no dia a dia, rodamos um teste de cópia de arquivo. Trata-se de uma verificação bastante simples, mas que pode ser a mais interessante para você que pretende apenas levar dados de um computador para outro ou transferir dados entre partições.

Neste teste, criamos uma pasta dentro do drive e copiamos um arquivo de vídeo de aproximadamente 5 GB para dentro dela. Os dados saem de nossa unidade de armazenamento principal (o Intel 540 Series) e são levados até o SSD em análise.

Depois, copiamos esse arquivo para uma segunda pasta, na mesma unidade, com o propósito de verificar a capacidade do drive de ler um arquivo e escrever os dados simultaneamente em outra área.

Os dois testes são realizados com o aplicativo TeraCopy, que apresenta um relatório detalhado ao término do processo e não utiliza dados em cache, o que poderia comprometer o resultado final. Os valores são taxa de transferência (em MB/s) e tempo de operação (em minutos e segundos).

ATTO Disk Benchmark

O ATTO Disk Benchmark é um aplicativo simples que mede a transmissão de arquivos de vários tamanhos diferentes para calcular o desempenho do disco. O programa utiliza dados compressíveis e sequenciais, o que garante a velocidade máxima teórica, inclusive com controladores que utilizam a compressão de dados.

Contudo, é importante lembrar que esses resultados não refletem exatamente o uso real do aparelho, já que nem sempre a máquina trabalha com dados sequenciais.

CrystalDiskMark

O CrystalDiskMark é um software de testes que trabalha com diferentes modos de transmissão, incluindo gravação e leitura de arquivos sequenciais e aleatórios de tamanhos variados.

O software utiliza dados incompressíveis, o que pode acarretar uma queda no desempenho em alguns SSDs. Esse tipo de teste reflete resultados mais próximos ao uso do drive no dia a dia.

HD Tune

O HD Tune mede a velocidade de leitura do drive de duas formas diferentes: primeiro, as velocidades máxima e mínima de transmissão; em seguida, a velocidade média de acesso aos arquivos. O software utiliza dados compressíveis durante o benchmark.

PCMark 8 - Storage

O PCMark 8 é desenvolvido pela Futuremark, empresa especialista em aplicativos de benchmarks. Para medir o desempenho do SSD, o PCMark opera com uma série de testes simulando operações de trabalho com aplicativos Adobe e Microsoft, além de games. Dessa forma, é possível ter uma noção de como a unidade de armazenamento funciona no dia a dia.

Vale a pena?

No fim das contas, a aquisição da SanDisk veio a calhar para a Western Digital, que chega ao segmento de SSDs com boas soluções. Nossa experiência com o Western Digital Blue de 1 TB foi bastante satisfatória. Ele pode não ser o mais poderoso do mercado, mas certamente entrega performance de ponta para as principais atividades.

Os resultados dos nossos benchmarks provaram que o WD Blue é um SSD com desempenho excelente em cenários que demandam capacidades de escrita e leitura sequencial, mas que também se sai muito bem em atividades mais focadas nas capacidades de acesso aleatório.

Em muitos casos, esse modelo entregou performance superior à que obtivemos em modelos concorrentes, incluindo a unidade da Intel e da Galax. Os resultados de cópias de arquivos são bastante surpreendentes e indicam que a Western Digital focou seus esforços em entregar uma peça preparada para atividades corriqueiras.

No fim das contas, este modelo é um bom primeiro passo para a fabricante, que leva confiabilidade e alta velocidade para o consumidor que busca uma solução de armazenamento robusta. O WD Blue de 1 TB chega ao mercado internacional por valores próximos a 270 dólares (R$ 870), o que é bem adequado à proposta do componente.

O SSD Western Digital Blue ainda não está disponível no Brasil, por isso não há uma estimativa de preço. Levando em conta o que é cobrado por peças similares, de outras marcas, é possível que este modelo chegue aqui custando acima dos R$ 1,5 mil. Resta aguardar para saber qual valor será praticado pelas lojas.

Independente dessa questão de preço, só temos elogios à Western Digital por entregar um produto bastante competente e muito robusto ao consumidor. O WD Blue é ideal para quem usa o PC com bastante intensidade, sendo adequado para jogatina e tarefas pesadas. Altamente recomendado!

Cupons de desconto TecMundo: