Imagem de Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker's Memory
Imagem de Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker's Memory

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker's Memory

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory peca em uma sequência fraca

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Logo ao começar Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory, me deparei com o logo de 20 anos da franquia. Só pode vir coisa promissora pela frente, não? Infelizmente, esse hype inicial foi rapidamente frustrado por uma sequência que nem deveria ser uma para começo de conversa. É, meus amigos: não está fácil ser fã de Digimon hoje em dia.

O primeiro jogo da série Story cativou os fãs, mesmo com seus defeitos, ao trazer uma narrativa bacana e um sistema razoavelmente bom, suficiente para agradar as viúvas da franquia. Entretanto, Cyber Sleuth Hacker’s Memory se apoia no repeteco, em conteúdo pronto e pouquíssima variedade. Mas vamos dissecar o game para entender melhor o que acontece.

Vale a pena ver de novo?

Remasters, remakes e coisas do gênero estão em alta. Nostalgia é algo bom e forte, fácil de cativar o público. Por conta disso, jogar novamente alguns títulos é quase sempre bom. Quase. Eis o que acontece: Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory não é um remaster, mas se parece com um. Por que?

O jogo é, basicamente, o mesmo Cyber Sleuth de 2016. Obviamente, a história muda e há pequenas novidades, mas o game comete um pecado capital em manter exatamente a mesma estrutura. E não estamos falando em manter a essência, como um Pokémon ou os Assassin’s Creeds antigos faziam. Esta obra é exatamente (exatamente mesmo) igual em muitos aspectos: cenários, menus, combate, personagens e muito mais. Nós apenas revisitamos os acontecimentos do primeiro título com uma outra perspectiva.

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Pode esperar pelo mesmo DigiLab, que você usa para evoluir e gerenciar seus digimons, as mesmas áreas de Shijuku (como a galeria em que a agência de detetives do primeiro jogo se encontra), skills de hacking para progredir no mapa e por aí vai.

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory foi feito para ser um “outro lado da história” do primeiro game, mas acaba se tornando mais um grande DLC, mais caro e menos interessante. No fim, as diferenças ficam em pequenas adições, como a batalha territorial de hackers que ocorrem de vez em quando (e nem são tão legais), a trama e a adição de 100 novos digimons. No restante, o game se parece demais com o primeiro e acaba se tornando um grande repeteco.

Galeria 1

Narrativa pouco cativante, mas com lapsos de genialidade

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory se diferencia de seu predecessor principalmente no enredo. O resumo é simples: assumimos o papel de Keisuke, um colegial que teve a sua conta do EDEN, mundo virtual do game, hackeada e roubada, e o personagem tenta resolver as coisas com as próprias mãos. Sem sucesso, ele se depara com um grupo de hackers que aparentemente fazem o bem, o que dá início à narrativa.

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A ideia é bacana e mesmo que seja feita para interpolar os eventos do primeiro jogo, até que funciona bem por conta própria. O problema é que as seções mais interessantes da trama são diluídas em um enredo muito arrastado e que demora bastante para engrenar. Parece que nos momentos que tudo fica interessante, somos obrigados a parar e fazer missões secundárias e o ritmo cai abruptamente.

Com exceção desses problemas, a narrativa tem seus momentos de genialidade. Similar ao primeiro título, assuntos bem interessantes são abordados, passando de discussões filosóficas a questionamento sobre o que é certo e errado. As ideias são muito boas, mas é uma pena que ficam perdidas em um mar de diálogos bobos e que pouco acrescentam à experiência.

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Um jogo novo, mas com os mesmos erros

Ok, repetição nem sempre é ruim. Quando ela é boa, até torcemos o nariz quando a estrutura é muito similar ao que já existia (apesar de, neste caso, ser idêntica). O problema é que além de repetir exatamente o que já havia no jogo anterior, a equipe não se deu ao trabalho de aprimorar os pontos fortes e corrigir os erros anteriores.

Mais uma vez, não é o caso. Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory segue uma estrutura bem rasa de JRPGs, que já falaremos em breve. Basicamente, a progressão é uma confusão só: não há indicadores de objetivos e às vezes a missão nem sequer é descrita nos diálogos de conversar.

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Por falar nos diálogos, eles são bem monótonos e acabam enchendo linguiça em grande parte do tempo. Pelo menos eles contam com atuação de voz, apesar de não ser em todos os casos. O problema maior é que, na maioria das vezes, as conversas não adicionam nada à aventura, seja de informações da trama ou de desenvolvimento de personagens.

Esse excesso de diálogos combinado com uma progressão confusa e desordenada criam uma experiência truncada: você passará quase 30 minutos conversando com personagens sobre assuntos que nem sempre adicionam ao enredo para depois tentar descobrir para onde deve ir. Isso até parece minha infância nos anos 90, quando não entendia inglês e tinha que adivinhar os meus objetivos. A diferença aqui é que agora eu entendo e mesmo assim fico perdido.

Em um primeiro momento, pensei ser desatenção minha. Mas não era. De fato, muitas vezes os objetivos são passados através de frases pequenas durante as conversas ou não são informados mesmo. Busquei na internet e vi que há pessoas com os mesmos problemas. Às vezes, sua missão é encontrar uma pessoa, mas para isso precisa conversar com um Digimon em algum lugar do EDEN, mas isso nunca é descrito.

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A progressão da campanha também é bagunçada. Em suma, devemos dividir o avanço em missões da história, que são ativadas automaticamente, e “missões secundárias” que, na verdade, não são tão secundárias, já que a trama só progride quando você termina todas as disponíveis no momento, o que acaba se tornando um grande balde de água fria quando a narrativa finalmente engata.

Há muitos outros pormenores que incomodam, como a falta de viagem rápida em dungeons, pouquíssimos tutoriais (você terá que ver na internet como aumentar o CAM ou Velocidade do seu Digimon), movimentação travada, gráficos bem simples, animações bobas e por aí vai. Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory poderia ser uma bomba completa, mas o combate, mesmo que repetido, ainda é cativante.

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Um combate bom que salva a experiência

A melhor parte de Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory é o Sistema de combate. Ele é impecavelmente igual ao game anterior, com seus pontos fortes e fracos intactos, mas isso não é necessariamente ruim. Diferente de Digimon World, essa série utiliza combate de turnos similar ao que vemos em JRPG clássicos.

A grande diversão aqui é batalhar contra diversos Digimons, coletar dados de campo e criar Digimons a partir desse recurso. Conforme ganhamos experiência com a equipe atual, podemos digievoluir as criaturas para uma grande árvore de opções. Pode parecer besta, mas é o típico caso de fórmula viciante. Quando você menos ver, estará pesquisando as evoluções de cada bicho para alcançar o resultado desejado.

Galeria 2

O combate, apesar de ser simples e bem fácil (com exceção de alguns chefes, você raramente terá algum tipo de problema), é viciante e bem gostoso de consumir, principalmente para os fãs de ataques por turnos. Não é nada revolucionário, mas é bem executado.

Vale a pena?

Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory não é um jogo péssimo, mas também passa um pouco longe de ser bom. Ele poderia estar na faixa de títulos medianos voltados para fãs, mas infelizmente ele mal se parece uma sequência e ainda deixa a desejar em alguns aspectos se comparado ao seu antecessor.

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Se você gostou muito (mas muito mesmo) do game anterior, acompanhar os eventos dessa narrativa que se entrelaça com os arcos da aventura original pode ser interessante. O jogo é sim focado para fãs da franquia, mas mesmo assim deixa a desejar. Caso você tenha passado bastante tempo se aventurando por EDEN e Digi World no primeiro Digimon Story e já está cansado disso, este título pode ser cansativo. Caso seja a sua primeira vez, a adição de mais criaturas torna a experiência mais completa de certa forma.

No fim, Digimon Story: Cyber Sleuth Hacker’s Memory poderia ser muito mais. O primeiro game não era excelente, mas teve sua dose de diversão. Se tudo que precisasse ser melhorado fosse aprimorado aqui, teríamos um game bem mais divertido, algo que, infelizmente, não acontece.

*Este jogo foi gentilmente cedido pela Bandai Namco para a realização dessa análise.

Pontos Positivos
  • Há 100 novos digimons durante a aventura
  • Há algumas pequenas novidades, como a batalha de hackers
  • A trama é interessante em alguns momentos, levantando até mesmo discussões filosóficas
  • O combate continua simples, mas tem uma fórmula e progressão bem viciante
Pontos Negativos
  • É praticamente o mesmo jogo de 2016
  • Combate extremamente fácil, apesar de divertido
  • Muito tempo gasto com diálogos que não levam a lugar algum
  • Falta indicadores de objetivos e é fácil se perder
  • O ritmo de progressão da campanha é muito ruim e frequentemente cai em monotonia
  • Gráficos bem fracos