Imagem de Werewolf: The Apocalypse - Earthblood
Imagem de Werewolf: The Apocalypse - Earthblood

Werewolf: The Apocalypse - Earthblood

Nota do Voxel
52

Werewolf: The Apocalypse - Earthblood: ruim é apelido

O ano era 1989. Meus pais resolveram pintar o apartamento e eu, como um bom gamer, não larguei o controle durante o período. Me lembro até hoje dos dois sofás em pé, cobertos de plástico na sala. No meio deles, um televisor, rodando o clássico Altered Beast.

Um hiato enorme tomou conta dos jogos de lobisomem. Para falar a verdade, eles nunca foram bem aproveitados na história dos videogames. Aparentemente, este cenário começou a mudar. Ano passado tivemos um excelente romance visual, chamado Werewolf: The Apocalypse — Heart of the Forest, da Different Tales e, em 2013, o excelente The Wolf Among Us, da Telltale Games.

Originário da mitologia grega, o licantropo também chegou às páginas dos livros de RPG e com muito mais êxito. Bateram ponto no universo The World of Darkness, que ainda conta com as sagas Vampire The Masquerade e Mage Ascension. É aqui o nosso ponto de partida.

Werewolf: The Apocalypse – Earthblood acaba de chegar ao mercado, tendo como pano de fundo o que foi utilizado em The World of Darkness. Publicado pela Nacon, o título foi desenvolvido pelo Cyanide Studio, o mesmo por trás da franquia Styx. O título chegou despercebido, mas nós tivemos a oportunidade de jogá-lo.

Confira abaixo a videoanálise:

Vira Vira lobisomem, vira vira!

Você é Cahal. Um lobisomem muito conceituado dentro do seu grupo. Sua missão é desmascarar uma entidade petrolífera, chamada Endron. A empresa quer salvar o mundo, mas na verdade, quer destruí-lo. As florestas, muito impactadas pela empresa, atingem em cheio os licantropos, afinal, eles são considerados os protetores de Gaia, a Mãe-Terra.

Contudo os lobisomens não pensam muito. Deixam as emoções tomarem conta de suas ações, fazendo tudo ir pelo ralo em poucos segundos. Com Cahal, não é diferente. Após a morte de sua esposa, ele se transforma e destrói tudo o que tem pela frente, inclusive um companheiro de matilha.

Ao perceber a besteira que fez, Cahal decide se afastar e torna-se um caçador de recompensas. Porém, Endron entrará em pauta novamente na sua vida e é aqui que tudo começa para valer.

Não foi desta vez

Todos os games que eu tenho a oportunidade de analisar, faço o possível para encontrar qualidades. Em Werewolf: The Apocalypse – Earthblood a tarefa foi complicada demais. No início é possível se encantar com a cinemática bem feita e que te coloca de cabeça na aventura, mas…

Ao começar a gameplay, tudo se perde. Trazer o roteiro para o jogo não deu certo, deixando lacunas gigantes e a aventura sem diversão e muito menos imersão. Ainda mais quando temos como referência o universo The World of Darkness. É possível perceber que a desenvolvedora conhece a história, mas ela não foi bem implementada.

Os gráficos também não ajudam. Com problemas em praticamente todos os aspectos, a impressão que temos é de jogarmos um game da geração passada. A luminosidade não ficou legal e as texturas são bem pobres e pecam pela repetição em praticamente todos os cenários. A otimização ficou aceitável jogando em 4k.

A arte acaba tendo um grande impacto nos combates, que pode ser considerado o carro-chefe do game. Batalhas intensas, com muito sangue e destruição. Inclusive, se o jogo fosse focado apenas nos confrontos, Werewolf: The Apocalypse – Earthblood teria uma oportunidade para se destacar.

Repetitivo ao extremo

Se você conseguiu terminar Werewolf: The Apocalypse – Earthblood, você é um guerreiro. Pode ser considerado um verdadeiro soldado gamer, pois a tarefa não é nada fácil. Durante 7, 8 horas de jogatina o que mais se encontra é repetição. Com uma hora de jogo você já percebe.

As missões dificilmente mudam. Seu objetivo é sempre o mesmo, mudando alguma coisa aqui ou ali. Você poderá realizá-las de duas formas: stealth ou na base da pancadaria. Eu até curto um stealth, mas é praticamente impossível ter paciência para fazer isto no jogo. Tudo por causa da jogabilidade.

Os comandos de Cahal são simples, falta um polimento maior do que o esperado. O mesmo acontece quando ele se transforma em lobo. Controlar o animal é um grande desafio. A mecânica só fica melhor quando você se transforma em lobisomem. O pega para capar é insano e a sensação de ser um verdadeiro lobisomem toma conta de você.

O pau vai comer!

A grande diversão de Werewolf: The Apocalypse – Earthblood está em invadir locais e se transformar no lobisomem mais temido de todos. Aqui você assume a forma de crinos, um monstro feroz e que destruirá tudo pela frente. Com habilidades especiais, que podem ser adquiridas ao longo do jogo, seus adversários vão virar sucata na sua frente.

Vale destacar o confronto com outros lobisomens, o que torna o jogo muito divertido. Como ponto de apoio, uma trilha sonora violenta, um trash metal das versões mais impuras, o que deixa o clima sombrio e propenso a matança e carnificina.

Os gráficos acabam melhorando no combate, com luzes e efeitos bem legais. Dá para se sentir um verdadeiro lobisomem no meio de humanos e outras bestas. Só tome cuidado com a bala de prata, pois ela poderá ser mortal.

Vale a pena?

Existe gosto para tudo. Caso você não dê muita atenção para gráficos e principalmente para uma história bem construída, Werewolf: The Apocalypse – Earthblood pode ser uma boa pedida, deixando-o no final da sua lista e esperando uma pomposa promoção. O game pode valer a pena para aqueles que gostam de destruir tudo e todos pela frente. Mas vale deixar claro que a jogabilidade é simples e pouco desafiadora.

Werewolf: The Apocalypse – Earthblood foi gentilmente cedido pela Sony para a realização desta análise

Pontos Positivos
  • Batalha entre lobisomens
Pontos Negativos
  • Gráficos
  • História
  • Jogabilidade