A Sony reportou uma perda por redução ao valor recuperável de US$ 765 milhões devido ao baixo desempenho da Bungie, desenvolvedora de Marathon, durante seu último ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026. A empresa havia adquirido o estúdio em 2022 por US$ 3,6 bilhões, mas a aquisição ainda não se pagou financeiramente.
Os problemas da Bungie se acumulam desde a compra: Destiny 2 não atingiu o desempenho esperado, e o novo jogo da empresa, Marathon, também ficou bem aquém das projeções de vendas. Como resultado, a Sony admitiu que precisou revisar para baixo o valor dos ativos relacionados ao estúdio.
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Durante uma sessão de perguntas e respostas com investidores, o diretor financeiro da Sony, Lin Tao, disse que a empresa manterá o suporte a Marathon na tentativa de expandir sua base de jogadores.
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"Os lucros do portfólio de títulos da Bungie não atingiram nossas expectativas, então revisamos para baixo nosso plano de negócios e baixamos o valor dos ativos fixos relacionados à Bungie", afirmou Tao.
Marathon não atingiu o sucesso esperado pela gigante japonesa
Durante o ano fiscal encerrado em março de 2026, o segmento de Jogos e Serviços de Rede da Sony registrou uma perda por redução ao valor recuperável de 120,1 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 765 milhões) referente aos ativos da Bungie.
A primeira baixa havia sido registrada no segundo trimestre, no valor de 31,5 bilhões de ienes (cerca de US$ 204,2 milhões), em decorrência do baixo desempenho de Destiny 2.
Já no quarto trimestre, a Sony reportou uma nova baixa de 88,6 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 565 milhões), coincidindo com o período em que Marathon foi lançado. O jogo chegou ao mercado em março de 2026, dentro do mesmo trimestre em que a empresa registrou esse novo impacto contábil.
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Segundo relatos, Marathon teve um orçamento superior a US$ 250 milhões. Apesar de receber avaliações positivas, com nota 82 no Metacritic e mais de 90% de avaliações favoráveis na Steam, o título não conseguiu se manter entre os 10 jogos mais jogados semanalmente no PS5, Xbox Series X|S ou PC.
Atualmente, o jogo registra entre 10.000 e 15.000 jogadores simultâneos na Steam — plataforma onde, segundo relatos, concentrou a maior parte de suas vendas. A Sony ainda não confirmou oficialmente os números de vendas do título.
Lin Tao reconheceu a situação, mas sinalizou continuidade. "Nossa meta é melhorar o desempenho do jogo, trabalhando para reter os usuários principais altamente engajados por meio da introdução de conteúdo adicional, melhorias na experiência de jogo e expansão da base de usuários", disse o executivo.
Marathon não é tão acessível assim para os jogadores casuais
Uma das críticas recorrentes ao jogo é sua curva de aprendizado elevada. A Bungie afirmou repetidamente que, com o tempo, os jogadores se adaptam às mecânicas de extração — mas o lançamento do modo Cryo Archive intensificou ainda mais essa percepção, com uma série de requisitos adicionais para acessar o conteúdo.
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Shroud, ex-jogador profissional de Counter-Strike, comentou o assunto em uma transmissão recente. "Cryo Archive é insano. É o mapa de extração mais elaborado que já vi em um jogo. O circuito que eles criaram é realmente algo especial. O problema é: será que é elaborado demais? É complexo demais? É repetitivo demais? Será que seus avós, que trabalham das 9h às 17h, conseguirão jogar? Não sei", disse ele.
O comentário de Shroud, que foi um pro player, resume um dilema central para o jogo: Marathon agrada a uma parcela dedicada e engajada de jogadores, mas pode estar afastando o público mais casual — justamente aquele necessário para sustentar os números de uma produção dessa magnitude.
A Bungie tenta equilibrar essa equação com atualizações e novos modos, mas ainda não apresentou uma solução clara para ampliar o alcance do jogo sem alienar sua base atual.
O que acontecerá com Marathon?
Marathon está longe de ser um fracasso da mesma magnitude que Concord, jogo da Sony encerrado semanas após o lançamento — mas os números atuais exigem um plano ação imediato da Bungie. Simplesmente reduzir a dificuldade do jogo pode não ser suficiente e corre o risco de afastar os jogadores que já o abraçaram na forma atual.
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Tornar o jogo gratuito tão pouco tempo após o lançamento também seria problemático, já que poderia irritar quem pagou o valor integral de R$ 164,90. Uma redução de preço mais gradual ou um período de teste gratuito são alternativas que fãs já chegaram a pedir publicamente.
Outras possibilidades que circulam entre jogadores e analistas incluem a adição de uma campanha para um jogador ou conteúdo PvE, que poderia reacender o interesse de um público mais amplo.
Por ora, a Sony sinalizou que não pretende abandonar o projeto. Apesar das baixas contábeis relacionadas à Bungie, o segmento de Jogos e Serviços de Rede da empresa manteve vendas "praticamente estáveis" e registrou aumento de 12% no lucro operacional no ano fiscal encerrado em março.
E você, acha Marathon tão difícil quanto jogadores e influenciadores estão dizendo? Conta pra gente nas redes sociais do Voxel!
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