Imagem de Heavy Rain: The Origami Killer
Imagem de Heavy Rain: The Origami Killer

Heavy Rain: The Origami Killer

Nota do Voxel
93

O equilíbrio quase perfeito entre o cinema e os video games.

Jogos reais. A sentença pode até parecer estranha, mas é isso que muitos jogadores esperam vivenciar ao controlar seus personagens virtuais através de um console. O fator “realidade” dos games é algo imensamente considerado por boa parte dos entusiastas e gamers casuais, que podem se espantar facilmente com cada título que traga gráficos e animações impressionantes, por exemplo. Superficialidade? Talvez.

Querendo ou não, é muito bacana ver como as máquinas da atual geração conseguem imitar ou recriar eventos que poderiam muito bem acontecer perto de sua casa. Títulos e mais títulos tentam trazer uma experiência fiel à realidade, baseando-se muitas vezes em outros retratos, fictícios ou não, que também buscam uma proposta semelhante, como os filmes, por exemplo.

Esta tendência à cinematografia não é de hoje. Desde a época do saudoso Nintendinho alguns games já demonstravam esta convergência. Um deles é Dragon’s Lair, game para arcades no qual o jogador vivia uma espécie de animação interativa. O sucesso foi enorme, e o título acabou sendo portado para diversas outras plataformas.

Com o avanço da tecnologia, os games conseguiram criar experiências ainda mais interessantes. Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots é um dos melhores exemplos desta atual geração, pois mistura ação com excelentes doses de momentos cinematográficos.

Mas, quando Heavy Rain foi anunciado, o mundo dos games surpreendeu mais uma vez. O exclusivo para PlayStation 3 é da mesma desenvolvedora responsável pelo peculiar Indigo Prophecy. E, como se pode imaginar, mais uma vez demonstra que jogos e filmes podem trazer resultados extremamente bacanas — para o deleite de uma geração.

Heavy Rain consegue trazer o equilíbrio, quase perfeito, entre o cinema e o entretenimento eletrônico. Gráficos de qualidade, animações bacanas e uma narrativa simplesmente excepcional são apenas alguns dos elementos que fazem desta criação da Quantic Dreams algo memorável.

Surpreendente

Quando os primeiros trailers demonstravam a jogabilidade de Heavy Rain muitos jogadores se perguntaram: será que teremos apenas uma inundação de minigames de contexto? Bem, se você pensava a mesma coisa, então é melhor rever seus conceitos.

Sim, a base da jogabilidade do game são os Quick Time Events (QTE). Entretanto, durante o jogo, você não será obrigado a simplesmente pressionar botões rapidamente e sem qualquer sentido. O modo de como este sistema foi introduzido ao game é diferente de tudo que já vimos, e deve servir como exemplo para os demais títulos que queiram aproveitar do recurso.

Mas, certamente, os minigames não são o elemento mais profundo do game. Heavy Rain consegue cumprir uma das missões mais difíceis da história do entretenimento eletrônico: criar um vínculo com o jogador. A imersão é garantida graças às ações propostas pelo game, as quais variam desde simples eventos até fugas intensas. Depois de escovar os dentes, ajudar sua esposa e brincar com seus filhos, não há como não se sentir na pele de Ethan Mars.

Como você já deve saber, Heavy Rain opta por uma narrativa com vários protagonistas. Você controla quatro personagens, cada com suas características e problemas. Cada um deles está ligado, de alguma maneira, ao outro, mas esta conexão só aparece com o decorrer do game. É interessante notar como a trama consegue criar um vínculo entre os personagens, que, aparentemente, não possuem nada em comum.

Quebrando as barreiras do roteiroTudo isso ainda pode ser facilmente entendido por nós brasileiros, pois o título conta com legendas e dublagens em português de Portugal. Esta opção está disponível nas versões estadunidenses do game, as mais fáceis de serem encontradas. Portanto, compre sem medo e reúna o pessoal — peça para trazerem pipoca também.

Assim como o título faz bonito nestas ligações, o jogo também possui a capacidade de prender o jogador por várias rodadas, graças à grande variedade de caminhos que facilmente fará você jogá-lo novamente. Suas ações influenciam no ritmo e nos acontecimentos do game, fazendo de cada nova partida realmente uma nova partida.

Sem dúvidas, Heavy Rain é uma grande obra, mas não é um jogo para qualquer. Espere por um título com uma proposta totalmente diferente, situada entre os cinemas e o entretenimento eletrônico. Uma jogabilidade quase simplória — com exceção dos já mencionados QTEs — e nada de miras, combos ou sistema de cobertura.

A Quantic Dreams provou que os jogos podem sim conter uma narrativa emocionante e, ao mesmo tempo, fornecer um bom nível de interatividade. O equilíbrio perfeito entre os filmes e jogos realmente parece possível, e aparenta estar mais próximo que nunca.

Se você está cansado de atirar, atirar, atirar e atirar, então compre Heavy Rain. Se você procura por um jogo distinto, que mal consegue ser classificado, então compre Heavy Rain. Se você deseja há tempos um título com uma história forte e completamente imersiva, então compre Heavy Rain. Ou seja, se você conta com um PlayStation 3, compre Heavy Rain.