Review Xbox Series X: o monstro chegou e não está para brincadeiras

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É bizarro pensar que 7 anos se passaram de modo tão rápido. Parece que há pouco tempo estávamos empolgados para ver a 8ª geração de consoles, que foi a primeira a trazer recursos sociais de compartilhamento, streamings e capturas para a internet de forma nativa. Agora, a nova (e 9ª) geração está entre nós.

Revelado inicialmente como Project Scarlett na E3 2019, o Xbox Series X foi o pioneiro a ter seus detalhes iniciais revelados, trazendo um salto geracional que levantou bandeiras contemporâneas do PC — como ray tracing acelerado por hardware, largura de banda maior em uma nova arquitetura AMD e até uma nova promessa: a de trazer os SSDs NVMe aos consoles.

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Isso é algo que pode alterar drasticamente a forma como os jogos funcionam, retirando tempos de loading e truques que mascaram telas de carregamento, bem como alterando o próprio game design do futuro.

Confira também a análise do Xbox Series S

Com o sonho de padronizar 4K e 60 fps nos consoles, de trazer a possibilidade de 120 fps em certos títulos e até mesmo de criar a experiência perfeita para a retrocompatibilidade, o Xbox Series X é uma grande promessa da Microsoft. Mas como está a qualidade dos jogos da nova geração? A interface está mais fluida? Os resultados trazem de fato todas as promessas que vimos?

Confira a nossa análise completa para ter a respostas dessas e de muitas outras perguntas sobre o Xbox Series X.

Review em vídeo:

Especificações técnicas: um monstro está entre nós

Há muito a ser discutido aqui, mas primeiramente vamos ao básico: as especificações técnicas do Xbox Series X.

O console da Microsoft vem equipado com um chip AMD customizado com arquitetura RDNA 2 que é capaz de entregar 12 Teraflops de processamento gráfico de rasterização na GPU, cálculo que vem das 52 unidades computacionais em frequência de 1.825 MHz. No lado do CPU, temos um processador AMD Zen 2 com clocks de 3,6 GHz até 3,8 GHz em modo de multi-threads simultâneas. Dessa forma, ambos os componentes apresentam um salto gigantesco em relação à arquitetura GCN de 1.31 Teraflops, com 12 unidades computacionais em apenas 853 Mhz e processador Jaguar de 1.75 GHz do Xbox One original . Mesmo em relação ao Xbox One X, o salto também é grande, saindo do Jaguar de 2.23 GHz e GPU de 40 unidades computacionais de 1.172 MHz, que resultavam em 6 Teraflops.

Xbox Series X (2020)

Xbox One (2013)

CPU

Zen 2 customizada de 8 núcleos @ 3.8 GHz (3.6 GHz com multithread)

Jaguar de 8 núcleos @ 1.75 GHz

GPU

RDNA 2 customizada de 12 TFLOPS, 52 unidades computacionais @ 1.825 GHz

GCN cutomizada de 1.31 TFLOPS, 12 unidades computacionais @ 853 MHz

RAM

16 GB GDDR6

8 GB DDR3

Transferência de memória RAM

10GB @ 560 GB/s, 6GB @ 336 GB/s

8 GB @ 68.3 GB/s

Armazenamento interno

1TB SSD NVMe

500 GB HDD

Taxa de transferência de dados

2.4 GB/s e 4.8 GB/s para arquivos descompactados

Drive óptico

4K UHD Blu-Ray Drive

Full HD Blu-Ray Drive

Peso

4,45 kg

3,5 kg

Dimensões

151 x 151 x 301 mm (largura, profundidade e altura)

333 x 274 x 79 mm (largura, profundidade e altura)

Entradas principais:

  • 1 porta HDMI 2.1

  • 3x USB 3.1

  • Slot para expansão SSD

  • Saída Ethernet

  • Saída de energia

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Nas memórias internas, vemos várias diferenças também: o Xbox One vinha equipado com 8 GB DDR3, já o Xbox One X tinha 12 GB GDDR5 e, agora, o Xbox Series X tem 16 GB GDDR6. Isso garante mais RAM para interface e jogos, bem como uma velocidade de transmissão de dados muito maior, ajudando na fluidez do sistema, carregamento de elementos nos games e muito mais.

No lado de armazenamento, o Xbox Series X estreia o uso de SSDs em consoles, mas não qualquer SSD: o aparelho vem equipado com 1 TB NVMe com 2,4 GB/s de transferência e até 4,8 GB/s de dados comprimidos.

Vale lembrar que o SSD de 1 TB tem, na prática, apenas 800 GB livre. Em uma geração na qual os jogos tendem a ficar cada vez maiores, o armazenamento interno continuará a ser um problema novamente, já que mais nenhum game roda por meio de discos. Desta vez, HDs externos servem somente para retrocompatibilidade, e isso traz de volta tempos de loadings das gerações passadas, é claro.

Aumentar o seu espaço de SSD não vai sair barato: o cartão de expansão de 1 TB custa oficialmente R$ 2.299 no Brasil, exatamente no momento em que escrevo este review, sendo quase metade do valor do aparelho. E, considerando que a maioria dos recursos novos usam SSD, eventualmente ele será uma necessidade.

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Porém, olhar puramente para números não é o que nos mostra a realidade da nova geração. Tornou-se comum utilizar como benchmark os famosos teraflops, mas a realidade é que eles mostram somente um lado da equação. Até porque, se essa fosse a única métrica, na prática o Xbox Series S seria menos poderoso do que o One X, o que não é a realidade. O que importa é o que está embaixo do capô: uma nova arquitetura no chip gráfico e um salto geracional da linha AMD.

O que realmente vemos é um console poderosíssimo de nova geração capaz de rodar muitos games que estão por vir, o qual se beneficia de uma nova arquitetura para trazer experiências inéditas no futuro. Nesse momento, já é possível ver algumas dessas melhorias de vida na prática, mas relaxa que já falamos sobre isso.

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Usabilidade do sistema: não se mexe em time que está ganhando (mas sem novidades)

Apesar de estarmos vendo um salto geracional muito grande, a sua experiência ao ligar o Xbox Series X pela primeira vez talvez não traga nenhuma surpresa, pois a interface continua a mesma do Xbox One e do One X. Na realidade, isso não é algo ruim.

A atualização de dashboard do Xbox One veio recentemente e preparou terreno para o que estava vindo. O que acontece, na verdade, é que a interface da nova geração também chegou à geração atual, mas é mais bem otimizada no Xbox Series X.

O que você vai encontrar no novo console da Microsoft é um ecossistema extremamente fluido, sem engasgos, decorrente do uso de SSD e memórias RAM de altíssimas velocidades. Sim, a experiência pode ser a mesma, mas ela é aproveitada de forma melhor no Series X. Ao testar extensivamente os consoles antigos e trazer comparações, fica claro como o hardware antigo sofre vez ou outra com menus e transições.

Um dos trunfos do novo Xbox está em uma nova funcionalidade chamada de Quick Resume. Basicamente, o video game aproveita a altíssima velocidade do SSD para criar “estados de salvamento” de jogos, permitindo a você retomar outros games que havia deixado de lado, só que no ponto onde parou. O que acontece por trás dos panos é que o espaço do jogo alocado na memória RAM é colocado em cache no SSD, então é como se o jogo ainda estivesse em funcionamento, mas em outro lugar.

A transição é muito rápida, durando de 6 a 8 segundos para voltar a jogar exatamente no ponto em que havia parado, sem ter que recarregar tudo de novo. Trata-se de um recurso muito bom, que traz comodidade e conforto para as pessoas que costumam jogar diversos títulos ao mesmo tempo. Inclusive, você pode até desligar o console que ele ainda vai funcionar.

Contudo, ainda falta um pouco de clareza no funcionamento do recurso. Na teoria, o Quick Resume funciona com 4 a 12 jogos, mas a quantia depende de quais deles estão usando a funcionalidade. Games da nova geração demandam mais recursos e tornam a quantia mais limitada, enquanto jogos retrocompatíveis necessitam de menos recursos.

Idealmente, o Xbox Series X deveria ter uma aba dedicada ao Quick Resume para sabermos precisamente quais são os títulos que estão usando o recurso. No momento do review, é sempre uma questão de sorte saber se o Quick Resume vai ser ativado.

Jogos como Yakuza Like a Dragon, por exemplo, frequentemente saem do Quick Resume sem nenhum motivo. Na prática, é um ótimo recurso, mas não ter uma organização dele passa uma falsa segurança: é fácil perder progresso com jogos que deixam de ficar no Quick Resume e é muito ruim não ter como gerenciar o que usa ou não a funcionalidade. Certamente, isso pode ter melhorias por meio de atualizações de software, mas por ora é uma crítica ao atual modelo.

Jogos: como funciona o principal atrativo do Xbox Series X?

Chega de entrar nos detalhes mais técnicos, afinal, consoles são feitos para jogar, não é mesmo? Então, o Xbox Series X tem uma lineup de games crossgen, ou seja, jogos que foram lançados para a atual geração do Xbox One e PS4 também.

Diferente do que vimos em 2013 com diversos títulos que usavam o poder das novas máquinas, como Ryse, Dead Rising 3 e Forza Motorsport 5, desta vez temos games já lançados que utilizam um poder de fogo sobressalente para novos recursos.

ALineup de jogos exclusivos de Xbox One no lançamento

A CPU e GPU turbinadas conseguem realizar feitos que a antiga geração simplesmente não conseguia, acrescentando vários recursos gráficos, como distância de renderização, texturas melhores que usam a VRAM adicional, resoluções maiores do que almejam o 4K, framerate na casa dos 60 fps (ou até mesmo 120 fps), sistema de iluminação, ray tracing e muito mais.

Na teoria, o Xbox Series X deve se sobressair como o console mais poderoso da geração, mas teremos que esperar comparativos mais técnicos para consolidar qual é a abordagem que será melhor. Assim, separei alguns jogos para mostrar as melhorias imediatas que você pode esperar do console em seu lançamento, das mais sutis às mais brutais.

Gears 5

Gears 5 desde o lançamento terá um patch de melhorias no Xbox Series X, trazendo resoluções maiores em 4K na campanha (que tem até o ator Dave Bautista como Marcus Phoenix), iluminação global via ray tracing, 50% a mais de partículas do que o Ultra do PC e muito mais. Quando comparado com a versão de One X, vemos diversas melhorias de sombras, iluminação e resoluções maiores.

Neste primeiro momento, Gears 5 ainda utiliza resolução dinâmica no novo console da Microsoft, ficando na média dos 1728p (informações do Digital Foundry), mas com muitos aprimoramentos gráficos e em 60 fps, enquanto no One X, essa resolução ficava frequentemente perto do 1080p. Gears 5 é o primeiro a utilizar o VRS, o Variable Rate Shading, que usa elementos de pouco destaque na tela e os renderiza com resoluções menores, garantido poder de fogo adicional à GPU e sem quase nenhuma diferença gráfica na prática.

No multiplayer, caso o jogador faça a opção e tenha a TV compatível, pode dobrar a taxa de frames, jogando em 120 fps com resoluções menores, priorizando o tempo de resposta e suavidade de imagem. Consegui testar a funcionalidade usando um monitor Predator X27 e, de fato, é muito perceptível jogar em 120 fps. Não é algo que traga vantagens absurdas, mas ter fluidez extra, menor tempo de resposta e um controle que tem comandos mais rápidos é uma combinação poderosa para trazer precisão e reflexos mais rápidos no multiplayer.

Forza Horizon 4

Forza Horizon 4 utiliza todo o potencial já visto no PC, entregando uma jogatina “crocante” em gloriosos 4K e 60 fps, com 4X MSAA, uma técnica de antisserrilhamento bem-custosa. Comparando o resultado à antiga geração, o Xbox One X roda em 1080p e 60 fps ou 4K 30 fps. No Xbox One, apenas 1080p e 30 fps.

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Yakuza Like a Dragon

Yakuza: Like a Dragon oferece duas opções gráficas: 1440p em 60 fps constantes ou 4K nativo em 30 fps. Para termos de comparação, o Xbox One X renderiza a imagem um pouco acima de 1080p e apenas em 30 fps, enquanto o Xbox One fica abaixo de 900p e em 30 fps também.

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Vale lembrar que nem todos os games citados funcionam na atual arquitetura Velocity da Microsoft e, por consequência, não estão extraindo o máximo do console. Mas mesmo assim vemos tempos de loadings consideravelmente mais baixos no novo aparelho e recursos bacanas.

Um rápido adendo: infelizmente, minutos depois de gravarmos todo o conteúdo e começar a edição do review, a Microsoft informou que a Codemasters não permitiu que falássemos sobre a experiência de Dirt 5 nos novos consoles até a data desta de publicação desta análise. Portanto, ficaremos desfalcados sobre um comparativo, mesmo já testado e colehndo opiniões embasadas. Além disso, a empresa também informou que alguns títulos estão com problemas no Quick Resume e um patch está em andamento através das desenvolvedoras, o que pode explicar os problemas que tivemos com Yakuza: Like a Dragon.

Como ficam os games ao lado de um PC parrudo?

E quando colocamos esses colossos lado a lado com um PC compatível? Afinal, o ecossistema da Microsoft engloba a plataforma, incluindo Game Pass e Play Anywhere, games que podem ser jogados tanto no computador quanto no Xbox. Aqui, os resultados variam caso a caso. Como benchmark, utilizamos uma RTX 2080 Ti, a placa da Nvidia que mais se equipara à GPU do Xbox Series X.

Gears 5 no PC foi a maior surpresa em relação ao Series X. Além de parecer melhor, foi possível rodar com tudo no Ultra, inclusive alguns detalhes no Insano, que vai além do Ultra, em 60 fps e 4K nativo, sem resolução variável do console, que fica nos 1728p. Alguns elementos, como oclusão de ambiente e sombras, pareciam melhores no computador, mas é difícil saber se é a Iluminação Global do Series X em ação, criando uma diferença artística, ou uma qualidade menor. Não vamos cravar um campeão na configuração gráfica, mas você pode ver nas imagens as diferenças entre cada um.

Abaixo, você confere um comparativo de imagem do Xbox One, Xbox One X, Xbox Series S, Xbox Series X e PC, nesta sequência, mostrando sombras e outras diferenças entre as versões:

Yakuza: Like a Dragon foi outro game que, aparentemente, na versão de PC ainda se sobressai, mesmo que em detalhes minimalistas. No PC, com tudo no Ultra, vemos sombras melhores, e é possível rodar o game em 4K na faixa dos 55 fps, enquanto que, no Series X, 4K é apenas em 30 fps e 1440p para 60 fps.

Abaixo, você confere um comparativo de imagem do Xbox One, Xbox One X, Xbox Series S com modo performance e resolução, Xbox Series X no modo performance e resolução, e PC, nesta sequência, mostrando sombras e outras diferenças entre as versões:

Retrocompatibilidade melhora o que já era quase perfeito

Os jogos da nova geração ainda estão escassos, há muitos outros recursos que ainda podemos falar sobre jogos. A retrocompatibilidade é uma das cerejas do bolo do Xbox Series X e deve aprimorar ainda mais o que já era ótimo. Em uma grande bateria de testes, consegui colocar à prova a diferença entre 4 consoles e ver na prática as adições do método Heuchy, uma das grandes tecnologias da Microsoft.

A partir de agora, a nova geração de Xbox automaticamente implementa 3 recursos incríveis em títulos de Xbox Original, Xbox 360 e Xbox One: filtro anisotrópico de 16x, Auto HDR e poder de fogo maior para rodar games em framerate mais altos em alguns casos. Caso instale os jogos no SSD do console, você ainda se beneficia de um 4º recurso, que é o carregamento consideravelmente mais rápido.

No Xbox One X, títulos seletos utilizavam o método Heuchy para trazer filtro anisotrópico 16x e 4K. No Xbox Series X, todos os jogos de gerações passada automaticamente têm filtro de 16x, que melhora significativamente a filtragem de texturas, como o chão em Kingdom Hearts 3 do Xbox One. Vemos a mesma coisa acontecendo quando comparamos Final Fantasy XV com o Xbox One X e One Fat. Abaixo, você vê a diferença entre o Xbox One, Xbox One X e Xbox Series X.

Acima, você confere Kingdom Hearts 3 no Xbox One X vs. Xbox Series X: veja as texturas do chão com filtro anisotrópico 16x.

Games que rodam com framerate desbloqueado ou têm a opção de desempenho do Xbox One X utilizam o poder da GPU e CPU do Series X para normalizar as carências de geração. Em outras palavras, títulos como Monster Hunter World, Kingdom Hearts 3, Final Fantasy XV agora rodam em 60 fps sem quedas ou mínimas, além de se beneficiarem do filtro anisotrópico 16x, ausente na época, e o Auto HDR, que faz milagres na qualidade da imagem (como você pode ver em fotos tiradas da TV para quem não tem monitor HDR). Abaixo, imagens sem HDR e com Auto HDR:

Tempos de carregamento também melhoram significativamente. Anthem, um jogo com sérios problemas de loadings que chegam a atrapalhar a jogatina, passa de 2 minutos e 15 segundos no Xbox One para 1 minuto e 5 segundos no Series X. Monster Hunter World passa mais de 20 segundos no One X para apenas 6 segundos no Series X.

O método Heuchy ainda promete um último milagre que pelo menos durante o período do review não estava disponível. Alguns jogos seletos, como Fallout 4, que não tem framerate desbloqueado (ou seja, travado a no máximo 30 ou 60 fps), vão dobrar, passando de 30 para 60 fps ou 60 para 120 fps. Esses exemplos devem ser mais escassos, iguais aos jogos retrocompatíveis em 4K no Xbox One X, mas mostram mais um dos trunfos da retrocompatibilidade da Microsoft.

Outros recursos para ficar de olho no futuro

Infelizmente, nenhum dos games que tivemos disponíveis no acesso antecipado ao console ofereciam recursos avançados de nova geração, como ray tracing. Watch Dogs Legion será o 1º jogo a utilizar o recurso acelerado por hardware, mas teremos que esperar para ver como ele se compara à tecnologia do PC.

Há ainda outros recursos que ainda não vimos na prática, mas estão nativamente na arquitetura do Xbox Series X, como o VRR, o Variable Rate Shading, que sempre usa a melhor taxa de atualização da TV possível, como 120 Hz, para oferecer mais responsividade e fluidez em games.

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O DirectML é outra tecnologia interessante, que usa Machine Learning do DirectX, que promete melhorar a inteligência de NPCs, qualidade visual e até de animações. Outro recurso que estamos loucos para ver na prática é o SFS, o Sampler Feedback Streaming, que gerencia texturas em 4K com maior inteligência e carrega apenas texturas necessárias para uma cena, deixando a VRAM da GPU livre para outras coisas, evitando desperdício de recursos de RAM e SSD também.

Ray tracing é um dos principais recursos vindo do PC e certamente terão um papel importante nesta geração. Contudo, até o momento da análise, nenhum jogo utiliza a funcionalidade acelerada por hardware e não há como saber como ela se compara com as atuais placas de vídeo da Nvidia. O único jogo confirmado no lançamento é Watch Dogs Legion e, segundo informações oficiais, terá ray tracing em um modelo gráfico de 4K e 30 fps, mas com qualidade um pouco inferior à do PC.

A realidade é que o Xbox Series X é um video game muito poderoso e que mal arranhamos a superfície do seu potencial no lançamento. Console é uma caixa fechada e mais fácil de se otimizar. Certamente, devemos ver o grande potencial do aparelho utilizado em breve, mas não durante o lançamento.

Design robusto, compacto, silencioso e com ótimo resfriamento

Apesar de monstruoso em performance, o Xbox Series X surpreendeu bastante em seu design robusto, mas elegante e extremamente silencioso e refrigerado. Se você imagina que tamanha potência causa aquecimentos sérios, pode se preparar para ser surpreendido igual eu fui.

Inicialmente, vamos ao básico: o Xbox Series X é um aparelho compacto em relação ao que tem a oferecer. Apesar de não ser muito grande, a Microsoft optou usar outras medidas e um design incomum para combinar todas as peças. Na realidade, ele é ainda menor do que parece e pode ser usado tanto deitado quanto de pé.

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A empresa seguiu as diretrizes de design desde o Xbox One S e trouxe um produto robusto, com aparência premium, com cores lindas, continuando o cinza-chumbo característico do One X. O video game ainda conta com o drive de discos de Bluray, que pode ser usado tanto para jogos como para filmes em 4K.

Um detalhe esquisito é que, por mais que a tonalidade seja preto fosco, o console fica com muitas marcas de dedos. Você não vai ficar mexendo o tempo todo, mas se prepare para ver marcas de gordura. Por fim, videogame ainda conta com o drive de discos de Blu-ray, que pode ser usado tanto para jogos tanto para filmes em 4K.

O que você terá ao abrir a caixa, além do aparelho, é um controle, um par de pilhas, um cabo HDMI 2.1 para aproveitar de cara 4K a 120 Hz ou até 8K a 60 Hz, além de um cabo de força para ligar na tomada, sem a necessidade de uma fonte externa igual ao do Xbox One original.

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Nesse quesito, vale destacar alguns aspectos. O novo console da Microsoft deixou de lado algumas características da geração passada, como o conector para Kinect, a entrada HDMI para outros dispositivos, a saída de áudio óptica usada para home theaters e também não traz mais um headset para conversação. Além disso, a caixa não traz um cabo USB-C para quem quiser jogar conectado diretamente no console. Não são críticas, mas informações que talvez você queira saber.

Durante o uso excessivo do aparelho, nunca notei barulhos relevantes o suficiente para ser mencionados nesta análise. Na verdade, o aparelho é tão silencioso, mas tão silencioso, que mal é possível saber a diferença quando está ligado ou desligado. O Xbox One X já era silencioso, mas era audível, diferente do Series X.

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Nesse sentido, mesmo quando o console está sob uso pesado, a temperatura sempre se manteve morna. Sim, morna mesmo, mal dá para chamar de quente. Isso ocorre por conta da arquitetura de resfriamento paralelo, que usa o espaço da carcaça de forma inteligente para deixar tudo muito frio.

Controle quase igual, mas traz mudanças essenciais

O controle do Xbox One é icônico por sua ergonomia que poucos batem de frente. Mais uma vez, a Microsoft decidiu não mudar “o time que está ganhando” e apenas refinou o que já era ótimo, retornando com a entrada P2, conexão Bluetooth e entrada para acessórios. Em uma rápida olhada, o controle do Xbox Series X parece virtualmente idêntico ao anterior, apenas com um botão de captura dedicado.

Na prática, as mudanças são um pouco mais profundas. O novo acessório está levemente menor, tem entrada UBS-C e traz texturas antiderrapantes na traseira e nos gatilhos, tornando-se ainda mais confortável durante o uso. O D-Pad, as famosas “setinhas”, também foi repaginado e segue o design do Elite Controller, com responsividade e uso muito melhores do que você pode imaginar.

O botão “Share” é uma grande adição e traz funções customizáveis para capturar vídeos, imagens e compartilhar seus feitos nas redes sociais. E, caso queira usar o controle no seu Xbox One, pode ir sem medo: tanto o controle de One quando o do Series funcionam em ambos os consoles.

Continuando de modo mais aprofundado, há tecnologias em ação que melhoram ainda mais a experiência, como a conexão mais fácil com o Windows 10 para jogadores de PC e o recurso DLI, ou Dynamic Latency Input, que basicamente faz com que a taxa de atualização do console em busca de comandos seja aumentada, gerando ainda menos lag na inserção de comandos.

Por fim, há uma única observação: a discussão já foi motivo de brigas na internet por anos, mas a realidade é que o controle ainda utiliza pilhas. Por mais prática que seja a solução em relação a acessórios que estragam a bateria interna, creio que a solução perfeita seria ter o espaço para pilhas, mas já vir de fábrica com a bateria do kit Play and Charge, que ainda é vendido separadamente.

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Dessa forma, trocar baterias esgotadas ou quebradas seria o melhor dos dois mundos, afinal o espaço das pilhas ainda estaria ali. Pelo menos você ainda pode usar a sua bateria antiga de controles de Xbox One, mas vai precisar de um cabo USB-C separado.

Sistemas e serviços continuam como um forte pilar

Continuando a fundação extremamente consolidada que a Microsoft construiu por anos, o Xbox Series X está preparadíssimo para ter o melhor ecossistema de serviços e funções dos consoles. Se você preza pela altíssima qualidade do Game Pass, saiba que estará bem atendido.

A Microsoft está expandindo cada vez mais o serviço, que agora é até unificado com o EA Play, o equivalente da EA Games. Além disso, a empresa está bastante focada em seu selo Smart Delivery ou “Entrega Inteligente” (tradução oficial em português), que faz com que jogos da geração passada não precisem ser comprados novamente na nova geração, tenham saves e até mesmo crossplay entre as gerações.

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Vale a pena?

Xbox Series X é um monstro, isso é fato, mas não no sentido pejorativo da palavra e sim como uma máquina extremamente poderosa, elegante e com tudo o que você pode esperar de um aparelho top de linha e com uma engenharia invejável. Silencioso, com ótimo resfriamento e capaz de bater de frente com alguns PCs extremamente fortes da atualidade.

O salto geracional é gigantesco e é muito evidente que gargalos de CPU e GPU quase desaparecem neste primeiro momento de 2020. Sem dúvidas, o Xbox Series X é um ótimo console para quem vai permanecer no lado Xbox, extremamente atraente para quem quer mudar de lado e até mesmo uma solução muito viável para quem quer comodidade ou custo-benefício melhor a curto prazo em relação a um computador similar.

Como qualquer produto que exista por aí, o Xbox Series X tem sua fatia de críticas. O Quick Resume ainda carece de uma interface que o deixe melhor e o SSD ainda sofrerá problemas de falta de armazenamento. Recursos, como o ray tracing, ainda precisam ser colocados à prova, já que dessa vez não há um jogo first party que extraia cada recurso e “esprema todas as gotas do suco potente” que o hardware tem a oferecer.

Contudo, também há diversos recursos novos que são grandes trunfos para Microsoft continuar a se fortalecer como uma gigante dos video games, como o Quick Resume e serviços igual ao Game Pass. Certamente, o alicerce criado agora é promissor e o Xbox Series X mostrou que não veio para brincadeiras. Em breve, veremos jogos incríveis utilizando todo o poder desse monstro desenfreado e sem coleiras, mas teremos que esperar um pouquinho para ver todo o potencial em ação.

O Xbox Series X foi gentilmente cedido pela Microsoft para a realização desta análise.

Review Xbox Series X: o monstro chegou e não está para brincadeiras