Review PS5: o poder do lado azul da força

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Em novembro de 2013, demos "olá" para a quarta geração dos consoles de mesa da Sony. O PlayStation 4 havia chegado para encantar a todos. Agora, depois de 7 anos e mais de 112 milhões de unidades vendidas, o PS4 vai dar lugar ao seu sucessor: o PlayStation 5.

As primeiras informações oficiais relacionadas ao novo console começaram em março de 2019, mas foi só em outubro que as especificações foram reveladas. O PS5 promete um grande salto em relação à geração anterior, trazendo coisas que antes apenas quem tinha um PC poderoso poderia experimentar, como ray tracing e 4K com até 120 fps.

Na prática, como é o PlayStation 5? Como estão os jogos? E a interface? Essa e outras perguntas poderão ser respondidas a partir de hoje.

Confira também nossa análise em vídeo:

Especificações técnicas

Vamos começar do básico: as especificações técnicas do PlayStation 5. O console conta com arquitetura de processadores da AMD, mais especificamente o processador x86-64 AMD Rayzen Zen 2 personalizado de 8 núcleos/16 segmentos ou threads com frequência variável de até 3.5 GHz. Mas o que significa hertz e por que isso é importante? De uma maneira bem simples, é uma medida de ciclos por segundo que o processador pode realizar. Digamos que cada hertz é um passo para cumprir uma tarefa, como se o processador do PS5 pudesse dar 3,5 bilhões de passos por segundo para realizar uma ação.

Na GPU, o console conta com uma versão personalizada da AMD RDNA 2 com 36 unidades computacionais e frequências de até 2.23 GHz, oferecendo 10.28 teraflops de performance e memória de 16 GB GDDR6, deixando para trás os 8 GB GDDR5 de seu antecessor. O que isso quer dizer? Uma velocidade de transmissão de dados muito maior, ajudando na fluidez do sistema, no carregamento de elementos dos games e muito mais.

Já o SSD é um tanto complexo. Diferentemente do que muitos podem imaginar, o PS5 não tem 1 TB de espaço, mas sim 825 GB com SSD NVMe de arquitetura personalizada; ou seja, foi feito exatamente para o PS5. E existe um motivo pelo qual a Sony optou por esse tamanho, mas são questões bem mais técnicas que envolvem a interface do SSD, além de outras coisas — voltaremos a falar desse espaço de SSD mais para frente.

PS5

Falando de performance e velocidade, só para se ter uma ideia, a largura de banda do SSD do PS5 é de 5 GB por segundo, enquanto o HDD do PS4 era algo entre 50 e 100 MB/s.

O PS5 conta com uma unidade óptica, que é o drive de disco Blu-ray, e quatro portas USB, sendo três USB-A e uma USB-C. Para esclarecer uma dúvida que muitos tinham: o cabo que vem com o console é HDMI 2.1 e tem uma fonte interna de potência máxima nominal de 350 Watts.

O console é bem grande, com 39 centímetros de largura, 10,4 centímetros de altura e 26 centímetros de profundidade, e pesa 4,5 quilos, bem mais que o PS4, que tem cerca de 2,1 quilos, e que o Pro, com tem 3,3 quilos.

Para comparação, as specs do PS4 são:

PS4

Do PS4 Pro:

PS4 PRO

O console

PS5

A primeira coisa a dizer sobre o PS5 é que ele é bem robusto, então você vai precisar de um espaço considerável para colocá-lo. Lembrando que ele pode ser deixado deitado, com a base giratória encaixada na parte de trás da placa, ou em pé, com a base parafusada em uma abertura do console. O parafuso para fazer isso fica em um compartimento na própria base.

Como muitos já devem ter lido por aí, o console é extremamente silencioso. Realmente, o barulho que ele faz só é perceptível quando nos aproximamos e não lembra em nada as turbinas de avião do PS4 em alguns games. Contudo, a coisa muda um pouco quando colocamos uma mídia para rodar. Não se enganem, ele ainda é bem silencioso, mas nesse caso é possível ouvir o barulho do disco rodando dentro do driver.

Quanto às saídas de ar, o PS5 libera ar quente pelas aberturas na parte traseira e embaixo do console, considerando-o em pé. Se você colocar as mãos na parte traseira do console, vai sentir o ar quente quando ele estiver ligado, mas se fizer a mesma coisa na parte de cima, onde ficam os LEDs, vai sentir um arzinho frio, não em temperatura ambiente.

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Assim como seu antecessor, o PS5 tem um LED com três cores que mostram seu status: azul indica que está ligando, atualizando ou fazendo algum processo de reinício; a branca significa que o console está ligado e funcional; e laranja indica que está em modo de repouso.

O driver de disco (para aqueles que vão adquirir a versão com um) fica na parte de baixo do console — ou do lado direito caso você queira deixá-lo em pé. O PS5 aceita a maioria dos jogos de PS4 em mídia física; testamos diversos títulos que funcionaram perfeitamente por aqui.

Como mostrado, as placas brancas do PS5 são removíveis, o que dá a ideia de que a empresa pode comercializar peças personalizadas futuramente. Por dentro, elas são texturizadas com um relevo que mostra vários pequenos quadrados, triângulos xises e bolinhas, em referência aos botões padrão do controle do PlayStation. Este aqui embaixo é o PS5 “nu”.

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Olhando para ele assim, vemos que a capa é realmente apenas a “roupa” do console, já que por baixo há uma placa que protege todo o hardware. Também existe uma portinha, na qual é colocada a memória expansível, o SSD, para aumentar o espaço livre para instalar mais coisas no video game.

Você também pode usar um HD externo no PS5, basta formatá-lo em FAT32 ou ExFAT para ser reconhecido pelo sistema. Pode colocar jogos no HD externo? Sim, mas apenas títulos de PS4 e PS5 deverão ser instalados no SSD.

Voltando ao SSD, a unidade que já vem no PS5 tem 825 GB. E você deve imaginar que todo o sistema ocupa um pouco desse espaço, certo? Certíssimo, então não se assuste quando ligar o PlayStation 5 e só encontrar 667,2 GB disponíveis para baixar os games. Sabe aquela graninha que você economizou com a redução dos preços dos consoles? Já vai ajudar na hora em que você precisar adquirir um novo SSD.

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O DualSense

Vamos para o DualSense, o controle do PS5, que é ligeiramente mais pesado do que o DualShock 4. Enquanto o controle do Play 4 pesa 210 gramas, o do PS5 pesa 280 gramas. Ele conta com os botões que conhecemos: xis, bolinha, quadrado, triângulo, L1, L2, R1, R2, direcionais, analógicos, Option, Share (que agora se chama Create) e PS, além de um novo: o mute, que serve para desligar o microfone do controle. Sim, o DualSense tem um conjunto de microfones embutidos, o que permite que os jogadores conversem com amigos nas parties sem um fone de ouvido.

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Mas a maior atração dele não é essa, e sim o que a Sony chama de feedback háptico. Na prática, é um conjunto de sensações que o controle provoca ao tato, como vibrações com graus específicos e em lados específicos do controle, além de gatilhos adaptáveis que podem ficar mais resistentes ou mais flexíveis, dependendo da ação que o jogador está realizando no game, como tensionar um arco para lançar uma flecha.

E aquela conversa de isso dar mais imersão ao jogo é real. É muito interessante ver a conexão do controle com o que está acontecendo na tela. Por exemplo, existe uma parte em Astro's Playroom em que é preciso mover um foguetinho, e os botões L2 e R2 controlam cada propulsor dele. Ao apertar apenas um deles, você sente o controle vibrar apenas do lado correspondente, dando a impressão que você tem mais controle sobre aquilo que está fazendo.

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A resposta dos gatilhos também é incrível. Usando o mesmo jogo como referência, há diversas partes para usar esses botões, inclusive para atirar com o arco. Ao realizarmos essa ação, sentimos o botão ficar mais resistente conforme o apertamos, tentando imitar a força que o pequeno robô faz ao tensionar a arma.

O DualSense também tem uma utilização bem parecida com a do controle do Switch: mirar. Pelo menos no game que testamos, não usamos apenas o analógico para alinhar o tiro, porque também podemos movimentar o controle para ter maior precisão, como pode ser feito em The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

A pegada do DualSense é ótima e lembra bastante o Pro Controller do Nintendo Switch, com a diferença que os analógicos se mantêm na posição de costume. Assim como a parte interna da capa do console, a parte de trás do controle é texturizada com o mesmo tipo de relevo. Um detalhe bem legal.

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Porém, tem uma coisa de que não gostamos tanto assim no DualSense: a duração da bateria. Jogando ininterruptamente Astro's Playroom, que usa todas as características do dispositivo, o controle totalmente carregado ficou sem bateria após 3 horas e meia de uso. Sendo assim, a necessidade de ter outro controle para poder continuar jogando livre do fio pode chegar logo.

Jogos

Por enquanto, só temos dois games para testar o poder do PS5: Spider-Man: Miles Morales e Astro's Playroom, mas também mostraremos algumas outras comparações legais.

Astro's Playroom já veio pré-instalado no console e dá as primeiras ideias do quanto o DualSense vai fazer os jogadores mergulharem nos games. É o jogo que por enquanto mostra tudo o que o novo controle pode fazer, usando desde o sensor de movimento até o esquema que faz você ter de soprar o controle para girar uns cata-ventos. Na hora já pensamos em Ghost of Tsushima usando essa característica para fazer o vento que guia pela ilha.

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Além disso, a vibração e os sons emitidos pelo controle conforme você anda por diferentes superfícies oferecem uma sensação de imersão absurda. Você consegue notar a diferença ao andar na grama, na areia ou em um chão duro só sentindo a vibração do controle e ouvindo os sons.

Falando em performance e gráficos, vamos focar Spider-Man: Miles Morales, já que realmente foi feito para o PlayStation 5 e permite ver as principais características de nextgen. Não tem como não perceber os personagens mais bonitos, com pele, olhos, cabelo e animação facial aprimorados. O ray tracing está presente no modo “fidelidade”, que roda o game a 4K com reflexos traçados por raios e sombras ambientais e iluminação aprimorada.

Se você se importa mais com a performance, sua escolha pode ser o modo Desempenho, que faz o game rodar a 60 fps fixos, dando muito mais fluidez à movimentação dos personagens.

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Outro ponto é que todos os jogos físicos ou digitais de PS4 que testamos no PS5 funcionaram perfeitamente, mas ficamos mais interessados em testar Monster Hunter, já que no PS4 Pro não chegava a 60 fps. Na realidade, batia 45 fps e flutuava entre 38 e 42 fps. No PS5, além de os loadings terem diminuído consideravelmente, a taxa de quadros parece se manter nos 60 fps constantes.

Também jogamos Devil May Cry 5 Special Edition, que a Capcom gentilmente nos cedeu para que pudéssemos revisitar o game agora com ray tracing no modo Gráfico e acompanhar toda a fluidez dos golpes de Dante, Nero e V a 60 fps no modo Desempenho.

Interface

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O PlayStation 5 tem uma interface bem mais moderna quando comparada ao PS4, com um design que parece mais convidativo. Os ícones são bem menores, dando muito mais destaque aos conteúdos de cada jogo. Apertando o botão PS, abrimos o centro de controle, no qual é possível acessar uma variedade de recursos sem sair do jogo ou do aplicativo.

Esses cartões grandes da foto abaixo mostram recursos e atividades relacionadas aos títulos que estão disponíveis. Você pode selecionar um e apertar X para ver mais informações.

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Também podemos usar aquele recurso muito legal que permite ter uma ajudinha para encontrar colecionáveis e dá algumas dicas. O mais interessante é que você pode deixar o conteúdo rolando em algum canto da tela enquanto continua a jogatina normalmente, podendo seguir o que o vídeo mostra.

Na parte de baixo há vários recursos já conhecidos do PS4: botão de notificações, amigos, controles e Energia se encontram nessa barra. O acesso é bem fácil; se você estiver acostumado com a interface do PS4, vai estranhar um pouco a localização de algumas coisas, mas isso rapidamente se resolve. Uma coisa legal é que essa barra é personalizável e você pode colocar ou tirar algumas funções para sua conveniência apertando o botão Options.

Tudo é muito rápido no PS5. Ao pressionar o botão PS, você acessa o centro de controle; ao segurar o botão, você vai para tela principal, que aparece de forma instantânea.

O botão Create

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O botão Create é uma bela evolução do Share. Apertando o botão no DualSense, uma interface se abre com cinco opções:

  • Salvar partida recente — Grava no SSD um clipe curto com opções de tempo ou um clipe completo de até 1 hora.
  • Fazer captura de tela — Tira uma screenshot simples em JPG ou PNG.
  • Iniciar uma gravação — Começa a captura de um vídeo em 1080 p ou 4K.
  • Transmitir — Permite transmitir diretamente sua jogatina em sua conta vinculada da Twitch ou do YouTube.
  • Opções de captura — Há um centro de controle que permite incluir os áudios do microfone e da party nas gravações e transmissões.

Vale a pena?

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É um console incrível, com mecanismos que realmente mostram uma evolução gigantesca em relação ao seu antecessor, sem contar que ainda podemos esperar muito dele, já que seu potencial é muito maior do que foi mostrado até agora.

Nem conseguimos testar um dos recursos que parecem ser ainda mais interessante: o Tempest 3D áudio, uma das características fundamentais do PlayStation 5, que permite que centenas ou milhares de elementos de áudio sejam coletados e processados no espaço 3D dentro do jogo. Por enquanto, a empresa declarou que o áudio 3D só funcionará com um par de fones de ouvido no lançamento do console.

Em relação a performance, agilidade e interface, não temos qualquer reclamação, contudo alguns pontos importantes precisam ser discutidos. Um deles é a base do console, que é muito aquém de um produto premium pelo qual pagamos mais de R$ 4 mil. Além de ser trabalhoso ficar trocando, é bem frágil e parece que vai desmontar a qualquer momento.

Outra coisa é a duração da bateria do DualSense, como já falamos. Entendemos que ele oferece diversos recursos novos que utilizam mais da bateria, porém achamos que ter de carregar o controle a cada 3 horas e meia não é muito prático. Pelo menos ele vem com o fio USB-C para usá-lo conectado ao video game.

Vai ser necessário mais tempo para vermos de verdade tudo o que ele pode oferecer, mas por ora, apesar de ser caro, não temos a impressão de ter feito um investimento ruim no console.

Em 11 de novembro teremos uma Live exclusiva do PS5.

E aí, o que você achou do review? Conte para nós nos comentários.

Fontes

Review PS5: o poder do lado azul da força