CEO da Activision Blizzard sabia de abusos cometidos na empresa

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O Wall Street Journal publicou hoje (16) uma reportagem acusando Bobby Kotick, o CEO da Activision Blizzard, de ter conhecimento sobre diversos casos de assédio sexual, bullying e discriminação na empresa ao longo de anos.

De acordo com a reportagem, Kotick não apenas sabia de várias situações envolvendo conduta inapropriada na companhia como ele mesmo é alvo de acusações. O executivo teria sido protagonista em dois casos ocorridos 16 anos atrás.

Relatos de conduta inapropriada

O jornal cita episódios como, por exemplo, quando em 2007 o executivo Dan Bunting foi acusado de assediar sexualmente uma funcionária da Treyarch Corporation, uma desenvolvedora de games adquirida pela Activision em 2001. Segundo o texto, o departamento de recursos humanos da empresa sugeriu a demissão de Bunting, que na época era um dos principais responsáveis pela Treyarch, mas Kotick interveio. Dan Bunting deixou a empresa hoje, após a publicação da reportagem.



Em outra ocasião, depois da saída de Ben Kilgore sob acusação de múltiplos episódios de assédio sexual, o ex-diretor da Blizzard Mike Morhaime enviou um memorando interno elogiando o acusado. No texto, Morhaime agradecia Kilgore e o parabenizava por todo o trabalho exercido no setor de tecnologia da companhia.

Outros dois casos que seriam de conhecimento de Kotick aconteceram na Sledgehammer Games, outro estúdio de desenvolvimento da Activision Blizzard, responsável pelo desenvolvimento de Call of Duty: Vanguard, CoD: WWII, CoD: Advanced Warfare e CoD: Modern Warfare.

Na primeira situação, uma funcionária acusava seu supervisor de embebedá-la e abusá-la sexualmente em duas ocasiões. Ele a teria pressionado a beber em eventos no trabalho. Após os incidentes, a profissional reportou o acontecido ao RH da Sledgehammer, mas nenhuma atitude foi tomada até ela obter ajuda legal de um advogado e ameaçar processar a empresa. Foi só então que seu supervisor foi demitido e ela chegou a um acordo com seus empregadores.



O segundo caso na Sledgehammer também envolvia o consumo de bebidas alcoólicas no ambiente de trabalho. Na ocasião, um profissional da empresa foi acusado de assédio e teria recebido como punição uma licença remunerada de duas semanas, sendo em seguida transferido para outro setor na Activision. Sua posterior demissão ocorreu por motivo não relacionado.

CEO da Activision Blizzard é alvo de acusações

Após a publicação da reportagem, um porta-voz da Activision Blizzard afirmou ao Wall Street Journal que a companhia vai proibir o consumo de bebidas alcoólicas em suas dependências em breve. Já Kotick disse que os incidentes foram isolados, prometendo focar nos assuntos levantados pelo texto.

Um grande porém é que o próprio CEO é peça central em duas acusações. Na primeira, ocorrida em 2006, Kotick enviou uma mensagem de voz à sua assistente ameaçando matá-la. O caso foi teria chegado ao fim após um acordo entre as partes e ele "se arrepende profundamente do exagero e do tom do áudio", segundo um representante da Activision, que rotulou a mensagem de voz como sendo claramente uma hipérbole inapropriada.

O segundo caso registrado contra Kotick aconteceu um ano depois, em 2007, quando uma comissária de bordo afirmou ter sido demitida por reportar ter sido assediada sexualmente. A mulher trabalhava em um jato particular pertencente ao CEO e teria sido sofrido assédio por parte do piloto. A situação foi encerrada com um acordo e um pagamento de US$ 200 mil à comissária.

O jornal afirma que, mesmo sabendo de todos os episódios citados, quando o Estado da Califórnia entrou com processo contra a empresa, Kotick afirmou ao Conselho de Administração da Activision Blizzard não ter conhecimento dos fatos ocorridos. A empresa nega e se diz desapontada com a reportagem, afirmando ainda que o CEO não é informado sobre literalmente tudo o que acontece com seus subordinados.

Segundo um representante da Activision Blizzard, o Wall Street Journal também "ignora as importantes mudanças" que a companhia tem feito para manter o ambiente mais inclusivo e acolhedor. O porta-voz afirma ainda que, sob comando do CEO, a empresa tem feito "avanços significativos, incluindo uma política de tolerância zero para conduta inapropriada".