Pode parecer clichê dizer isso, mas a verdade é que, com a popularização dos computadores, o mundo da informática mudou muito nos últimos anos.

Máquinas que antes eram restritas a uma parcela limitada da população, hoje são acessíveis a vários consumidores. Ainda bem que mais pessoas podem aproveitar a tecnologia, se divertir e desfrutar de várias facilidades.

Entretanto, nos últimos anos, um segmento em especial cresceu de forma estrondosa e deu espaço para alguns conceitos enganosos. Nós estamos falando dos PCs gamers. Sonho de consumo de muitos, realidade de poucos.

Na verdade, o crescimento desenfreado deste setor deu espaço para muita gente experimentar novos jogos, mas também serviu para a popularização de componentes de baixa qualidade que fazem uso indevido do termo. Malandragem de algumas empresas que lucram fácil, mas uma grande sacanagem para o consumidor.

Atualmente, muitos computadores que aparecem anunciados em lojas físicas e até na web são ofertados como modelos da categoria gamer. Acontece que, muitas vezes, as peças utilizadas não se encaixam num nível de performance capaz de entregar toda a experiência que uma máquina gamer deve oferecer. Aí que surge a dúvida: afinal, o que define um PC gamer?

Origem e uso do termo

Como você deve imaginar, a palavra gamer vem do inglês e significa “aquele que joga um jogo” ou simplesmente “jogador”. Entretanto, tecnicamente, o termo teve sua origem no século XVII, quando era empregado para designar pessoas que participavam dos “war games” — que eram jogos de tabuleiro para simular um cenário de guerra, algo típico da época.

No começo do século XX, as pessoas não usavam muito essa palavra, até porque poucos se identificavam com a definição da época, que servia mais para fazer referência a caçadores. Contudo, depois do sucesso estrondoso dos videogames e computadores, a palavra gamer mudou muito e hoje é empregada em diferentes situações.

Teoricamente, qualquer um que joga — seja lá o que for — pode ser considerado um gamer, independente se ele é bom, ruim, noob, novato, profissional, expert, mestre ou qualquer outro adjetivo comumente usado. Há gamers dos mais variados tipos e que se encaixam em diferentes gêneros, como aqueles que se dedicam a jogos casuais, FPS, RPGs e por aí vai.

Entretanto, quando falamos de computadores gamer, a história muda um bocado. Nem todo computador com placa de vídeo é um PC gamer e nem todos que usam o computador como plataforma de jogos são gamers.

Não é porque você bate uma bolinha no fim de semana com os amigos que isto significa que você é um jogador de futebol. Da mesma forma, ter uma carteira de habilitação e um carro, mesmo que seja um esportivo, não faz de você um piloto.

Quando falamos em gamers, temos colocações semelhantes. Uma pessoa que curte jogar de vez em quando não é um gamer propriamente dito. Veja bem, não somos donos da verdade, tampouco queremos ofender aqueles que jogam Candy Crush e se dizem gamers, mas é preciso impor limites, principalmente para entender a questão comercial do segmento gamer.

Vamos mergulhar no assunto e buscar compreender melhor o que é necessário para ter uma máquina gamer.

O que é importante numa máquina gamer?

Muitos jogadores dizem que uma máquina gamer é essencialmente definida por sua placa de vídeo, alegando que ela é a única responsável por conseguir mais desempenho ou, como costumam dizer, mais frames por segundo. De fato, a GPU tem importante papel nos jogos, sendo o principal componente para o processamento bruto, mas a história não é tão simples.

Entusiastas, fabricantes de hardware e jornalistas do ramo discordam plenamente desse tipo de afirmação, já que uma placa de vídeo só não faz verão em 4K. A experiência do jogo está diretamente ligada ao conjunto completo, de modo que a memória RAM, o processador, a placa-mãe, a placa de rede, a placa de som e todos os periféricos devem acompanhar a performance do chip gráfico.

De nada adianta você ter duas placas de vídeo de alto desempenho, mas usar uma placa-mãe que não dá o suporte necessário para extrair todo o desempenho dos componentes, situação em que uma placa roda em configuração PCI-Express x16 e outra em x4.

Da mesma forma, gritar aos quatro cantos do mundo que seu computador é poderoso, mas não ter uma experiência satisfatória nos games por limitações de processador (quando há gargalo) não é o tipo de atitude de um gamer de verdade.

Tudo bem, você pode rodar jogos, mas não terá a mesma experiência de alguém que planejou uma máquina com os devidos cuidados. Não estamos dizendo que um PC gamer é somente aquele que tem o melhor da tecnologia e a configuração mais robusta do mercado. De forma alguma, não é preciso ter o melhor processador da Intel e a melhor placa da NVIDIA.

Alguns notebooks, por exemplo, contam com chips gráficos da NVIDIA e AMD, mas, muitas vezes, esses componentes são apenas para dar uma ajudinha na execução de programas como Photoshop e outros similares. Tais peças até podem servir para games mais simples ou mesmo para rodar um jogo com boa qualidade visual, mas isto não faz seu notebook ser um gamer.

É preciso ter em mente que nem sempre um desktop com uma “placa de 2 gigas” ou um processador quad-core pode ser classificada como gamer. Computadores desta categoria devem trazer uma combinação de peças que sejam capazes de propiciar uma boa experiência em jogos, aliando alto desempenho de todos os componentes.

Questão de orçamento e planejamento

Para entender melhor essa questão das máquinas gamers, é preciso entrar em outro assunto importante: o preço. Conforme dito acima, um PC dedicado a jogos não precisa ter os produtos mais recentes do mercado — ou seja, não precisa custar valores abusrdos.

É perfeitamente cabível montar uma configuração com uma placa de vídeo de uma geração anterior, mas que ainda oferece alta performance. Da mesma forma, você pode ter um PC com placa de vídeo intermediária (seja uma GTX 960 ou uma Radeon R9 280), um processador de boa performance (digamos que seja um Intel Core i3 ou um AMD FX-6300) e ter uma experiência legal.

De fato, ninguém é obrigado a gastar rios de dinheiro para ter um PC gamer. E nós sabemos que é muito complicado investir tanto em um computador desses aqui no Brasil, quando temos placas top por preços que chegam a 4 mil reais. Todavia, é preciso ter em mente que suas limitações de orçamento vão impor barreiras no aproveitamento dos jogos.

Na verdade, essas questões de orçamento fazem parte do planejamento, algo que começa muito antes de passar o cartão de crédito na loja. Ter o empenho de pesquisar, conferir análises, ir atrás das informações técnicas, procurar entender as tecnologias e, então, decidir as peças são atitudes essenciais na montagem de um computador para jogos.

O que queremos deixar claro é que você pode ter um computador gamer equipado com uma placa de vídeo intermediária e peças mais baratas, mas o restante da configuração deve acompanhar o desempenho. Um processador mais simples de dois núcleos lá de 2010 talvez não seja o mais indicado para garantir uma experiência sólida nos jogos.

Um probleminha com nomes

Uma coisa que foi generalizada de forma muito errada é a classe das placas de vídeo voltadas à execução de gráficos tridimensionais. Parte da culpa é da própria NVIDIA e da AMD, que erraram ao manter o nome de algumas linhas de componentes em produtos destinados a tarefas mais simples.

A linha de chips GeForce deveria ser especificamente voltada aos dispositivos gamers, ou seja, produtos mais robustos que podem realmente executar os jogos mais recentes com boa qualidade gráfica. O mesmo acontece com os produtos da série Radeon, que suspostamente seriam para o máximo em performance.

Acontece que, por questões estratégicas de mercado, as fabricantes acabaram mantendo esses nomes em componentes mais simples, que geralmente só são capazes de rodar joguinhos mais básicos. O resultado é que temos alguns chips disponíveis no mercado que não entregam o desempenho esperado num computador desse tipo.

Há muitos consumidores que foram enganados por lojistas ao comprarem máquinas de jogos que trazem placas como a GeForce 720 (que traz 1 GB de memória DDR3), a qual não é destinada a rodar games em alta definição e com boa qualidade visual — algo que o consumidor espera de uma máquina gamer. Enfim, é preciso ficar ligado nos detalhes.

As malandragens de mercado

Bom, além dessas questões de hardware e nomenclaturas, é preciso enfatizar algumas questões sobre periféricos voltados aos computadores gamers. Não são poucas as empresas que abusam do termo para etiquetar seus produtos mais bonitos e tentar empurrar um produto para o consumidor.

No entanto, nem sempre um mouse, teclado, headphone ou qualquer outro componente que traz a palavra gamer vai oferecer bons recursos para o jogador. Essa ideia de apelar para um visual arrojado, com LEDs (algo bem comum em gabinetes genéricos), curvas diferenciadas e uma embalagem que traz algum personagem tridimensional é uma velha tática, mas que acaba sendo muito enganosa.

Às vezes, um dispositivo desprovido de beleza, mas com bons recursos de hardware pode ser muito melhor para quem pretende jogar de verdade. Mais vale ter um mouse com 6.400 DPI do que outro com sistema de LEDs RGB, mas com um sensor de baixa qualidade. O importante é não se deixar levar por nomes e embalagens, mantendo o foco nas especificações e tecnologias.

O recado final é bem simples. Um computador gamer é definido pela experiência que ele entrega. Não se trata de uma placa de vídeo ou um gabinete com luzes neon, mas de um conjunto completo de hardware que oferece a performance que o jogador busca para sua jogatina.

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