Imagem de Dandy Ace
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Dandy Ace

Nota do Voxel
78

Dandy Ace traz um pouco de magia ao gênero roguelike

Aos poucos o Mad Mimic vai se consagrando como um dos principais estúdios brasileiros independentes em atividade. Depois de brilhar com No Heroes Here e Mônica e a Guarda dos Coelhos, o time foi valente e se aventurou no gênero roguelike com uma propriedade intelectual totalmente inédita: Dandy Ace.

Uma jornada mágica

Dizem que um mágico nunca deve revelar como seus truques são feitos, mas no caso da desenvolvedora Mad Mimic vale a pena relembrar como seu mais recente projeto se tornou realidade. Após tentar dar vida ao jogo através de uma fracassada campanha no Kickstarter, ele foi salvo pela NEOWIZ, que acreditou em suas boas ideias.

Dandy Ace foi feito por uma equipe de apenas 12 pessoas, mas não deixa nada a desejar em relação aos demais roguelikes no mercadoDandy Ace foi feito por uma equipe de apenas 12 pessoas, mas não deixa nada a desejar em relação aos demais roguelikes no mercado.Fonte:  Mad Mimic 

Assim, a produtora ajudou o time de apenas 12 integrantes a dar forma a Dandy Ace e, depois de muito trabalho e uma demo bem promissora, em março de 2021 o jogo chegou ao Steam em sua versão final e foi muito bem-recebido pelos jogadores. E com bons motivos, já que se trata de um indie muito divertido.

A trama começa quando o famoso mágico Dandy Ace, o protagonista que dá nome ao jogo, se vê vítima de um espelho amaldiçoado que o prende junto a suas assistentes no Palácio que Sempre Muda. O plano foi arquitetado por seu rival invejoso Lele, um ilusionista que nunca conseguiu alcançar o mesmo nível de fama que Ace e por isso desconta suas frustrações no herói.

No fim das contas, esse fiapo de narrativa só serve de pretexto para arremessar o jogador no mundo desse roguelike onde as interações entre os personagens, seus hilários diálogos e as participações especiais de diversos youtubers e influencers nacionais são o ponto alto. Vale a pena jogar com tudo em português, pois poucas vezes se encontrará um jogo tão engraçado e espirituoso.

O jogo conta com diversos influencers e streamers conhecidos, de BRKsEDU a Gabi CattuzzoO jogo conta com diversos influencers e streamers conhecidos, de BRKsEDU a Gabi Cattuzzo.Fonte:  Mad Mimic 

Entre as figurinhas mais conhecidas pelo público, prepare-se para ouvir a voz de talentos como Kalera (Scisorella), Gabi Cattuzzo (Jolly Jolly), Maethe Lima (Jenny Jenny), Patife (Nnif), BRKsEDU (Severino e Axolangelo), LJoga (Dandy Ace) e VinieMattos (Lele) — um prato cheio para quem acompanha o cenário brasileiro de streamers.

O ás na manga

Assim que o gameplay começa para valer, conta-se apenas com três cartas básicas baseadas em cores: uma amarela, que é a magia de controle; uma rosa, com magia básica de ataque; e uma azul, de movimento, sendo possível equipar até quatro de cada cor por vez.

Conforme o jogador progride e derrota os inimigos, mais itens vão sendo habilitados para facilitar a  navegação, bastando abrir os baús ou comprar mais cartas no salão para ampliar o arsenal, que em pouco tempo revela sua incrível profundidade e diversidade.

Há três cores de cartas com atributos únicos, e elas podem ser alvo de até 2500 combinações diferentesHá três cores de cartas com atributos únicos e que podem ser alvo de até 2,5 mil combinações.Fonte:  Mad Mimic 

Ao todo, há 20 cartas rosas, 20 amarelas e 10 azuis para coletar, e a graça é experimentar bastante e fazer combinações no deck a fim de montar combos letais, já que toda habilidade pode ser fortalecida ao utilizar um combo com cartas secundárias. Só nisso já se somam mais de 2,5 mil combinações de poderes, o que pode intimidar um pouco a princípio.

Vale apontar que a curva de aprendizado do jogo é bem íngreme e, com isso, jogadores inexperientes em roguelikes e em aventuras focadas em cartas podem penar um pouco ao longo das primeiras horas de gameplay, mas não se deixe intimidar pela grande quantidade de texto e variáveis.

A melhor coisa que se pode fazer de cara é gastar alguns minutos lendo detalhadamente as descrições das cartas, pois só assim é possível conseguir tirar proveito das melhores combinações entre elas. Também vale a pena explorar as diferentes opções de progressão do game, já que ele tem rotas ramificadas com diferentes inimigos e chefões espalhados pelo caminho.

Para conseguir passar das fases é preciso dominar os combos e buffs de efeitos das cartasPara conseguir passar das fases, é preciso dominar os combos e buffs de efeitos das cartas.Fonte:  Mad Mimic 

Como manda a tradição dos roguelikes, também é possível ter acesso a aprimoramentos permanentes que facilitam as próximas runs. Ou seja, é praticamente impossível terminar o jogo de primeira, e a graça é justamente persistir até ter no inventário cartas em nível elevado e acessórios que revelam caminhos ou aumentam a cura, permitindo chegar "mais inteiro" aos níveis seguintes.

Um jogo curto, mas legal de revisitar

Provavelmente os jogadores mais experientes em roguelike vão conseguir percorrer todo o caminho em pouco mais de cinco ou seis tentativas, então é ótimo saber que Dandy Ace tem um endgame bem recompensador, aumentando exponencialmente o nível de dificuldade até níveis doentios.

Ao terminar a campanha de Dandy Ace, novos níveis de dificuldade são habilitadosAo terminar a campanha de Dandy Ace, novos níveis de dificuldade são habilitados.Fonte:  Mad Mimic 

São apenas 14 salas para desbravar ao todo, e a direção de arte faz um bom trabalho ao emular a sensação de estar nos bastidores de um show de mágica, com muitos tons de roxo adornando os cenários. Relevando o baixo custo de produção do jogo, é um indie perfeitamente agradável visualmente e bem levinho e fácil de rodar em máquinas menos potentes.

Só é uma pena que o mesmo capricho gráfico não tenha sido aplicado no departamento sonoro, já que o título carece de músicas mais marcantes e até mesmo de efeitos sonoros mais gratificantes durante os combates. Valia a pena ter investido em um compositor de ponta e em músicas mais empolgantes.

Veredito

Dandy Ace pode não ser o roguelike mais inovador ou criativo já feito, mas é muito legal ver um estúdio brasileiro se aventurando por uma franquia totalmente nova e deixando sua marca em um dos gêneros mais populares da atualidade. As milhares de combinações de cartas possíveis ajudam a manter o gameplay interessante, mas a campanha curta e a curva de dificuldade inacessível para iniciantes comprometem um pouco a diversão dessa carismática jornada.

Nota: 78

Dandy Ace é um roguelike divertido e viciante com um bom tempero de talentos brasileiros

Pontos positivos

  • Presença de vários influencers brasileiros na dublagem
  • Milhares de combinações de poderes possíveis
  • Senso de humor afiado e muito carisma no texto

Pontos negativos

  • Músicas genéricas ao máximo
  • Campanha curta
  • Curva de dificuldade íngreme para novatos

Dandy Ace foi gentilmente cedido pela Mad Mimic para a produção desta análise.

Pontos Positivos
  • Presença de vários influencers brasileiros na dublagem
  • Milhares de combinações de poderes possíveis
  • Senso de humor afiado e muito carisma no texto
Pontos Negativos
  • Músicas genéricas ao máximo
  • Campanha um tanto curta
  • Curva de dificuldade íngreme para novatos