Imagem de Fire Emblem Warriors: Three Hopes
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Fire Emblem Warriors: Three Hopes

Nota do Voxel
80

Fire Emblem Warriors: Three Hopes é um spin-off necessário

O gênero musou está longe de ser unanimidade entre os fãs de jogos de ação, mas tem ganhado cada vez destaque por adaptar as franquias mais populares do Japão à fórmula de varrer centenas de inimigos com um único golpe. Dragon Quest, One Piece, Persona, Zelda e até Berserk são algumas das grandes séries que receberam ótimas adaptações no formato de Dynasty Warriors, o game que deu início à bagunça toda no primeiro PlayStation, em 1997.

Todos os crossovers bem-sucedidos baseados nas franquias que mencionei têm algo em comum: eles conseguiram preservar as principais características das obras originais. Em Hyrule Warriors: Age of Calamity, por exemplo, um dos títulos mais populares do estúdio Omega Force, podemos aniquilar hordas de Bokoblins e Lizalfos com as habilidades que Link utiliza para resolver puzzles e desbravar shrines em Breath of the Wild, nas mesmas regiões da Hyrule de “Bafo Selvagem”.

Fonte:  Voxel 

Fire Emblem Warriors: Three Hopes, por sua vez, herda a bagagem de Fire Emblem: Three Houses, o RPG tático lançado para o Nintendo Switch em 2019, e funciona como um competente spin-off. Three Hopes também aprimora muitos dos elementos de Fire Emblem Warriors, de 2017, oferecendo uma aventura ainda mais focada em estratégia e narrativa. Confira a nossa análise:

Volta às aulas

A desenvolvedora Omega Force arrumou um bom pretexto para nos fazer retornar às aulas (ou quase isso) no monastério de Garreg Mach, palco das atividades escolares de Three Houses. Em Three Hopes, assumimos o papel do inédito personagem Shez, um habilidoso mercenário cujo destino se cruza com o dos alunos da academia.

Por ser um exímio guerreiro, Shez recebe um convite para integrar Garreg Mach, podendo escolher entre as três casas disponíveis: Black Eagles, Blue Lions e Golden Deer — e não, não há Ashen Wolves do DLC Cindered Shadows. A escolha que você faz, naturalmente, tem impacto direto no gameplay, uma vez que você estará limitado a controlar e aprimorar os estudantes da casa escolhida, tal como em Fire Emblem: Three Houses.

Fonte:  Voxel 

Optei por me juntar ao grupo de Edelgard, a princesa do trono do império Adrestiano, mas não vejo a hora de começar a campanha nas demais casas, com outros personagens jogáveis, para conhecer novas linhas de diálogo e desdobramentos da história, sob perspectivas distintas. O fato de poder seguir três caminhos com finais diferentes nos estimula a jogar tudo de novo, assegurando ao título um fator replay que não se vê todo dia no gênero musou.

Como sempre faço em outras análises, vou me limitar a dar detalhes sobre o enredo para não atrapalhar a experiência de quem está jogando ou pretende jogar. O que você precisa saber é que há um salto temporal na trama, que faz com que alguns amigos de longa data da escola se transformem em inimigos, deixando tudo mais intrigante.

Embora a história seja um dos pontos altos de Three Hopes, você não conseguirá desfrutá-la se não estiver com o inglês em dia, já que não há textos em português. Outro ponto a ser ressaltado é que o game está abarrotado de conversas de apoio, o que favorece um progresso cadenciado e que pode não agradar ao entusiasta de musou que só quer cair na porrada.

Fonte:  Voxel 

Se você deseja minimizar as interrupções durante a jogatina, saiba que há uma opção, “Quick and Efficient”, que desabilita janelas de progressão e certos resumos de missões, mantendo apenas os tutoriais essenciais. É claro que isso não resolve o ritmo vagaroso entre um combate e outro, mas ao menos você se poupa de rever lembretes sobre coisas que já sabe executar.

Muitas atividades extracurriculares

Há mais semelhanças entre Three Hopes e Three Houses do que parece à primeira vista. Ainda que a jornada não se desenrole dentro do monastério, Shez é capaz de interagir com os personagens de sua equipe em um acampamento, local em que é possível passar um tempo com os heróis, seja treinando, cozinhando, participando de atividades voluntárias ou apenas batendo papo.

É nesse acampamento que você pode evoluir o nível do pessoal, aprimorar e criar equipamentos, melhorar e gerenciar as instalações, contratar membros para o exército e até elaborar estratégias complexas ao combinar quatro combatentes específicos, que é o limite de bonecos que se permite controlar. Shez também pode ter encontros com certos aliados nas expedições, nos moldes da hora do chá de Three Houses, de modo a conhecê-los melhor e, assim, estreitar seus relacionamentos.

Fonte:  Voxel 

Apesar de a pancadaria rolar solta na hora do vamos ver, o game tem seus momentos de simulador de encontros e visual novel, com conversas que demonstram que os hormônios da meninada estão mesmo à flor da pele. Dar presentes e cumprir tarefas em conjunto, por exemplo, elevam a moral e o vínculo com a turma, o que também traz benefícios às batalhas.

Volto a dizer que Fire Emblem Warriors: Three Hopes é o musou mais lento e cheio de diálogos que você vai topar por aí, o que é um grande atrativo ao fã da franquia, mas pode desagradar a quem só quer ter o gostinho de surrar centenas de inimigos num único combo. Sim: é um Fire Emblem denso e com a complexidade que se espera de um título que carrega esse nome. Não se engane!

Se você pretende dominar todos os sistemas que o jogo tem a oferecer, prepare-se para explorar (e revisitar de tempos em tempos) as inúmeras listas de tutoriais e suas subcategorias. No entanto, como a dificuldade normal é bem acessível, dá simplesmente para ignorar muitos dos recursos, tendo somente que equipar armas mais fortes e evoluir o nível dos heróis por meio dos menus de treinamento.

Fonte:  Voxel 

Híbrido de ação e estratégia

Como manda a cartilha do gênero, o combate baseado em combos e esquivas é simples e reserva momentos gratificantes. Pode não parecer grande coisa dizer isso num texto de review, mas descer o sarrafo em trocentos bonecos incapazes de reagir aos seus ataques é algo incrivelmente divertido. Existem inimigos mais fortes, é claro, blindados com escudos que demandam golpes e desvios precisos para serem quebrados, mas são poucos os que realmente vão dar trabalho na dificuldade normal.

Na verdade, o grande diferencial é saber usar as vantagens dos personagens e equipamentos a seu favor. Além de certas classes serem vulneráveis a outras, as armas cumprem um papel fundamental na hora de definir qual companheiro deve invadir determinado território. Heróis que carregam espadas, por exemplo, sempre se garantem contra inimigos de machado e por aí vai.

O jogo continua valorizando o sistema de classes, permitindo que o jogador troque a especialidade de uma unidade quando não estiver satisfeito. De monge para sacerdote ou mago, de espadachim para mercenário ou ladrão, você tem total liberdade para moldar seus parceiros em dezenas de classes, das iniciantes às avançadas, trazendo grande variedade ao gameplay.

Fonte:  Voxel 

Não se preocupe tanto em memorizar fraquezas, pois o jogo sinaliza de maneira clara quando um aliado não é efetivo contra o inimigo: a seta vermelha sempre representa uma desvantagem. Saber colocar peças-chave para enfrentar os oponentes certos é um dos requisitos para se dar bem.

A sacada de Three Hopes é conseguir dosar o aspecto descerebrado do musou com os elementos mais complexos e estratégicos que conhecemos da série Fire Emblem. Num mesmo estágio, você coordena o posicionamento e as ações de cada personagem, não apenas dos que são jogáveis, enquanto esmaga botões para manter os combos na casa dos quatro, cinco dígitos.

E ó: há conteúdo de sobra, hein? Como já comentei, você pode rejogar a campanha em outra casa para conhecer finais alternativos, além de repetir — leia-se “grindar” — missões para obter rankings maiores e, consequentemente, desbloquear novos pontos de coleta de recursos, os “Survey Spots”. Ademais, há tarefas secundárias em cada área do mapa, úteis para conquistar materiais valiosos a serem usados nos upgrades.

Fonte:  Voxel 

A depender do nível de dificuldade escolhido, a campanha pode durar cerca de 30 horas. Estimo que, aos que almejam desbloquear todos os personagens e elevar ao máximo os vínculos do protagonista, sejam necessárias 50 a 60 horas. O modo clássico, tradicional da série em que a morte dos aliados é permanente, está presente para apimentar a experiência e elevar ainda mais o tempo de jogo.

Não posso deixar de mencionar que, a partir da quarta missão, você pode optar por se aventurar e cumprir objetivos em tela dividida ao lado de um amigo, ainda que nem todas as missões estejam disponíveis nesse modo. Trata-se de uma opção interessante para sair um pouco da mesmice do gênero e explorar o caráter cooperativo do Nintendo Switch.

Sempre tem um “mas”

Gostaria de poder dizer que Three Hopes está à altura da qualidade visual de um Hyrule Warriors: Age of Calamity, mas ele passa longe disso. Texturas de baixa resolução, cenários de fantasia medieval pouco inspirados e detalhes que destoam dos caprichados modelos de anime são apenas algumas das ressalvas técnicas que vez ou outra ofuscam a diversão. O decepcionante mesmo é que ele não evoluiu quase nada de Three Houses nesse sentido.

Fonte:  Voxel 

Contudo, tão importante quanto o gráfico é o desempenho. A boa notícia é que Three Hopes não apresenta quedas bruscas de performance e se mantém estável na maior parte do tempo, tanto no modo portátil quanto no dock. Entusiastas de musou sabem bem o que é jogar algo que roda terrivelmente mal, então seria injusto reclamar aqui.

Veredito

Fire Emblem Warriors: Three Hopes conserva os pilares que ergueram Three Houses, sem tirar nem pôr, o que inclui, naturalmente, qualidades e defeitos. Com uma excelente história amarrada no game de 2019 e a profundidade que se espera nos sistemas de desenvolvimento de personagens, Three Hopes é um spin-off que se faz essencial aos fãs do RPG de estratégia, mesmo que o combate aposte na boa e velha fórmula do hack and slash.

Com ramificações na história, Fire Emblem Warriors: Three Hopes é um competente híbrido de ação e estratégia, mesmo com ritmo moroso

Como musou, porém, o game pode não agradar a todos em razão do ritmo moroso e das “atividades extracurriculares” a serem cumpridas fora do campo de batalha — a meu ver exageradas, presentes só para fazer volume. O foco, portanto, nem sempre é na pancadaria como muitos adeptos do estilo gostariam que fosse.

Fire Emblem Warriors: Three Hopes foi gentilmente cedido pela Nintendo para a realização desta análise

Pontos Positivos
  • História excelente, com diferentes caminhos a serem seguidos;
  • Combate competente e variado em virtude das classes;
  • Sistemas profundos de desenvolvimento de personagens;
  • Absorve com maestria muitos dos elementos estratégicos da franquia principal;
  • Já é um dos jogos musou com mais conteúdo.
Pontos Negativos
  • O ritmo e a quantidade de recursos no acampamento dão preguiça e podem ser empecilhos a quem só quer sentar a porrada;
  • Apresentação fraca, não evoluiu praticamente nada de Three Houses.