Call of Duty: Vanguard reúne tudo do melhor (e pior) da franquia

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Nós temos poucas certezas na vida, mas uma delas é que conforme o final do ano se aproxima, chega também um novo capítulo da série Call of Duty aos video games. Desta vez, COD Vanguard foi lançado com a promessa de entregar tudo o que os fãs mais gostam em cada um dos seus modos mais populares, dos zumbis e campanha até o multiplayer competitivo e eSports.

Nesse sentido, como já tínhamos falado no  review de Black Ops Cold War no ano passado, não há muito o que se possa fazer para ajudar qualquer pessoa a mudar de lado. Se você acha que a série é só um mais do mesmo recauchutado todo ano, bom, ela é mesmo. E se você gosta de ver a fórmula sendo aprimorada aos pouquinhos, também vai seguir satisfeito.

Em muitos sentidos, jogar Call of Duty: Vanguard é como dar um pulinho no McDonald’s para pedir o seu combo favorito. Você sabe exatamente pelo que está pagando e, quando o prato chega com batatas perfeitamente salgadas, coquinha gelada e um sanduba montado direitinho, tudo desce redondo… ao mesmo tempo em que não é exatamente o prato mais refinado ou saudável da gastronomia mundial.

Se você quiser conhecer mais sobre os prós e contras do jogo sem mais analogias alimentícias, confira o nosso review completo a seguir!

Uma história problemática (para variar)

Vamos começar pela campanha, já que ela acaba sendo um diferencial em um ano quando o concorrente Battlefield 2042 acabou abdicando completamente de ter uma história. Ela é bem curtinha e o jogador consegue ver tudo que há para ver em pouco mais de seis horas, se tanto, já que há pouco mais de meia dúzia de capítulos para desbravar.

No que diz respeito a apresentação, Call of Duty nunca foi tão bonito, especialmente durante as suas cenas de corte que ostentam uma computação gráfica que muitas vezes mais parece um filme de verdade, especialmente quando vemos só o ambiente e veículos em ação, e não os atores. Não que tenha algo de errado com eles — estão muito bons também! —, mas o cuidado na hora de modelar objetos foi um passo além nesse soberbo showcase gráfico.

Enquanto isso, o gameplay segue tão liso e polido quanto o esperado, sendo um prazer atirar em nazistas na maior parte do tempo. As diferentes armas são todas divertidas de usar e o jogo sabe balancear bem os raros segmentos mais stealth das inevitáveis sessões de sniper, fuga desesperada ou explosões scriptadas ao melhor estilo Michael Bay, com direito a breves sessões em veículos para refrescar um pouco os ares no meio do caminho.

É no campo narrativo que as coisas ficam mais problemáticas, se é que alguém ainda leva a sério a trama de um Call of Duty. Normalmente os games da série eram acusados, com muita justiça, de reescrever a história em prol de uma visão que favorece diretamente a narrativa imperialista norte-americana, e não é como se isso tivesse deixado de acontecer, só que desta vez o buraco é ainda mais embaixo.

Afinal, a equipe de roteiristas da desenvolvedora Sledgehammer resolveu atender aos anseios de uma parcela que se afirma mais progressista na internet, a turma que clama por maior diversidade nos jogos custe o que custar, o que acabou gerando um verdadeiro Frankenstein na tentativa de agradar a gregos e troianos e conciliar o inconciliável.

No mundo alucinado de Vanguard, o racismo só existia nas fileiras alemãs durante a Segunda Guerra, enquanto o exército Aliado era obviamente formado apenas por cidadãos tolerantes e conscientes. E que tal o empoderamento feminino ganhando forma com a atiradora Polina sendo uma moderna girlboss em ação? Certamente aqueles machistas nazistas jamais imaginariam que poderiam ser mortos por uma mulher, certo? Aliás, créditos ao jornalista John Walker do Kotaku por ter aberto nossos olhos para essa questão.

Tudo isso acaba desviando a atenção da narrativa sem cérebro que pinta o grupo de protagonistas como verdadeiros super-heróis da Marvel e rendendo um bocado de comédia acidental no processo. No fim das contas, a sua trama acaba servindo como um alerta para o acréscimo de temas delicados apenas para cumprir tabela. Se você realmente quer incluir tópicos mais pesados como racismo na sua história, é melhor fazer isso com mais cuidado, pesquisa e seriedade, e não como um item qualquer só para aparecer bem nas redes sociais.

Nos ombros de gigantes

Se você gostaria de um COD com identidade própria no seu multiplayer, procure em outro lugar. Por mais divertidos que sejam os modos de Vanguard — e eles são sim bem legais! —, a soma deles remete a um compiladão “best of” de uma banda de sucesso, só com uma ou duas faixas inéditas no meio da tracklist para justificar o lançamento do disco.

Ao menos o game faz muito bem o pouco que ele se compromete a aprimorar, e não só reciclar: os seus mapas figuram facilmente entre os melhores e mais inspirados da franquia, com um monte de rotas alternativas e possibilidades táticas para surpreender os seus inimigos, seja destruindo o cenário ou procurando ângulos inusitados para emboscadas.

Como os cenários têm diferentes tamanhos e estilos de jogo, o jogador é sempre motivado a pensar ativamente em novas formas de se mover, o que evita que a experiência fique repetitiva. Só seria ainda melhor se, nos combates mais lotados, houvesse uma forma mais clara de distinguir visualmente aliados de inimigos.

Como nos anos anteriores, a ideia continua sendo integrar toda a experiência de COD, então o jogador é prontamente recebido no launcher com uma tela para alternar entre Vanguard, Modern Warfare, Warzone e Black Ops Cold War, um plano que continua funcionando muito bem para a Activision, já que é gratificante subir de nível e colher recompensas nos jogos enquanto se cumpre os desafios diários. É um loop que motiva a bater o ponto todo dia, seja para jogar sozinho ou socializar com os seus amigos batendo um papo no meio dos tiroteios online.

Se o modo zumbi parece mais uma sobra do jantar requentada na manhã seguinte — ok, desculpa, tínhamos prometido parar com as analogias alimentícias —, limitando-se a repetir os clichês da série de forma protocolar e com poucos mapas, ao menos os novos modos garantem algum frescor, especialmente o Champion Hill, que fica mais divertido quando jogado com um ou dois amigos. Mas o meu favorito pessoal é mesmo o Blitz Patrol pela grande “bagunça arrumadinha” que sempre rola nos conflitos gigantes e ajuda a tornar cada partida diferente da anterior.

Veredito

Call of Duty: Vanguard segue pregando para os já convertidos. Os fãs da série certamente vão encontrar bons motivos para se divertir por meses a fio, especialmente graças ao sistema de progressão multiplayer bem azeitado e a jogabilidade redondinha. Por mais que faltem novidades, a desenvolvedora Sledghammer seguiu com sucesso a máxima do “em time que está ganhando não se mexe”, e entregou o mesmo produto de sempre com a roupagem mais polida que se poderia esperar. Haters vão continuar odiando, os fãs vão continuar gostando, e o mundo vai continuar girando até termos mais um COD no ano que vem…

Call of Duty: Vanguard embrulha o mesmo conteúdo de sempre em belos gráficos e bom gameplay para alegrar seus fãs

Nota Voxel: 78

Call of Duty: Vanguard foi gentilmente cedido pela Activision para a realização desta análise.