Imagem de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors
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999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors

Nota do Voxel
73

Quase um livro interativo

A história de um grupo de pessoas sequestradas e postas para participar de um bizarro jogo de sobrevivência não é algo inédito. Diversas mídias já exploraram o enredo, seja nos cinemas (“Jogos Mortais”), seja nas histórias em quadrinhos (“Battle Royalle” e “Gantz”).

Com uma temática reaproveitada inúmeras vezes, como criar um game com a mesma proposta sem que pareça repetitivo ou previsível? Apesar de não ser a única solução, focar na evolução do enredo para prender o jogador do início ao fim é uma ótima alternativa.

É isso que a ChunSoft conseguiu fazer em 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors. O jogo é exatamente tudo aquilo que já foi visto em outros lugares, mas apresentado de forma que você simplesmente não tem ideia do que vai encontrar atrás de cada porta.

Mesmo com o cuidado tomado pela desenvolvedora para dar ao game uma experiência diferenciada, é inegável que ele ficou à margem dos principais lançamentos do Nintendo DS para 2010. Em um ano em que tivemos o retorno de Pokémon e Dragon Quest, é compreensível o fraco impacto que 999 obteve.

No entanto, isso não significa que a aventura tenha sido ignorada por completo. Se você tem uma boa memória, certamente irá lembrar que o título foi indicado às categorias de “Melhor Jogo de DS”, “Melhor História” e “Melhor Jogo que Ninguém Jogou” na votação feita pelo TecMundo Games. Ainda que não tenha levado nenhum dos prêmios, não podemos negar que a ChunSoft fez um ótimo trabalho e que merece ser conferido, mesmo que tardiamente.

Quando “Jogos Mortais” se passa dentro do “Titanic”

Img_normalA história de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors já se inicia de maneira extremamente confusa. Sem se lembrar de absolutamente nada do que aconteceu, o jovem Junpei acorda dentro de um estranho quarto e com um estranho relógio indicando o número “5”. Aos poucos, sua memória vai voltando e ele se dá conta de que fora sequestrado na noite anterior por alguém vestindo uma máscara de gás.

A partir desse ponto, ele encontra outras oito pessoas na mesma situação e, juntos, descobrem que foram raptados por alguém que se denomina Zero. Segundo o misterioso sequestrador, eles agora fazem parte do “Nonary Game”, um jogo em que os nove indivíduos devem encontrar as nove portas para conseguir escapar da embarcação, que está destinada a afundar em nove horas.

Como é de se esperar, isso afeta profundamente o psicológico de cada personagem. Enquanto alguns sofrem com a pressão e o desespero da situação, outros agem de maneira mais racional e passam a duvidar dos demais – principalmente quando misteriosos assassinatos começam a acontecer.

Img_normalO grande destaque de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors está na forma com que tudo isso é conduzido. Em vez de nos apresentar um cenário aberto e completamente explorável, a ChunSoft reaproveita um sistema semelhante ao utilizado pela Capcom na série Phoenix Wright. Com muito diálogo e descrições, o game é aconselhável somente para quem realmente tem paciência para acompanhar a leitura em inglês ou é apaixonado por grandes quebra-cabeças.

Img_normal999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors é o típico jogo que ou você ama ou odeia. Se você mergulhar de cabeça na história e se envolver com os mistérios da trama, certamente vai querer jogar cinco ou seis vezes para descobrir todos os segredos escondidos, sem se importar em rever as mesmas falas diversas vezes. Porém, se você não tem paciência para longos textos ou prefere algo com um pouco mais de ação, é bem provável que a desistência venha ainda na primeira tentativa.

No entanto, de maneira geral, o game se sai muito bem. Excetuando-se a jogabilidade (algo que precisa ser avaliado de acordo com o gosto de cada um), tudo no título é atraente. A narrativa, os personagens e a forma com que o enredo é construído conseguem prender o jogador à frente das duas telas do portátil.

Ainda que seja focado em um público muito específico, 999 surpreende, principalmente por se tratar de uma produção de um estúdio não tão conhecido. Mesmo com seus problemas, o título se mostra como uma agradável surpresa escondida entre a grande quantidade de lançamentos para Nintendo DS.