Pessoalmente, Martin Sahlin é tão tímido e introspectivo quanto pareceu na já lendária apresentação de Unravel durante a E3 deste ano. Pedindo desculpas por estar sem voz após uma série de entrevistas realizadas no período da Gamescom, o diretor criativo do jogo dedicou alguns minutos de sua atenção ao Baixaki Jogos em uma entrevista concedida no espaço ocupado pela Electronic Arts.

Questionado sobre como a Coldwood Interactive conquistou o palco da maior feira de jogos do mundo, ele afirmou que a relação entre o estúdio independente e a EA já é um tanto antiga. No caso, sua empresa ajudou a trazer Battlefield: Bad Company 2 para os PCs, o que permitiu estabelecer um processo de confiança com a gigantesca publicadora.

Segundo Sahlin, a Electronic Arts soube do trabalho que seu estúdio estava realizando e convocou uma reunião para discuti-lo, demonstrando um entusiasmo sincero pelo projeto. “É meio estranho, porque não é algo que você iria esperar de uma companhia como a EA. Eles talvez não precisem realmente da gente da perspectiva do dinheiro, eles obviamente estão fazendo dinheiro, mas eles precisam de nós do ponto de vista criativo”, explicou.

“Para mim parece melhor que eles estejam fazendo isso porque eles querem fazer, não porque precisam disso. É um projeto que é feito com paixão e que se tornou um projeto apaixonado para eles também”, complementou o diretor.

História a ser experimentada

Questionado sobre a história de Unravel, Sahlin se recusou a entrar em detalhes. Segundo ele, simplesmente apresentar um ponto de vista definido sobre a trama do game pode reduzir a experiência do jogador, que deve vivenciá-la para realmente aproveitar o trabalho que foi desenvolvido.

“Falamos de temas, falamos de amor e saudades, coisas desse tipo, mas não quero dizer muito mais do que isso porque eu estaria limitando a maneira como as pessoas podem entender a história. Era importante deixar isso em aberto e permitir que os jogadores a transformassem em sua própria coisa”, explicou.

Sahlin afirma que a história é completamente dita através da própria jogabilidade do título, com exceção de uma cena inicial que dá o tom da aventura. Assim, ele espera que cada pessoa vá tirar uma interpretação própria do que o game tem a oferecer, embora os temas em geral permaneçam os mesmos.

Inspirações variadas

Questionado sobre o que lhe inspira a criar jogos, Sahlin disse que não há exatamente algo específico que desperta sua criatividade. “Eu tiro minhas inspirações de tantas coisas, não somente jogos. Eu sou inspirado por músicas, por meus filhos, pelo interior. É uma dessas coisas que você acorda e nunca sabe o que vai te inspirar, são várias coisas que chamam sua atenção e despertam a imaginação”, afirmou.

Segundo ele, as influências mais diretas surgidas em jogos eletrônicos são Limbo, que é um título baseado em física, e Journey. “Quer dizer, é um ótimo game por diversas razões”, afirmou ele em relação ao jogo exclusivo para as plataformas da Sony.

Ainda sem data de lançamento definida, Unravel é um game que prova a filosofia mais inclusive que a Electronic Arts vem demonstrando nos últimos anos, assim como a crescente importância de projetos independentes. Segundo o diretor, atualmente a Coldwood trabalha de forma a finalizar o projeto o quanto antes, embora ele não tenha dado uma estimativa de quando isso pode acontecer.

O Baixaki Jogos viajou à Gamescom 2015 a convite da Activision Blizzard.

Via Baixaki Jogos.

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