Até pouco tempo atrás eram poucas as pessoas que conseguiam ter informações detalhadas sobre os medicamentos ou tratamentos médicos a que eram submetidas. A não ser que se consultasse diretamente com algum profissional da medicina, as informações que a pessoa tinha disponíveis não eram o suficiente para que um leigo pudesse entender todas as etapas pelas quais devia passar até encontrar uma cura.

Com o crescimento da internet, isso mudou completamente. Atualmente basta digitar palavras-chave em um site de buscas qualquer para em instantes receber uma grande variedade de respostas, que detalham a ação de remédios, mostram vantagens de novas terapias e até mesmo páginas que reúnem relatos sobre casos reais. Assim como o paciente se tornou mais informado, o profissional da medicina também passou a ver com mais clareza a importância que os meios eletrônicos têm em sua profissão.

Além de poder se comunicar e trocar experiências com profissionais localizados nas mais diferentes partes do mundo, a internet proporcionou o acesso a uma imensa quantidade de informação. Sejam artigos publicados em revistas científicas conceituadas ou novos métodos de tratamento que vêm surtindo resultados, ficou muito mais fácil acompanhar e participar das evoluções diárias pelas quais passa a medicina.

Este artigo tem o objetivo de mostrar alguns pontos nos quais a Internet revolucionou a medicina, transformou a relação entre profissionais e pacientes e cada vez mais se torna um meio indispensável para obter informações e se comunicar. Para compreender o quanto a internet modificou o jeito com que a medicina é encarada, é preciso saber um pouco sobre o conceito de telemedicina.

Telemedicina?

Em primeiro lugar, a telemedicina ou telessaúde não deve ser compreendida como um novo tipo de especialização médica, mas sim como um novo método de aplicar conhecimentos médicos em casos que a distância é um fator determinante na relação entre pacientes e profissionais da área. O método não é exatamente novo, pois desde a década de 1940 é aplicado nos Estados Unidos, através de consultas realizadas por telefone. Porém, o conceito só ganhou fôlego com o surgimento da internet.

Imagine um morador de uma cidade pequena no interior do Amazonas: até pouco tempo atrás, a única alternativa que tinha quando precisava se consultar com algum médico era enfrentar uma viagem longa e desgastante até a capital mais próxima. Com o barateamento das conexões de internet e a possibilidade de utilizar meios como o rádio para se comunicar com a rede mundial de computadores, além do auxílio de webcams e softwares de conversa, é possível realizar consultas de rotina com médicos localizados a quilômetros de distância.

A utilização da telemedicina vai além da simples possibilidade de fazer consultas com profissionais localizados em lugares distantes. Médicos de diversos países diferentes podem se reunir em um local virtual para realizar o intercâmbio de informações válidas sobre casos reais, e propiciar a descoberta de diagnósticos mais eficientes.

Novos métodos de tratamento e até a construção de bancos de dados para acompanhar a evolução de epidemias podem surgir destas discussões. O caso recente da gripe suína é uma prova de como a internet se tornou uma arma importante na prevenção de doenças: a troca de informações entre profissionais e órgãos de saúde de diversos países permitiu verificar o avanço da doença e uma maior organização e planejamento na hora de recomendar tratamentos e métodos de prevenção ao vírus.

Prontuários Online

Para um médico, pouca coisa é mais complicada do que ter que lidar com pacientes dos quais não se tem um histórico médico completo. A falta destas informações resulta na realização de exames clínicos repetidos, o que atrasa o início do tratamento.

Além disso, a falta de informações pode incorrer em risco de morte em casos em que é necessário realizar procedimentos de emergência que envolvam cirurgias e utilização de anestesia. Sem dados completos sobre condições pré-existentes e alergias que o paciente possui, é mais fácil ocorrerem erros médicos durante a realização de procedimentos delicados.

Resolver este problema virou uma tarefa bastante fácil utilizando a Internet. Em vez do velho prontuário registrado através de papel e caneta, aparelhos portáteis conectados a rede permitem compartilhar e acessar facilmente dados sobre o paciente em qualquer local do mundo, ocupando pouquíssimo espaço na memória. Além de textos escritos, é possível armazenar uma série de dados multimídia, como imagens de exames, o que permite um diagnóstico mais preciso.

O sonho é que no futuro bastará a um médico se conectar a uma base de dados centralizada e informar a senha e login correspondente a cada paciente para encontrar informações completas sobre todo seu histórico médico, o que poupa a realização de exames já realizados e possibilita visualizar gráficos com o avanço de doenças e condições pré-existentes. A tendência é que estes prontuários possuam também funções inteligentes que analisem automaticamente problemas de saúde do paciente e recomendem métodos de prevenção e tratamento.

A utilização destes prontuários também permitirá ao paciente um maior controle sobre a realização de consultas médicas, já que receberá automaticamente mensagens alertando quando é preciso marcar uma nova consulta ou tomar um medicamento. Isso sem contar com a possibilidade de obter um maior controle sobre a quantidade e qualidade dos medicamentos utilizados: através da análise automática do histórico e tratamentos já realizados, será possível determinar individualmente quais remédios têm uma melhor reação com o organismo de cada pessoa, ao levar em conta outros tratamentos já utilizados.

Google Health

Um dos primeiros passos na criação de um prontuário com acesso global através da internet é o Google Health. Através de um cadastro simples, qualquer pessoa pode disponibilizar na web informações sobre seu histórico médico, como tratamentos realizados, medicamentos de uso frequente e até mesmo situações corriqueiras como o remédio contra gripe que tomou em certo horário.

Como somente o paciente é responsável por enviar os dados, há algumas ressalvas em relação à utilização do serviço. A principal está na segurança das informações adicionadas: muitas pessoas podem ter medo de inserir alguns dados sobre seu histórico pessoal, por temer que alguma pessoa não autorizada acesse seu perfil. Embora seja um temor justificado, este tipo de situação pode atrapalhar profissionais da área médica, que somente visualizarão um histórico incompleto.

Cirurgias realizadas a quilômetros de distância

Imagine que algum familiar precisa fazer uma cirurgia de rotina para remover pedras da vesícula. O procedimento todo é feito de maneira pouca invasiva, utilizando um robô extremamente preciso que faz cortes mínimos e deixa cicatrizes quase invisíveis a olho nu. A cirurgia foi realizada em São Paulo, porém o detalhe é que o cirurgião está em Londres, a mais de 9000 quilômetros de distância.  Este cenário, que pra muita gente parece coisa de filme de ficção científica, já se tornou bastante comum em diversos locais do mundo.

Isto tudo devido a avanços tanto da área de telecomunicações quanto da engenharia. A criação de robôs inteligentes equipados com câmeras tridimensionais permite ao cirurgião realizar cirurgias cada vez menos invasivas. Como o profissional em muitos casos não chega nem a tocar no paciente e só visualiza todo o procedimento através de monitores, é possível a realização de cirurgias à distância sem problema algum. Desta forma, não é mais preciso gastar tempo e dinheiro na locomoção de pacientes ou profissionais até locais distantes.

Cuidados que devemos ter com as novas tecnologias

Vale lembrar que o crescimento do número de informações disponíveis e a possibilidade de se comunicar com pessoas localizadas nos mais diferentes locais do mundo não trazem somente benefício ao campo da medicina. Um dos problemas que tem se tornado cada vez mais grave na rede é o da automedicação irresponsável. Milhares de sites oferecem a um clique do mouse uma imensa variedade de remédios diferentes, alguns deles de venda controlada.

Além de se tratar de venda ilegal, há diversos riscos envolvidos na utilização deste tipo de remédio, principalmente para pacientes que sofrem de doenças graves. Da mesma forma, indivíduos saudáveis que tiverem contato com medicamentos perigosos podem desenvolver reações alérgicas severas, o que representa risco à vida destas pessoas.

Outra situação que tem se tornado bastante comum é a pessoa dispensar a consulta a um médico por acreditar que encontrou a solução para seu problema em algum fórum de discussão ou página da web. Há aqueles que também chegam a desconsiderar a opinião de profissionais sérios e preferem acreditar em lendas e histórias fictícias espalhadas pela rede. Ambas são situações graves e têm gerado uma série de discussões e preocupação na comunidade médica.

Isso sem contar as implicações éticas relacionadas à utilização da internet. Como forma de controlar a qualidade dos profissionais que exercem a medicina no Brasil, há uma série de conselhos de medicina regionais responsáveis por cadastrar e fiscalizar toda atividade médica realizada no território nacional.

O controle é tão grande que, para atuar em um diferente município,um profissional precisa ter um registro válido no órgão responsável localizado neste lugar. Por isso, por mais que um médico esteja apto a praticar medicina em Curitiba, por exemplo, terá de tirar outra licença para exercer atividade em São Paulo.

Com a utilização da internet este controle é perdido, pois permite que um médico pratique atividades em qualquer lugar do mundo. Ainda há muitas discussões relacionadas a este tema, principalmente no que diz respeito a formas de punir profissionais que cometem erros médicos ao consultar pacientes de maneira remota.

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