Imagem de Marvel’s Guardians of the Galaxy
Imagem de Marvel’s Guardians of the Galaxy

Marvel’s Guardians of the Galaxy

Nota do Voxel
83

Guardians of the Galaxy é uma aventura genérica, mas divertida

Se você voltasse uns 10 anos no tempo, praticamente ninguém ao seu redor reconheceria o nome dos Guardiões da Galáxia. Fora o nicho mais aficionado pelos quadrinhos da Marvel, esse time de heróis espaciais no máximo fazia parte do nível C ou D entre os personagens da editora, o que só mudou depois da estreia do seu filme lá em 2014.

Para o bem ou para o mal, a visão do diretor James Gunn fisgou um lugar cativo no imaginário da cultura pop, e a sua formação da equipe contando com o Senhor das Estrelas, Drax, Gamora, Rocky e Groot passou a aparecer nos gibis, figuras de ação e desenhos animados desde então.

Afinal, poucas marcas hoje em dia têm o mesmo poder e influência que o Universo Cinematográfico da Marvel, o que às vezes pode até atrapalhar outras obras. O recente jogo dos Vingadores, para todos os seus problemas, foi um que sofreu demais nas primeiras impressões da galera justamente porque não conseguia evocar a mesma estética, tom e até feições dos atores dos filmes.

Essa fracasso acabou empurrando muito ceticismo também para cima do lançamento de Marvel Guardians of the Galaxy. Mas será que o novo jogo da Casa das Ideias teve melhor sorte? Descubra na nossa análise completa a seguir!

Heróis feitos do jeito certo

Não fossem universos tão próximos, seria até injusto comparar os Vingadores com os Guardiões da Galáxia, já que eles não compartilham sequer a mesma desenvolvedora! Enquanto Avengers foi feito pela Crystal Dynamics, Guardians of the Galaxy ficou a cargo da Eidos Montreal, também responsável pela aclamada franquia Deus Ex.

Se a Crystal Dynamics acabou sofrendo com a pressão de entregar um jogo como serviço contínuo, repleto de microtransações abusivas e com um multiplayer toscamente colado junto da história principal, a Eidos teve melhor sorte e conseguiu tocar um projeto muito mais focado, com um escopo limitado e, até mesmo por isso, mais coeso, o que já fica claro na primeira hora de gameplay:

A sua aventura estelar é totalmente single player, não há DLCs nem formas externas de tirar o seu dinheiro depois da compra inicial, e a campanha é totalmente linear, estruturada em capítulos bem curtinhos e agradáveis. Como os próprios roteiristas tinham me contado em entrevista aqui pro Voxel, a narrativa e o roteiro são o carro chefe dessa jornada em terceira pessoa!

Ainda bem, então, que o enredo é justamente a parte que melhor funciona em todo o game. Se você gosta do humor dos filmes, certamente vai dar boas risadas por aqui também conforme os Guardiões interagem entre si. E olha, como eles interagem, hein? Ao longo de toda a campanha você mal vai ter um segundo de silêncio, já que os personagens nunca calam a boca.

Só que seja com uma piadinha ou provocação inofensiva, ou mesmo em diálogos que se aprofundam no seu passado e personalidade, é um prazer passar um tempo com a equipe. E aí, mesmo que você só controle diretamente o Senhor das Estrelas, o tempo todo se sente junto dos seus companheiros.

Sozinho, mas nunca solitário

Até porque, durante os segmentos de ação, cada um dos outros guardiões é associado a um atalho no joystick. Enquanto você luta, pode dar ordens para a Gamora, Groot, Drax e Rocky, que desferem poderosos ataques especiais movidos a cooldowns, o que te impede de abusar demais deles. Confira o sistema de combates em ação:

O Senhor das Estrelas, por sua vez, só pode dar uns socos meio imprecisos de perto ou atacar com as suas clássicas pistolas de longe, o que acaba sendo o seu golpe principal. Ao acumular golpes o bastante, você também pode ativar um especial que agrupa o seu time e então ativa bônus conferindo ainda mais poder para eles. Isso é especialmente legal de fazer porque também ativa uma das dezenas de músicas licenciadas do game!

Em toda a minha experiência, nunca vi um jogo que reuniu tantas bandas legais dos anos 80 de uma só vez, nem mesmo nas rádios de GTA! É uma seleção de grandes nomes que vai desde A-ha e Tears for Fears até Europe e Wham!, então é um prato cheio se você curte a sonzeira dessa época, como eu e o Senhor das Estrelas.

Com uma trilha sonora e roteiro tão bons, você deve estar se perguntando "como está o resto do jogo"? A resposta acaba sendo um pouco cruel, porque ela bem poderia ser… “bom, que resto?!”. Se você tira esses elementos da equação, acaba restando muito pouco para se apreciar por aqui, o que pode ser um problemão dependendo das suas expectativas.

Apostando tudo na narrativa

Você até vai esbarrar com um ou outro puzzle aqui e ali, precisa ocasionalmente dar ordens aos seus amigos para liberar novos caminhos, e pode correr atrás de componentes espalhados pelo cenário para construir umas melhorias com o Rocky, mas isso importa muito pouco devido a extrema facilidade e raridade das batalhas.

Cada luta que você encontra no jogo parece mais um pequeno filler até você poder chegar logo no que interessa, que é ver mais da história. Aliás, voltando às comparações com o universo Marvel, a trama é muito mais inspirada nas histórias em quadrinhos do que nos filmes do James Gunn, o que acaba funcionando a favor do jogo. Se você gosta especialmente da fase do Dan Abnett, vai amar o ritmo e reviravoltas da trama!

Outra sacadinha legal é que frequentemente aparece um prompt na tela com ramificações de diálogo para o Senhor das Estrelas intervir ou não em uma conversa. Na maioria das vezes isso só serve para fins humorísticos, mas em outras ocasiões você pode gerar pequenas e médias bifurcações no caminho, como você pode ver nesse gameplay:

Por exemplo, em certo ponto os Guardiões precisam atravessar um abismo cuja ponte só pode ser ativada do outro lado. Drax sugere arremessar o Rocky até o outro lado, e o guaxinim obviamente reclama disso. Você pode tomar o partido de qualquer um dos dois. Arremessando o Rocky, o problema é resolvido de cara, mas ele fica irritado com você. Protegendo o Rocky, ele fica mais leal e feliz, mas você precisa solucionar um pequeno puzzle alternativo para cruzar o caminho.

Em outra das decisões com maior impacto, você pode decidir se o Rocky ou Groot serão usados em um grande golpe para tentar vender um monstro para a Lady Hellbender. A escolha é toda sua, e vale a pena usar a ferramenta de seleção de capítulos para revisitar essas ramificações depois!

Só que mesmo isso acaba sendo um incentivo muito pequeno para justificar a compra de um título com campanha tão curta e sem maiores atrativos. Para piorar, ao menos antes do lançamento, o jogo está cheio de bugs chatos que podem ou travar o seu progresso ou, ainda pior, fazer você empacar porque algum puzzle não foi ativado do jeito que deveria, o forçando a reativar um antigo checkpoint.

Vale a pena jogar?

Se você não liga, ou quem sabe até mesmo busca um jogo daqueles em que você basicamente só precisa apertar para frente e X até zerar, Marvel Guardians of the Galaxy é uma ótima recomendação, já que o seu enredo e trilha sonora ficam facilmente entre os melhores da geração, com direito a bastante fanservice e referências abundantes para saciar os fãs dos personagens.

Mas o seu combate sem sal, excesso de bugs e simplicidade da jornada dificultam justificar uma compra por preço cheio. No fim das contas, a Eidos Montreal conseguiu o que queria, que era criar uma boa história e honrar esses personagens icônicos. Se isso está de bom tamanho para você, pode embarcar na nave Milano sem hesitar, porque você provavelmente vai se divertir bastante!

Marvel Guardians of the Galaxy não repete os erros de Avengers e traz uma divertida e simples campanha single player

 

Pontos Positivos
  • Diálogos afiados e muito engraçados
  • História cheia de sacadas legais
  • Boas ramificações narrativas
  • Trilha sonora inspirada cheia de hits dos anos 1980
Pontos Negativos
  • Muitos bugs e glitches
  • Combate muito fácil, genérico e burocrático
  • Poucos motivos para jogar de novo