Imagem de Final Fantasy Pixel Remaster
Imagem de Final Fantasy Pixel Remaster

Final Fantasy Pixel Remaster

Nota do Voxel
86

Final Fantasy Pixel Remaster resgata a magia dos jogos originais!

É sempre engraçado lembrar que quando o primeiro Final Fantasy foi lançado em 1987 pela Square, ele tinha tudo para ser o último projeto da empresa, que corria o sério risco de falir. E agora cá estamos nós, dezenas de anos e games depois, celebrando mais um relançamento desse clássico absoluto do Nintendinho, desta vez na forma de Final Fantasy Pixel Remaster!

Revelada de surpresa na apresentação da Square Enix durante a E3 2021, a coleção Pixel Remaster acabou polarizando um pouco o seu público-alvo. Em parte porque, ao menos inicialmente, ela só estaria disponível para PC e mobile, ignorando os consoles, mas também porque a sua escolha de fonte de texto não foi das mais felizes, e o preço cobrado também parecia um tanto salgado para jogos tão antigos.

Botando todas essas polêmicas em suas devidas proporções, é evidente que os acertos das remasterizações superam com folga os seus pontos fracos, mas dissecaremos tudo isso com calma na nossa análise completa. Apesar de também existirem versões para Android e iOS, o nosso teste foi feito totalmente no PC, com cópias cedidas gentilmente pela produtora. Confira o review a seguir!

Origens repaginadas

Final Fantasy Pixel Remaster incluirá novas edições dos seis primeiros capítulos principais numerados da série. Inicialmente, a Square Enix lançou apenas os jogos I a III na Steam de uma vez, com os títulos IV a VI chegando em algum momento ainda incerto de 2021. Pelo que pudemos ver nessa primeira leva de lançamentos, o mesmo capricho foi aplicado a todos os jogos.

Como o próprio nome da coleção indica, os pixels dos personagens e gráficos 2D foram todos redesenhados tendo como meta preservar com fidelidade a essência da obra da designer Kazuko Shibuya, que ainda colabora com a Square Enix e voltou para repetir o seu trabalho por aqui. Com isso, os games originais de Nintendo e SNES agora mais parecem com algo saído diretamente do começo da geração 32 bits, contando ainda com modernas e bem-vindas melhorias de qualidade de vida.

É bem interessante ver a hexalogia original toda organizada, padronizada, e aproveitando as mesmas melhorias e interfaces, especialmente porque a Square Enix conseguiu preservar muito bem a identidade original das aventuras no processo. Então tudo parece parte do mesmo pacote e igualmente moderno, mas sem perder de vista o fato de que se tratam de jornadas autocontidas e donas de atmosferas e tons únicos.

Na linha Pixel Remaster, todos os jogos incluem extras como uma extensa galeria com dezenas de artes originais saídas diretamente da mesa do ilustrador Yoshitaka Amano, um tocador de música para curtir as suas faixas favoritas quando quiser, e a possibilidade de salvar o seu progresso a qualquer momento.

Outra adição muito legal foi o bestiário. Por lá você pode conferir os modelos de todos os inimigos, que vão sendo liberados conforme você os encontra durante a campanha. Um mapa-múndi ainda aponta exatamente em quais áreas você pode lutar com eles, o que dá até um certo ar de Pokédex a esse charmoso extra, garantindo mais fator replay e fazendo a alegria dos complecionistas de plantão.

Pura magia sonora

Entre tudo que Final Fantasy Pixel Remaster entrega tanto para os fãs das antigas como para os novos jogadores, nada é mais digno de elogios do que a sua soberba trilha sonora. O trabalho original do mestre Nobuo Uematsu já tinha marcado época com o limitado chip sonoro do NES, e ninguém reclamaria se o material clássico simplesmente fosse reutilizado sem maiores alterações.

Os campos de Cornelia no jogo original de NES (esquerda) e na nova versão de PC (direita)Os campos de Cornelia no jogo original de NES (esquerda) e na nova versão de PC (direita).Fonte:  YouTube 

Contudo, o próprio Uematsu voltou ao batente como supervisor da trilha sonora dos Pixel Remaster com a meta de tanto honrar a tradição como evoluir o material, tudo de forma que as mesmas emoções sejam sentidas pelos jogadores de qualquer era, mas agora com muito mais complexidade, faixas de som e instrumentos em ação. O trabalho ficou maravilhoso e digno de embalar as playlists de qualquer entusiasta de JRPGs que se preze!

Para os fãs brasileiros, é uma grande alegria notar que os jogos foram traduzidos para o nosso português com muito capricho. A localização é bem fiel aos textos originais e se aplica a cada menu, interação e diálogo das aventuras, permitindo que muito mais gente consiga curtir plenamente a história e democratizando o acesso a algumas das narrativas mais épicas dos video games.

Os piratas de Pravoka no remake do PSP (esquerda) e no Pixel Remaster de PC (direita)Os piratas de Pravoka no remake do PSP (esquerda) e no Pixel Remaster de PC (direita).Fonte:  youTube 

Mas e os jogos em si?

É um tanto complicado avaliar obras lançadas mais de três décadas atrás, já que a sua diversão com elas vai inevitavelmente girar ao redor de fatores muito subjetivos, como o quanto você consegue aturar ou apreciar designs naturalmente datados. Os três primeiros jogos de Final Fantasy ainda estava criando as bases da fórmula clássica que só alcançaria a perfeição no aclamado Final Fantasy VI, então é preciso ter sempre isso em mente.

Tratam-se de games bem punitivos, ainda que a nova funcionalidade de gravar o progresso em qualquer ponto facilite bastante as quests. Em vários momentos você será obrigado a fazer grinding lutando contra os mesmos inimigos de novo e de novo, e até mesmo backtracking em grandes dungeons. Até o processo de usar e aprimorar magias é muito mais lento do que se vê hoje em dia!

Para aproveitar plenamente estes jogos você precisa ou conseguir se transportar muito bem para a década de 1980 mentalmente, e então desbravar o mundo de Final Fantasy como um legítimo jogador da época, ou então usar as lentes de um historiador e ver o produto como uma chance de estudar o passado e entender onde e como surgiram vários elementos característicos da franquia e dos JRPGs como um todo.

Seja como for, só não espere que a adição de batalhas automáticas, áudio retrabalhado e visuais em HD bastem para modernizar totalmente esses títulos. Se isso for um problema para você, não será essa coleção que mudará a sua opinião sobre a franquia e o gênero. Quanto aos outros pequenos problemas, ao menos a questão da fonte é bem fácil de ser solucionada por qualquer um no PC.

A luta contra o icônico chefão Astos no PS1 (esquerda) e no PC (direita)A luta contra o icônico chefão Astos no PS1 (esquerda) e no PC (direita).Fonte:  YouTube 

Vale a pena?

Final Fantasy Pixel Remaster é uma excelente opção para quem nunca jogou os seis primeiros capítulos da série ou está com vontade de revisitá-los em HD devidamente localizados em português. A direção de arte fez um bom trabalho ao preservar a estética e atmosfera das aventuras originais, mas foi no departamento de som que a Square Enix realmente brilhou, já que a supervisão de Nobuo Uematsu tornou as músicas ainda mais empolgantes! Embora o preço um tanto elevado e a escolha perturbadora de fonte de texto manchem um pouco o potencial da coleção, essa é a melhor forma de curtir a hexalogia original atualmente.

“Final Fantasy Pixel Remaster é uma excelente oportunidade para conhecer as origens da série”

Pontos Positivos
  • Músicas soberbas bem retrabalhadas por Nobuo Uematsu
  • Extras interessantes como galeria de artes, som e bestiário
  • Localização completa em português do Brasil
  • Aprimoramentos na UI e de qualidade de vida
  • Remasterização manteve a essência dos pixels originais
Pontos Negativos
  • Preço um pouco elevado para jogos tão antigos
  • Escolha de fonte para textos bem questionável
  • O design pode ser bem datado para novatos