Spencer quer clássicos da Blizzard e desconfia das big techs nos games

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Imagem: PlayStation/Reprodução

O chefe da divisão Xbox da Microsoft, Phil Spencer, disse que a marca pretende trazer de volta jogos antigos da Activision Blizzard. O executivo confessou ter ficado empolgado olhando a lista de franquias da empresa que foi adquirida.

“Eu estava olhando para a lista de IPs, quero dizer, vamos lá! King's Quest, Guitar Hero… Eu deveria saber disso, mas acho que eles também têm HeXen”, comentou em uma entrevista bastante interessante divulgada hoje (20) pelo Washington Post.

Spencer explicou que assim que o negócio entre Activision Blizzard e Microsoft for aprovado pelas autoridades, o que não deve acontecer antes de junho de 2023, as equipes do Xbox conversarão com os desenvolvedores para saber quais IPs que estão guardadas devem ser trazidas de volta.

Activision Blizzard

“Esperamos poder trabalhar com eles [desenvolvedores] quando o acordo for fechado para garantir que tenhamos recursos para trabalhar em franquias que amo desde a minha infância e que os times realmente querem”. “Estou ansioso por essas conversas. Eu realmente acho que se trata de adicionar recursos e aumentar a capacidade [de produção]”, complementou.

Ao todo, a Activision Blizzard é proprietária de mais de 40 séries de jogos eletrônicos, incluindo clássicos como Gun, Pitfall!, Police Quest, Space Quest, StarCraft e Tony Hawk, além dos populares Crash Bandicoot, Spyro, Warcraft e Call of Duty.

Preocupação com empresas de tecnologia

Outro ponto bastante interessante na entrevista de Spencer é sua preocupação com a entrada de empresas de tecnologia no setor. Apple, Google, Meta, Amazon e Netflix anunciaram, nos últimos anos, investimentos em plataformas, jogos, desenvolvedoras e mais.

O chefão do Xbox vê com ceticismo a entrada destas marcas na indústria porque, diferentemente de Sony e Nintendo, elas não têm familiaridade com os jogadores.

“[Sony e Nintendo] têm uma longa história em video games”, diz. “A Nintendo não fará nada que prejudique os jogos a longo prazo, porque esse é o negócio em que eles estão. A Sony é a mesma coisa e eu confio neles… assim como a Valve. Quando olhamos para os outros grandes concorrentes de tecnologia da Microsoft: Google tem o buscador e Chrome, Amazon tem compras, Facebook tem rede social, todos esses negócios de consumo em larga escala… A discussão que tivemos internamente é sobre como essas coisas são importantes para as outras empresas de tecnologia, para quantos consumidores elas alcançam, os jogos podem ser isso para a gente”, ele argumentou.

Amazon GamesA Amazon está desenvolvendo jogos próprios a partir da Amazon Games.

O executivo deu a entender que como os jogos eletrônicos não serão o “core business” dessas empresas, elas poderão oferecer soluções que não beneficiam os consumidores e que acabem gerando distorções no mercado.

Também citando outras companhias, Spencer disse enxergar que o metaverso não pode ser visto e vendido apenas como um “espaço de trabalho”, mas qualquer coisa que as pessoas queiram. Sobre isso, ele citou que fez uma reunião com sua equipe dentro de The Elder Scrolls Online e que os games serão catalisadores do metaverso, já que oferecerão a capacidade de abrigar encontros virtuais de várias naturezas.

“Para nós, como uma empresa de plataforma, o que temos feito com o Xbox e o Windows há anos é perguntar como os jogadores se movem perfeitamente entre esses mundos diferentes e podem ter identidades diferentes e clãs e grupos variados, mas também se sentem ancorados em uma experiência geral de plataforma”.

A compra da Activision Blizzard

Assim como a Bloomberg já havia revelado, Spencer informou que as negociações para a aquisição da Activision Blizzard foram finalizadas no final do ano passado. Na época, a dona de franquias como Diablo já estava no centro de um grande escândalo de casos de abusos e assédio sexual no ambiente de trabalho.

“Passamos um tempo com a equipe da Activision analisando os incidentes, analisando as pesquisas dos funcionários e depois tivemos uma boa discussão com eles sobre seu plano, tanto o progresso que eles estavam fazendo quanto qual era o plano”, comentou.

Ele disse que a Microsoft não se envolveu com nenhuma questão jurídica sobre os casos e que a gigante da tecnologia resolveu efetuar a compra por quase US$ 70 bilhões após dar um voto de confiança ao planejamento estratégico em andamento e visa punir e evitar a continuidade do ambiente tóxico.