Imagem de Gods Eater Burst
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Gods Eater Burst

Nota do Voxel
63

Mais do mesmo

Ainda que no Brasil ela não possua a mesma representatividade, a série Monster Hunter é um dos maiores fenômenos atuais no mundo dos games. Para ter uma ideia, o lançamento de um novo jogo é quase como um feriado no Japão, conseguindo ser mais esperado que o de muitas séries exclusivas do PlayStation 3 e Xbox 360.

A fórmula de sucesso desenvolvida pela Capcom é simples. O jogador cria um personagem com equipamentos medianos, mas úteis o suficiente para iniciar uma caçada a monstros que liberam itens necessários para aprimorar suas armas. Com isso, você fica mais forte e consegue enfrentar criaturas que liberam novos objetos, criando um ciclo infinito (e viciante) baseado na vontade de o usuário ser forte.

Essa fama, é claro, não passaria despercebida diante dos olhos das demais produtoras. Com o êxito obtido em Monster Hunter, vários estúdios desenvolveram seus próprios jogos a partir da premissa original. Com uma ou outra variação, a estrutura básica é sempre a mesma.

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A Namco Bandai foi uma delas. No entanto, ela se preocupou muito mais em oferecer uma experiência diferenciada do que simplesmente remontar o game da Capcom. Ainda que muita gente considere Gods Eater Burst uma cópia oportunista, ele traz vários elementos que tentam corrigir algumas das falhas do rival, além de criar recursos inéditos.

Por outro lado, é impossível não fazer comparações entre os dois jogos. Como há várias similaridades, o jogador que conhece as duas franquias certamente irá se posicionar positiva ou negativamente diante das novidades, assim como perceber aquilo que foi claramente reaproveitado.

O reino do amanhã

A principal adição da Namco a Gods Eater Burst é a construção de uma história que justifica toda a jogabilidade. Se a caçada em Monster Hunter acontecia porque era uma espécie de tradição tribal, aqui a situação é um pouco mais complexa.

No final do século XXI, o mundo como conhecemos foi praticamente dizimado com o surgimento de criaturas chamadas Aragami. Com diferentes formas e habilidades, esses monstros se transformaram nos maiores inimigos da raça humana. Por conta dessa nova ameaça, a população teve de se reorganizar e passou a viver dentro de pequenas fortalezas com uma tecnologia que impede a entrada de inimigos.

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É nesse contexto que conhecemos a Fenrir, uma espécie de corporação especialista na eliminação de Aragamis. Para isso, ela utiliza os chamados God Eater, caçadores equipados com armas gigantescas feitas a partir das células desses seres. Com isso, a instituição realiza várias operações em cidades abandonadas na tentativa de salvar o planeta.

Gods Eater Burst era um jogo que tinha muito potencial. Por mais que fosse uma variação da fórmula de Monster Hunter, o game dava brechas para criar um mundo tão rico quanto o criado pela Capcom e uma jogabilidade igualmente divertida. No entanto, a prática nos mostra que somente adicionar alguns elementos a mais não é o suficiente para sustentar um título.

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O enredo é realmente muito bom. Mesmo com o início morno e pouco empolgante, aqueles que forem mais persistentes vão perceber que existem vários elementos interessantes na história. O problema é que a Namco não conseguiu apresentar essa narrativa de forma convincente e a transformou em uma simples entrada para as missões.

A grande sensação que temos é que o título tinha ainda muito a oferecer, mas a falta de cuidado da desenvolvedora prejudicou seriamente o resultado final. A pouca variedade de cenários e monstros apenas acentua a enorme repetição existente. É como se estivesse faltando algo e a solução encontrada fosse preencher com mais do mesmo.