A nobreza nos genes [vídeo]

Videoanálise

Não é por acaso que Gran Turismo se mantém até hoje como uma referência absoluta em simulações de corrida. Mesmo tendo dado suas derrapadas na quinta edição, a série continuamente desbravou e definiu os limites do que é e do que pode ser um bom jogo de corrida — daqueles em que um carro não faz uma curva fechada a mais de 300 quilômetros por hora sem nem cantar pneu, bem entendido.

Entretanto, pode-se dizer que o próprio legado de GT vez ou outra lhe pesa nas costas, e isso não é muito diferente em Gran Turismo 6. Embora tenha abandonado a temerosa distinção entre carros “Standard” e “Premium”, ainda é perfeitamente possível distinguir — pela resolução e pelas arestas por aparar — os novos modelos daquelas velhas relíquias que vêm sendo arrastadas desde Gran Turismo 3.

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Entretanto, é também nesse fio de navalha que GT 6 mostra sua vocação para botar as coisas para andar. Os novos veículos com mecânicas, interiores e exteriores criados pela Polyphony são absolutamente incríveis — tanto em seus belíssimos visuais quanto no incomparável “feeling” que transmitem quando sobrevoam o asfalto.

Mas é possível colocar ainda mais... Muito mais peso no lado positivo da balança. Por exemplo, GT 6 inclui uma enorme quantidade de pistas, todas devidamente retratadas — mais as ótimas criações da própria desenvolvedora. Ademais, embora a superioridade gráfica em relação ao seu antecessor seja questionável, toda a interface do game foi remodelada, mostrando-se agora muito mais intuitiva e funcional.

Gran Turismo 6 pode facilmente ser considerado o jogo de corrida mais completo da atual geração. Na verdade, mesmo em um confronto com o excelente Forza Motorsport 5 (do Xbox One), ainda é possível atestar a superioridade da série em relação à variedade de desafios, pistas e carros.

Embora GT ainda pene com uma herança difícil de se deixar para trás — sobretudo na forma de carros com baixa resolução e de um sistema de colisão no mínimo precário —, a sexta edição consegue compensar perfeitamente suas falhas com desafios estimulantes e incrivelmente variados.

E vale um destaque para os novos carros modelados pela Polyphony. Tanto seus interiores quanto o “feeling” característico de cada um nas pistas encontra-se aqui perfeitamente representado, em seus mínimos detalhes — extraindo o possível e o quase impossível do hardware relativamente obsoleto do PlayStation 3. Enfim, é Gran Turismo em sua melhor forma.