Diariamente, desenvolvedoras liberam novas capturas de tela de um lançamento esperando surpreender o público. Na maioria das vezes, entretanto, parece que há algo errado: a imagem está bonita demais. Não, não estamos duvidando da qualidade do produto — mas é praticamente impossível que a mesma intensidade gráfica das fotografias seja reproduzida no game. Normalmente, isso é comprovado logo depois do lançamento, mais ou menos quando você compra um sanduíche que parecia incrível na ilustração do cardápio.

Em 2005, o site Penny Arcade cunhou um termo especialmente engraçado para essas imagens de divulgação. A palavra é bullshot — variação de um xingamento em inglês que significa "bobagem", mas de uma forma mais arrogante.

Há quem não ligue muito para isso, afirmando que as empresas tem mesmo é que vender o próprio peixe. Já outros jogadores alegam que isso é tentar fazer o consumidor de bobo, algo que está cada vez mais difícil em uma época com internet, streaming de jogos, demos e outros recursos. O site Kotaku encontrou um desses artistas responsáveis por bullshots e perguntou como é o processo minuncioso produção de uma dessas fotos. O resultado é normalmente incrível, mas nada verdadeiro.

Criando um mito

"Frank" não teve o nome verdadeiro divulgado e trabalha com divulgação de imagens há algumas gerações de consoles. Ele conta que o trabalho varia de acordo com o título, mas exige bastante. Capturas de tela de portáteis, por exemplo, têm as texturas de baixa resolução escondidas e bordas serrilhadas "maquiadas" para parecerem naturais. Nos consoles de alta definição, as modificações envolvem adicionar efeitos especiais e aplicar texturas realistas de fotografias de verdade.

Star Ocean é um dos exemplos de games que foram mal nas vendas, mesmo enganando nos bullshots.

Um dos truques mais famosos é modificar a luz e um objeto após trocar a textura dele por outra mais realista. Desse modo, a impressão que fica é que o jogo recebeu uma repaginada dentro do próprio motor do game, sem edições, e é assim que você vai recebê-lo em casa. "Esse é o objetivo de verdade. Apresentar uma versão idealizada da cena ainda aderindo às limitações da engine do jogo", diz Frank.

É aí que Frank revela uma das restrições impostas a ele: o objetivo é só melhorar e ele não está autorizado a inserir mais personagens na tela ou modificar uma arma na mão do soldado, por exemplo.

Os truques

Frank recebeu uma captura de tela comum de Call of Duty e foi desafiado a criar um bullshot a partir dela. Em um trabalho rápido, eis o resultado:

Antes:

Depois:

  • Os trabalhos feitos por ele incluíram os seguintes passos:
  • Ajuste na cor e nas luzes, gerando contraste
  • Suavização do plano de fundo para criar sensação de profundidade
  • Mover a mão esquerda do soldado (que atravessava a arma na original) e redesenhar a arma
  • Adição de luz, sombras e um mapa de gradiente
  • Aplicação de filtro para deixar a imagem mais "fresca", saindo do forno
  • Adição de brilhos na armadura do personagem

As diferenças são poucas e elas não vendem o jogo tão bem assim, mas esse foi apenas um teste. Ainda assim, note como pouco tempo de trabalho já é capaz de repaginar totalmente uma simples captura de tela.

Opa, peguei no flagra!

O site PS Mania fez algumas comparações interessantes de bullshots envolvendo lançamentos da Ubisoft, que foi acusada de exagerar demais na divulgação de supostas ilustrações in-game. Confira na galeria acima a comparação de imagens de Far Cry 4 e Assassin's Creed Unity — e note que a foto "de verdade", ou seja, a que vemos nos gráficos do game, é sempre a mais serrilhada e mal iluminada.

Via BJ

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