Jogamos: Assassin’s Creed Valhalla pode superar Odyssey se for polido

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Na última quinta-feira (09), o Voxel foi convidado para jogar Watch Dogs Legion e o promissor Assassin’s Creed Valhalla, a grande promessa da publisher para 2020 e que será um dos primeiros games crossgen desse ano e um dos títulos mais interessantes e promissores da franquia até o momento.

Contudo, os fãs não gostaram muito do que viram nos recentes vazamentos e estão curiosos para saberem e verem um gameplay do jogo. Felizmente, o Voxel teve acesso a uma jogatina de quase três horas de Assassin’s Creed Valhalla e trouxemos as nossas primeiras impressões e um trecho bem generoso de jogabilidade em vídeo.

Está curioso para saber como o game está? Tá parecido ou diferente de Odyssey? Vem com a gente, mas antes um aviso: o título ainda está em desenvolvimento e muitas coisas ainda serão refinadas, polidas e diversos elementos mudarão no jogo final.

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Primeiro as coisas boas: menos RPG e mais orgânico, AC Valhalla mistura o novo com o clássico

Desde que a franquia mudou de ares em Assassin’s Creed Origins, a série se voltou muito mais para um lado RPG, do jeito clássico que conhecemos: ganho de experiência, muitas sidequests, griding, árvore de habilidades e um mundo aberto para explorar. Odyssey foi além e abraçou de vez o gênero. Agora, Valhalla olha o passado da franquia e traz uma experiência que encontra o melhor dos dois mundos.

O que isso quer dizer? Resumidamente, o novo game da franquia mantém elementos de RPG que deram certo, como os equipamentos completamente customizáveis, a árvore de habilidades e sidequests espalhadas pelo mundo. Contudo, algumas coisas deixam de existir e o título retorna às suas raízes.

Assassinatos, por exemplo, agora matam de verdade o inimigo e não só dão um dano crítico. Aliás, níveis como um todo parecem terem sido deixados de lado, sem a necessidade de realizar milhares de atividades só porque a sua força não é suficiente para a próxima missão principal.

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Do que jogamos, o sentimento é que o jogador pode se preocupar muito mais no que quer fazer e não com o que precisa fazer. Essa liberdade e estilo de exploração do mundo aberto oferece muito mais escolhas ao jogador e menos ações forçadas somente para inflar o tempo de duração do game.

Durante as três horas de jogatina, foi muito legal explorar e sem se preocupar se o meu equipamento e nível estavam perfeitamente adequados. Tudo o que eu fiz foi aproveitar uma ótima temática viking com diversas lutas, invasões a fortalezas de forma bem cinematográfica e buscar coisas a se fazer no mapa assim como nos jogos mais antigos. E por falar em atividades...

Lição de casa feita e sidequests melhoradas

Já se tornou natural que jogos de mundo aberto criem um conteúdo gigantesco para oferecer mais horas de gameplay ao jogador, mas, muitas vezes, a desenvolvedora erra a mão ao “criar por criar” sem agregar valor às atividades. O próprio Assassin’s Creed Odyssey sofre desse mesmo mal, com missões desproporcionalmente grandes que usam o modelo já bem datado de fetch quests.

Não lembra o que é isso? Basicamente, aquela tarefa que te levará para alguém, que pedirá um favor, que vai necessitar que você faça outra coisa e desencadear em uma infinita escada de atividades que não te levam a lugar nenhum. Isso sem contar nas repetições, né? Sempre envolvendo matar adversários e eliminar campos de inimigos.

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Felizmente, Valhalla parece entender que um mundo aberto bem-feito é feito além de encheção de linguiça. Durante a jogatina, fiz quests bem rápidas e que contam histórias legais, como resgatar o cavalo de uma garotinha, algo que durou literalmente dois minutos, a enfrentar chefões que abraçam o lado fantasioso da franquia.

Tudo isso sem contar raids, ou invasões pra fazer com seus companheiros, missões principais, personagens legais para conhecer e um mapa realmente recheado de atividades diferentes, seja à pé, à cavalo ou à barco.

Combate mais cadenciado, que carece de refinamento

Uma coisa que passei muito tempo fazendo em Assassin’s Creed Valhalla é lutando. E, como estamos falando de uma temática viking no século IX, pode esperar por muita brutalidade nas invasões das terras saxãs – ou Inglaterra, para os mais íntimos. Entretanto, as coisas aqui passam sentimentos mistos.

Por um lado, Assassin’s Creed Valhalla oferece mais opções estratégicas para atacar os inimigos e tem um combate mais cadenciado, ou seja, mais lento e que requer atenção maior. A furtividade está muito melhor com os assassinatos de volta e as batalhas deixam de ser desenfreadas para ter algo bem mais pesado.

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Agora, por exemplo, existe uma barra de vigor para gastar em ataques pesados, golpes especiais e esquiva. Não chega a ser algo como Dark Souls pois os ataques básicos ainda não consomem energia e as habilidades especiais também requerem a barra de adrenalina, assim como em Odyssey. Os inimigos apresentam um medidor de stun que, se esgotado, garantem finalizações especiais.

A empunhadura dupla é realmente legal! L1 e R1 operam cada mão de Eivor, protagonista do game, e trazem ótima variedade de golpes. É legal variar entre machados, lança, machado com escudo e até uma morning star para estraçalhar os adversários. Os chefões são legais e, por mais que sejam meio previsíveis, é bacana enfrentar algo que parece retirado diretamente de Hellblade.

O sistema de upgrade também recebeu uma renovada. Os atributos ainda existem, mas agora são divididos entre quatro estilos: lobo, urso e corvo. Cada arma usa estilos diferentes, quase como as escolas de The Witcher 3. O arco, por exemplo, é muito mais rápido, mas menos poderoso no estilo do lobo, mas é mais lento e preciso no estilo do corvo. As habilidades são bacanas e são mistos entre coisas que vimos em Odyssey e elementos inéditos.

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O legal é que Valhalla está bem mais violento, com muito mais brutalidade na tela ao decapitar ou decepar braços dos inimigos! Depois de horas jogando, muita coisa ali começou a ficar bastante divertida!

Contudo, muita coisa ainda carece de polimento. Há inimigos com inteligência artificial travada, arqueiros que ficam parados sem atacar, o combate carece de impacto, como alguns inimigos mal sentindo as porradas e outros voando ao tomar um chute, e por aí vai.Mas, de longe, a pior implementação foi o parry, que era muito bom no Odyssey e agora carece de boas animações, informações visuais e até execução.

Temática viking que não conseguimos julgar por enquanto

Depois de passar pelo Antigo Egito e a Grécia da era de ouro, a série se voltou a um dos períodos históricos mais adorados pelos fãs: a invasão viking na Inglaterra no século IX. O mapa que jogamos era apenas um recorte de todo o território e trouxe também apenas um pequeno trecho da trama.

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O que vimos foi a aliança entre os vikings e os saxões, saindo um pouco do tema de “vikings do mal”. Foi um pouco esquisito, mas não dá para julgar nesse momento. O que foi legal, na verdade, foi a ambientação, desde minigames de bebedeira à mitologia nórdica.

Visuais sem muitas mudanças

Conforme reforçamos no começo, Assassin’s Creed Valhalla ainda é um jogo que está em desenvolvimento e muita coisa deve melhorar até o lançamento. Jogamos o game em um PC, via streaming, e foi difícil julgar com precisão o que vimos, mas a qualidade gráfica deve manter o que vimos em Odyssey.

O estilo artístico lembra bastante o de The Witcher 3, com ambientes cheios de névoa e um clima bem cinematográfico, que é aprimorado com uma trilha sonora realmente muito boa. Entretanto, ainda há melhorias que precisam ser feitas. As expressões faciais carecem de uma profundidade maior e há muitos bugs visuais.

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Muitos bugs, mas que podem ser corrigidos

E falando neles... Bom, o jogo está em um build inicial e muita coisa precisa ser corrigida. Não vamos mostrar nenhum bug óbvio aqui, mas certamente o game ainda precisa de bastante polimento até o lançamento.

O que esperar de Assassin’s Creed Valhalla?

Assassin’s Creed Valhalla é um jogo que, pra mim, se encontra dividido nesse momento. Há muitas coisas positivas, desde a adesão de sidequests mais divertidas de se fazer e uma temática extremamente interessante que, se tiver a atenção certa, pode superar facilmente os outros dois últimos games da franquia. Por enquanto, também está claro que muita coisa foi reaproveitada de Assassin’s Creed Odyssey, para bom e para mal.

Apesar de ainda ter vários probleminhas, a realidade é que o saldo depois de 3 horas de jogatina foi divertido e certamente eu jogaria mais se eu pudesse.

Assassin’s Creed Valhalla chegará no dia 17 de novembro de 2020 PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X e, certamente, há tempo para melhorar tudo que precisa. Será que teremos uma surpresa positiva no fim do ano? Esperamos que sim!

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