Imagem de Call of Duty Black Ops: Cold War
Imagem de Call of Duty Black Ops: Cold War

Call of Duty Black Ops: Cold War

Nota do Voxel
88

Call of Duty Black Ops: Cold War é CoD com tudo que se tem direito!

É difícil encontrar alguém que, em pleno 2020, já não tenha a sua própria opinião formada sobre Call of Duty. Quem ama a série está sempre sedento por mais de sua ação cinematográfica, celebração militarista e personagens exagerados. Quem odeia, já sabe bem o que esperar do seu gameplay e da narrativa repleta de revisionismos históricos. Para o bem ou para o mal, o novo Call of Duty Black Ops Cold War dá razão para todas essas pessoas.

Como um bom e eficiente soldado, a desenvolvedora Treyarch trouxe um caminhão cheio de munição para os dois lados: para os haters, é difícil pensar em um capítulo mais maniqueísta e infantil na série. Já para quem gosta, COD poucas vezes conseguiu ter sequências de ação tão exageradas e malucas! E o que você vai achar do jogo depende diretamente de onde você se coloca nessa disputa de narrativas.

A arte da guerra

Com ou sem intenção, a proposta de Black Ops Cold War acaba sendo um pouco metalinguística. Afinal, como o próprio nome indica, toda a sua estética e temática são focadas no duelo entre Estados Unidos e União Soviética, as duas superpotências que protagonizaram a Guerra Fria do fim dos anos 1940 até o início da década de 90, cada uma tentando provar ao planeta que a sua ideologia deveria prevalecer.

Para quem gosta de história, o tema é um prato cheio com certeza. Mas quem se importa com isso provavelmente deveria procurar os milhares de livros, filmes, ensaios e aulas bem embasadas disponíveis sobre o assunto, já que COD explicitamente orbita uma espécie de realidade-paródia, um mundo de propaganda incessante onde exageros e panfletagem dão o tom.

Em Black Ops Cold War, figuras conhecidas da série como o soldado Frank Woods são verdadeiros GI Joes prontos para ajudar o mundo livre a combater o "grande mau" representado pelos comunistas. Uma vez abraçado (ou ao menos tolerado) esse escapismo exagerado, o que o aguarda é uma trama de ação incessante digna das melhores obras de Tom Clancy e Michael Bay.

Uma campanha afetadíssima e muito divertida

Curiosamente, o jogo abriga algumas dissonâncias curiosas. Por exemplo, uma das primeiras coisas que você faz ao iniciar uma campanha é criar a ficha completa do seu personagem, apelidado e chamado por todos de Bell. Até aí, nada demais, exceto por uma surpresa: antes de chacinar algumas centenas de soldados, você pode escolher se Bell será homem, mulher, ou não-binário.

Diversidade é algo sempre bem-vindo no entretenimento, mas é curioso ver um jogo tão abertamente conservador e partidário da boa "arte de direita" fazer um aceno a pautas mais progressistas como o uso de pronomes neutros. Nada como explodir uma cidade inteira e potencialmente matar alguns inocentes no processo enquanto é chamado pelo pronome adequado, não é mesmo?

A campanha é bem curtinha e pode ser finalizada em meia dúzia de horas, mas cada uma delas traz diversos momentos memoráveis. Poucos segmentos resumem o jogo tão bem quanto um trecho no qual o seu personagem e Woods precisam invadir uma instalação soviética super secreta. Woods, tenso, pede cobertura enquanto ele abre uma porta misteriosa. Com a adrenalina no talo, você calibra bem a mira e o seu companheiro abre a porta, apenas para descobrir…

Que os comunistas construíram uma pequena réplica de uma cidadezinha americana! Então vocês entram em uma mini recriação de arcades dos anos 80 enquanto, sem qualquer motivo aparente, alguém liga o som e o sucesso Hit me With Your Best Shot, de Pat Benatar, começa a tocar no talo. No meio tempo, soldados inimigos entram na sala e a matança começa. Você e Woods seguem atirando sem parar enquanto Pat canta “Fire awaaaay” em um grande catarse. Viva a América!

Vale apontar que este também é um dos jogos mais violentos da série, com bastante matança gratuita. Volta e nunca você tem a opção de participar de decisões-chave como atirar ou não um suspeito do telhado e executar ou não um agente inimigo mas, mesmo desconsiderando os segmentos opcionais, o jogo não tem medo de explodir algumas cabeças. Literalmente.

Não vamos dar spoiler algum, até porque o final da história traz diversas surpresas, inclusive finais alternativos que aumentam bastante o fator replay, mas sem dúvidas trata-se de uma das escolhas narrativas mais interessantes já vistas na franquia! Suas opções ao longo da jornada realmente importam e parece seguro afirmar que, seja lá o que você estiver imaginando que seria um bom final para a trama apresentada, você vai conseguir mexer uns pauzinhos para alcançar esse fim.

Integração multiplayer completa

Todo mundo sabe que, por pior ou melhor que sejam as campanhas de COD, no fim das contas elas são muito mais um tutorial glamourizado para o seu multiplayer do que qualquer outra coisa, então é muito legal saber que Black Ops Cold War é praticamente um “best of” de tudo que a franquia já apresentou em termos de modo de jogo!

Logo no hub inicial você vai encontrar janelas gigantes o lembrando de como o novo jogo está conectado ao fenômeno Warzone, um dos battle royales mais populares de 2020, mas as coisas não são bem assim, ao menos no que diz respeito à instalação e arquivos executáveis. No PlayStation 4, onde realizamos o nosso teste, a única forma de jogar Warzone, ao menos até a publicação deste texto, era baixando o próprio Modern Warfare.

Mesmo abrindo Black Ops Cold War e clicando na janela de Warzone, ela só servia para levar o jogador até a PlayStation Store, com um link para baixar os mais de 100 gb de Modern Warfare. Ou seja, se você quiser ter a experiência mais completa e bem integrada possível, terá que reservar bem mais de 200 GB no seu HD! E os fãs mais hardcore provavelmente vão gostar de fazer isso, já que, como já noticiamos por aqui, o progresso foi todo integrado entre Black Ops Cold War, Modern Warfare e Warzone.

Mapas menores e a volta dos zumbis

Ao menos o modo Zumbi e o multiplayer normal foram melhor integrados e não ocupam tanto espaço assim no disco. Mas também é possível ver o copo meio vazio e apontar que ainda há muito pouco conteúdo no novo desafio de zumbis, com apenas um mapa disponível no lançamento. É um belo mapa, mas ele cansa rápido se você não tiver amigos para jogar cooperativamente online, o que sempre garante uma diversãozinha extra.

O loop de matar hordas e mais hordas de mortos-vivos enquanto coleciona pontos para abrir novos caminhos e liberar armas mais letais continua divertido como sempre e, se a Treyarch conseguir adicionar mais dois ou três mapas no futuro próximo, certamente as suas mecânicas são boas o bastante para garantir um amplo engajamento dos jogadores.

Do jeito que está, vale mais a pena investir o seu tempo no Multiplayer mais tradicional, que está repleto de opções! Desta vez, parece que a Treyarch tentou resgatar um layout e design mais minimalista para os mapas, que são muito rápidos de memorizar, e garantem que você jamais passará muitos segundos seguidos sem esbarrar com algum tiroteio.

Dá para jogar da forma que você quiser, desde mata-mata em equipe ou individual, passando por conquistas de territórios e mortes confirmadas, culminando no novo Combined Arms de 12 contra 12, que traz alguns dos maiores conflitos já vistos na série. Apesar de não ser exatamente a coisa mais balanceada do mundo, com muitos stomps indo e vindo para todos os lados, o ritmo das partidas costuma ser bem gratificante e compensar esse problema.

O crossplay entre diferentes plataformas também está habilitado e, em nossos testes, tivemos resultados mistos. Na semana de lançamento, esbarramos com alguns servidores cheios de lag, além de dificuldades para montar um chat por voz entre o PlayStation 4 e o PC, o que exigiu a pesquisa externa por soluções em fóruns como o Reddit. Relevado isso, a maioria das partidas fluiu sem maiores problemas dignos de nota.

Vale a pena?

Call of Duty Black Ops: Cold War traz todas as virtudes e problemas que você espera de um legítimo capítulo da série e não vai fazer ninguém mudar de ideia sobre os seus motivos para amar ou odiar a franquia. Sua campanha é deliciosamente exagerada e dona de sequências magníficas de ação, e a integração com o multiplayer de Modern Warfare e Warzone é muito bem-vinda, embora ter tudo instalado sacrifique mais de 200 GB do seu pobre HD. Se você ama COD, considere uma compra certa!

Call of Duty Black Ops: Cold War foi gentilmente cedido pela Activision para a realização desta análise.

Nota: 88

“Call of Duty Black Ops traz tudo de bom e ruim que você espera da série num só pacote”

Pontos Positivos
  • Ação explosiva super divertida
  • Reviravoltas surpreendentes na campanha
  • Fartura de modos multiplayer
  • Integração com Warzone e Modern Warfare
  • Suporte a crossplay
Pontos Negativos
  • Ocupa muito espaço no HD
  • Campanha bem curta
  • Lag eventual no crossplay