Um estudo publicado pela The Royal Society nesta quarta-feira (20) levantou uma nuvem de polêmica e preocupação nas comunidades científica e de games. Na pesquisa, jogar games de ação está "associado" com dependências nas estratégias navigacionais do núcleo caudado do cérebro.

Isso significa que os gamers de ação utilizam ações pré-determinadas e "criam" novos raciocínios com menor frequência, o que resulta em um baixo uso da massa cinzenta do sistema nervoso central e em um volume menor de funcionamento da parte do cérebro conhecida como hipocampo, principal componente responsável pela nossa memória e acionado para navegação especial.

O que pode ser desenvolvido quando o hipocampo não é devidamente estimulado? Isso mesmo, o ainda sem cura mal de Alzheimer.

Entendo o experimento

No estudo, cientistas colocaram 26 jogadores de games de ação e 33 não-jogadores para brincarem em labirintos virtuais. Os gamers habituais (80,75% deles) mostraram maior tendência a usar uma estratégia responsiva de navegação do tal núcleo — e isso é inversamente proporcional ao uso do hipocampo. Tal constatação está relacionada (e preste atenção nessa palavra) com desordens mentais desenvolvidas ao longo da vida, como o mal de Alzheimer.

O problema disso tudo é que a tal conclusão não é tão lógica assim — mas a manchete "Call of Duty aumenta risco de Alzheimer" que sites como o britânico (não-gamer) Telegraph publicou é tão suculenta que muitos veículos não resistiram e colocaram as mesmas declarações mesmo sem usar a própria massa cinzenta antes.

Calma, não é bem assim

Como aponta o jornal The Guardian, esse estudo não é tão conclusivo como alguns veículos (e o próprio release da instituição) dão a entender. Ou seja, não há uma linha direta entre jogadores de video games e Alzheimer.

O que acontece é que o aprendizado dos jogadores foi associado em estudos anteriores com o uso do núcleo caudado, o que pode ser associado com volume reduzido no hipocampo, que pode estar associado ao aumento do risco de desenvolvimento de Alzheimer. Em outras palavras? As chances não são nada absolutas e a relação entre o Call of Duty nosso de cada dia e a doença não são comprovadas, somente sugeridas como uma possibilidade.

Além disso, várias outras atividades do cotidiano podem fazer o processo reverso, que é aumentar o volume do hipocampo e diminuir o do núcleo caudado, o que reduziria os riscos. Por isso, tenha calma ao ler estudos apocalípticos que relacionam games com doenças ou distúrbios psicológicos em geral — não que você esteja imune, é claro, mas isso não significa que o seu destino como gamer está traçado e ele será o dessa e de outras doenças.

Via BJ

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