Preview: Wasteland 3 tem combate primoroso, mas peca em alguns pontos

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Uma espécie de “parente distante” dos primeiros games da franquia Fallout, os jogos de Wasteland conquistaram alguns fãs com o seu modelo tático de combate, onde cada estratégia deve ser pensada nos mínimos detalhes para estar um passo à frente dos inimigos.

Wasteland 3 começou a ser desenvolvido graças a um financiamento coletivo que, pasmem, atingiu incríveis US$ 2,75 milhões em apenas três dias no ar, deixando uma folga de 24 dias até o final da campanha de arrecadamento. O financiamento acabou com a gorda quantia de pouco mais de US$ 3,100 milhões.

Anunciado oficialmente durante a E3 2019, o game da inXile Entertainment, com Brian Fargo na liderança, manteve a fórmula dos anteriores e teve uma evolução natural. Você integra o time de sobreviventes do Team November, um esquadrão Ranger que foi deslocado até o Colorado, em meio a um caos nuclear e com tempestades de neve como plano de fundo. Os residentes desta região assolada, no entanto, não estão cientes de que os Rangers ainda existem.

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A inXile gentilmente nos enviou uma chave de preview de Wasteland 3 e gostaria de deixar claro que a cópia que jogamos faz parte de um alpha test, ou seja, não é o jogo em sua versão final, fazendo com que alguns problemas técnicos fossem totalmente aceitáveis. Então, sem mais delongas, bora para as primeiras impressões!

Futuro pós-apocalíptico: o arroz e feijão das histórias de Wasteland

Um cenário de pós-apocalipse é um tema que acabou se tornando clichê na franquia, no terceiro título não seria diferente. Como dito acima, Wasteland 3 se passa no inverno do Colorado, onde grandes tempestades de neve compõe a ambientação do game.

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“Wasteland”, como o próprio nome sugere - terreno baldio e abandonado - significa um Colorado dominado por facções com apenas um objetivo em mente: a sobrevivência. Os malditos Dorseys (a facção que você enfrenta no jogo) não fazem cerimônias para sobreviver e acabam se tornando verdadeiros psicopatas para atingir este objetivo.

O clima pós-apocalipse aqui é bem focado na sobrevivência e no recolhimento de recursos, apesar de vários outros jogos terem a mesma temática, em Wasteland 3 existe uma boa sinergia e não se trata apenas sobre a "matança desenfreada" das facções inimigas.

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O massacre da tropa de Rangers logo nos primeiros minutos de gameplay acaba se tornando o principal motivador para eles ajudarem as pessoas da cidade de Colorado Springs, que também está em guerra contra esta facção. A cidade é liderada pelo grande "Patriarca", junto dos Marshalls, também conhecidos como Xerifes e subordinados deste patriarca. O jogo consegue te motivar o suficiente para enfrentar os Dorseys pois cada encontro com esta facção é uma vontade diferente de acabar com eles.

O rico diálogo de Wasteland 3 merece destaque por deixar o enredo redondinho, te colocando sempre a postos para tomar decisões e escolher a melhor opção para diversas situações, tanto para iniciar combates quanto para fugir deles, o que acaba deixando o jogo mais dinâmico e divertido, um excelente ponto positivo e que foge da monotonia.

O bom e velho tatics de forma robusta

Para quem não é familiarizado com o gênero de Wasteland, ele é basicamente o mesmo apresentado em Xcom, os primeiros Fallout e lembra um pouco de Final Fantasy Tactics, apesar de ser temáticas totalmente diferentes. O jogo tem apelo na exploração, onde é possível entrar em combate vez ou outra no mapa. É assim em basicamente todos os jogos da franquia.

No entanto, Wasteland é conhecido por ser um RPG muito rico em detalhes, sendo portador dos mais variados itens com os mais variados efeitos possíveis, trazendo um apelo fielmente tático e com um grande arsenal a seu favor. Cada arma tem seus próprios efeitos e muitas partes do cenário são interativos, ou seja, estes dois aspectos alinhados proporcionam um combate diferenciado e estratégico, fugindo de mesmices

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Diferente do segundo jogo da franquia, em que era possível montar uma equipe de até 4 pessoas (cada um com uma habilidade peculiar), no terceiro título você escolhe pares pré-determinados com cada um exercendo uma função específica, ou pode simplesmente criar seus personagens. Se você escolhe um personagem com uma “lábia” afiada, por exemplo, é possível sair de algumas situações ou convencer o inimigo a não matar um refém. Obviamente este é apenas um dos casos, mas existem diversos outros como manuseio de armas corpo a corpo, lockpicking, entre outros.

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Apesar de apenas dois personagens exercerem bem as funções dentro do jogo, senti falta de um grupo maior, pois constantemente você é abordado por grupos de 4 ou mais Dorseys para enfrentar e, apesar de ser balanceado, exige uma análise um pouco mais aprofundada da situação. Vale ressaltar que também é possível otimizar algumas habilidades específicas

Seguindo o padrão do formato tático, aqui você possui 8 AP (“action points” ou “pontos de ação” em tradução livre), assim como em outros jogos do gênero, eles são necessários para ditar a sua estratégia, onde você os utiliza para se deslocar entre barricadas, flanquear ou atacar os inimigos. Vale lembrar que esses pontos são utilizados apenas em combate, então pode explorar tranquilo o mapa, pois eles só são ativados quando se encontrar algum inimigo.

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Como a ambientação é propícia e oferece recursos para fugir de mesmices, cada situação de combate é peculiar. Outro ponto positivo que vale ser mencionado é o diálogo ácido que deixa o jogo com cara séria e clima tenso, muito descontraído.

Performance e detalhes técnicos carecem de polimento

Como nem tudo é um mar de rosas, infelizmente alguns erros de performance acabam atrapalhando a experiência em Wasteland 3. O jogo foi analisado em uma máquina parruda (com um Ryzen 3900x, uma RTX 2070 Super e um SSD NVMe) e mesmo com a configuração no máximo fiquei refém da baixa taxa de quadros, que em alguns momentos oscilava entre 25 e 50 de fps, dando uma engasgada em algumas partes.

A modelagem dos personagens é outro ponto a desejar, um detalhe que faz parecer que o time de desenvolvimento gastou tanto tempo aprimorando os cenários e ambientes que acabaram esquecendo deste aspecto técnico. Obviamente, isso não impacta em absolutamente nada no gameplay, mas é um detalhe que não dá para passar despercebido.

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Alguns outros erros também me frustraram durante o gameplay, como um momento onde precisava passar por um portão que não abria, pois a caixa de energia havia bugado, e apenas com um carregamento do último checkpoint, consegui acessar novamente o dispositivo e abrir o portão. Este é um problema sério de progressão e precisa ser consertado até a data de lançamento, sem dúvidas.

O clique nos corpos para o loot também incomodam um pouco, pois não são precisos, alguns pequenos bugs no mapa e a trilha sonora fraca compõe o elenco de problemas que podem facilmente serem consertados até 19 de maio.

Outro ponto importante a ser mencionado é que o game estava com legendas em inglês, no entanto, a Deep Silver já havia divulgado um trailer com legendas em PT-BR, então é quase certo que no lançamento ele possa estar localizado para o nosso idioma.

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Ressaltando novamente: o jogo não está em sua versão final e com certeza vai passar por um pente fino antes da data de lançamento prevista.

Wasteland 3: uma ótima primeira impressão

O conjunto de Wasteland 3 com certeza é digno de hype. Orquestrado de uma boa história e um combate que foge da monotonia, o game com certeza entrou no nosso radar. Se alguns detalhes técnicos, como os apontados acima, tiverem a merecida atenção, o game da inXile Entertainment pode atingir boas notas no lançamento.

Wasteland 3 será lançado no dia 19 de maio de 2020 para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Fontes

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