Imagem de Assassin's Creed Chronicles: Russia
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Assassin's Creed Chronicles: Russia

Nota do Voxel
90

Chave de ouro à moda russa

Apenas um mês depois do lançamento de Assassin’s Creed Chronicles: India, a Ubisoft colocu no mercado em fevereiro o terceiro e último capítulo da série de spin-offs da franquia dos assassinos. Agora situado na Rússia, o jogo dá continuidade à trama iniciada em ACC: China e desenvolvida na sequência, amarrando a história de fundo que liga os três games.

Mantendo o esquema de plataforma com visão 2,5D, a desenvolvedora agora deu atenção a mais um dos personagens introduzidos como parte do universo expandido da franquia. No novo título, entramos no papel de Nikolai Orelov, um assassino russo que esteve diretamente envolvido em eventos marcantes da Revolução Russa e da ascensão do governo socialista bolchevique, entre o começo de 1917 e o final de 1918 – e que protagonizou as HQs Assassin’s Creed: A Queda e A Corrente.

Com o curto período entre o segundo e o terceiro títulos da série Chronicles, era de se esperar que o game não fugisse muito à mistura entre os elementos importados dos AC maiores e os traços típicos de jogos de plataforma. Ainda assim, ACC: Russia traz suas próprias alterações para a fórmula que deu as caras de China e India. Será que essas mudanças trouxeram um impacto positivo ou negativo para a novidade? Confira a resposta a seguir.

Cereja no bolo da trilogia

A história de Assassin’s Creed Chronicles: Russia se passa justamente entre os eventos vistos na primeira HQ em que o protagonista aparece, A Queda, e a segunda, A Corrente – por esse motivo, esteja avisado de que pode haver pequenos spoilers a seguir caso você não tenha lido os quadrinhos.

Desiludido com a vida de assassino, Nikolai Orelov decide abandonar sua irmandade e fugir do país. Antes disso, no entanto, o herói se vê forçado a encarar uma última missão para conseguir dinheiro suficiente para comprar documentos falsos para sua família. Enquanto os revolucionários caçam e matam os membros da família do Czar russo, Nikolai invade a mansão da realeza para tentar encontrar uma caixa criada pelos membros da primeira civilização – a mesma que passou pelas mãos de Shao Jun e Arbaaz Mir, os protagonistas dos jogos anteriores.

Durante a empreitada, o assassino acaba salvando a vida da princesa Anastasia e passa então a tentar protegê-la de seus perseguidores ao mesmo tempo em que busca manter a caixa longe das mãos dos templários. Nesse sentido, acompanhamos a trajetória de ambos os personagens, que sofrem transformações interessantes enquanto a trama de ACC: Russia se desenvolve de uma maneira consideravelmente mais interessante que seus antecessores.

Um mérito do novo jogo é conseguir, mesmo com sua curta duração, passar uma sensação de maior profundidade não apenas para Nikolai e Anastasia, mas para o enredo da trilogia e da franquia Assassin’s Creed como um todo. Depois das pouco mais de 5 horas necessárias para finalizar o game, as conexões feitas com seus antecessores diretos, a história do tempo presente e até com AC: Rogue fazem valer o tempo e o dinheiro gastos com os três AC Chronicles.

Não é para novatos

No que diz respeito à sua jogabilidade, ACC: Russia mantém o estilo de plataforma com visão na perspectiva 2,5D, o que possibilita a exploração em profundidade dos ambientes em certas partes dos cenários. Esse aspecto se faz tão marcante quanto no jogo situado na Índia, oferecendo opções suficientes para que você possa escolher sua própria forma de superar os desafios oferecidos pelo título.

Vale ressaltar, no entanto, que o novo título certamente não serve como uma boa porta de entrada para quem ainda não experimentou a trilogia AC Chronicles. Diferentemente de ACC: India e China, ACC: Russia tem uma curva de aprendizado bem mais acentuada, chegando até mesmo a descartar a inclusão de um tutorial do combate – que segue a mesma linha do jogo anterior, mas com uma dificuldade consideravelmente maior.

Ainda que o começo do game repasse os básicos da exploração dos cenários, isso também é feito de forma bastante pontual. Os obstáculos apresentados pelo game vão se tornando mais e mais complexos ao ponto de que, ao chegar nas últimas fases do título, torna-se necessário executar todos os seus movimentos com um nível de precisão que beira a perfeição.

Dessa forma, é preciso ter em mente que chegar ao final de Assassin’s Creed Chronicles: Russia é uma tarefa que vai exigir um grande número de tentativas, o que pode ser considerado extremamente frustrante para quem não tem muita perseverança ou não jogou os títulos anteriores. Por outro lado, quem já for veterano em ACC e tiver a paciência necessária certamente apreciará a sensação única de superar os desafios mais complexos.

Adições bem-vindas

Como seria de se esperar do Assassin’s Creed cujo período histórico é o mais próximo do tempo presente entre todos os já retratados pela franquia, as tecnologias vistas em ACC: Russia são bastante avançadas. No arsenal de Nikolai, as facas de arremesso, chakrans e bombas sonoras dão lugar a um rifle de longo alcance e a um tipo de lança-ganchos que serve para puxar objetos distantes e arremessar cargas elétricas contra alvos específicos.

Da mesma forma, os inimigos do jogo também contam com um aparato mais avançado, com armas de fogo capazes de causar grandes danos e efetuar disparos consecutivos. Tudo isso contribui para tornar o combate corpo-a-corpo ainda mais difícil do que em ACC China e India. Isso não significa que não é mais possível avançar sobre os inimigos usando o bom e velho esquema de ataque, bloqueio e contra-ataque, mas essa abordagem é pouco recomendada.

Aspectos interessantes vistos nos jogos anteriores voltam a dar as caras, como os trechos em que é preciso fugir freneticamente ou usar seu rifle para eliminar inimigos distantes no melhor estilo FPS. Em certos momentos, é preciso até mesmo correr para escapar de tiros de metralhadoras de chão e de um gigantesco tanque de guerra, o que torna tudo mais emocionante.

Algumas das partes mais interessantes de ACC: Russia, no entanto, envolvem a interação entre Nikolai e Anastasia. Em certas fases, é preciso alternar entre o controle dos dois, com o assassino ajudando a princesa enquanto ela usa suas próprias habilidades para tentar sobreviver. Esses trechos não apenas são bastante divertidos, mas também servem para quebrar o ritmo do jogo e torná-lo mais interessante.

Vale a pena?

Mesmo com sua história curta, Assassin’s Creed Chronicles: Russia conseguiu não somente manter os aspectos positivos vistos nos jogos anteriores, mas adicionar mais momentos divertidos e desafios consideravelmente superiores. Somando-se a isso, o título aprofundou a história da trilogia, desenvolveu o personagem Nikolai Orelov e ainda conta com um final secreto que até oferece indícios sobre o que podemos esperar da franquia AC como um todo no futuro.

Embora todo o peso histórico da ascensão dos bolcheviques acabe passando batido e sirva apenas como um pano de fundo para o enredo do game, ainda assim é interessante ver a forma como esses acontecimentos são retratados. A estética do jogo segue o estilo dos pôsteres de propaganda comunista, com cenários predominantemente em tons de cinza e muitos elementos em vermelho vivo, o que pode se tornar um pouco cansativo, mas ainda assim é bastante bonito.

A grande dificuldade dos momentos finais de ACC: Russia pode até incomodar jogadores mais casuais, mas deve servir como motivação adicional para aqueles que gostam de desafios – especialmente se tiverem experiência com os dois títulos anteriores. Considerando o singelo preço de R$ 31 do jogo – ou os R$ 77 do pacote com a trilogia completa nos consoles (R$ 60 no PC) –, não restam dúvidas de que o investimento vale a pena para qualquer fã da franquia Assassin’s Creed.

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Pontos Positivos
  • Desafios complexos e recompensadores
  • Exploração dos cenários em profundidade aumenta as abordagens possíveis
  • Visual no estilo de propaganda comunista enriquece o cenário
  • Comandos simples de dominar
  • Bom fator replay por conta de atividades adicionais
  • Momentos divertidos com dois personagens
  • Conexões com outros títulos da série enriquecem a história
  • Final secreto aumenta o valor de toda a trilogia
Pontos Negativos
  • Combate corpo-a-corpo está incluso, mas seu uso é desaconselhado
  • Peso do período histórico pouco aproveitado
  • Curta duração do jogo