Faz tempo que os gamers discutem sobre qual acessório é melhor para determinado tipo de jogo. Em geral, as brigas começam quando alguém resolve discutir sobre jogos, plataformas e as supostas vantagens que existem em um ou outro tipo de controle.

De um lado, os consumidores que possuem consoles usam diversos argumentos para defender seus preciosos gamepads com pinos analógicos e funções especiais. Do outro, jogadores de PC defendem mouse e teclado com unhas e dentes.

Essa briga que não parece ter fim até tem alguma lógica, afinal os dois modos de aproveitar os games têm suas vantagens e desvantagens. Hoje, vamos colocar mouses, teclados e gamepads na arena para discutir qual combinação leva a melhor. Se você é um gamer que defende suas preferências, a leitura deste artigo é altamente recomendada.

(Fonte da imagem: Divulgação/Sony)

Antes de comentarmos sobre os gêneros e as peculiaridades dos acessórios, vamos mostrar quais são as principais características físicas e funcionalidades dos dispositivos. Deixamos claro que nosso artigo considera aspectos gerais dos periféricos, portanto não incluímos sensores de movimento (recurso do DualShock 3) e diversos botões (comum em mouses gamers).

Características do combo teclado + mouse

Você provavelmente já conhece bem um teclado e um mouse, mas, de qualquer forma, vamos listar algumas características importantes deles para os games, confira:

(Fonte da imagem: Divulgação/Microsoft)

  • 101 teclas em um teclado comum;
  • 3 botões e cursor em um mouse comum;
  • Botões com nível único de pressão (não adianta usar a força);
  • Liberdade de movimento (controle rápido de câmera);
  • Precisão absurda do mouse (em certos modelos, sensor de até 6.400 DPI);
  • Adaptável (você pode programar a função das teclas);
  • Ideal para chat (estamos falando de um teclado, certo?).

Características do gamepad

(Fonte da imagem: Divulgação/Microsoft)

  • 10 botões + D-Pad (botões direcionais) e pinos analógicos;
  • Controles graduais (você direciona o ângulo de movimentação);
  • Botões com níveis de pressão (a força aplicada altera as ações no jogo);
  • Botões de fácil acesso (todos os botões são acessados rapidamente);
  • Anatômico e confortável (se encaixa perfeitamente em suas mãos);
  • Funcionalidade para vibrar (um adicional importante para os games).

FPS

O gênero que possivelmente gera mais discórdia sobre o tipo de controle ideal é o dos games de tiro em primeira pessoa (também conhecido como FPS). A grande divergência de opiniões surge quando colocamos um jogo multiplataforma em pauta.

(Fonte da imagem: Divulgação/EA Games)

Muitos jogadores alegam que um gamepad é capaz de oferecer agilidade e precisão na hora do tiroteio. Outros relatam que os jogadores que usam teclado e mouse têm mais vantagens para se movimentar e realizar ações precisas.

Na verdade, jogos do tipo FPS (Crysis, Counter-Strike e derivados) geralmente são muito rápidos e exigem agilidade, precisão e liberdade de movimento. Tais características são facilmente encontradas no combo teclado + mouse. Repare que não estamos dizendo que seja impossível jogar com um gamepad, mas, considerando as características, não temos como dizer que um controle seja o mais adequado.

(Fonte da imagem: Divulgação/EA Games)

Ainda que a movimentação seja limitada pelas teclas WASD — ou seja, não há controle gradual do personagem —, com o mouse você tem rapidez no movimento de câmera e de mira. Na hora de usar uma arma de longo alcance (com sistema de zoom), o mouse também leva vantagem com sua rodinha que facilita muito as coisas.

Ação e Aventura

Fugindo um pouco da necessidade de agilidade na movimentação da câmera, os jogos de aventura exigem um pouco mais na liberdade de controle do personagem. Em jogos como Batman: Arkham City, Tomb Raider e outros semelhantes, a exploração do ambiente é fundamental, algo que é mais fácil de realizar no gamepad.

A grande vantagem desse acessório está na presença dos analógicos, os quais garantem um controle gradual e orientação exata da direção em que o personagem deve andar. Em teoria, um analógico pode detectar 360 ângulos diferentes, ao contrário dos teclados que contam com apenas oito direções possíveis.

Claro que o teclado e o mouse também têm suas vantagens. Nessa combinação, você pode mover a câmera com facilidade (algo que não é tão simples no analógico) e consegue precisão absurda para mirar. Pensando nisso, algumas desenvolvedoras tentam compensar a deficiência dos gamepads adicionando assistências de mira e recursos de slow motion (como em Max Payne).

Estratégia

Não é preciso pensar muito para ter a certeza de que existem poucos jogos desse gênero para os consoles. Se você nunca parou para refletir, o motivo é meio óbvio: a falta de um cursor funcional. Sim, jogos de estratégia são, em sua maioria, projetados para aproveitar o mouse como acessório fundamental.

Em franquias clássicas como Age of Empires, por exemplo, você precisa selecionar diversos elementos simultaneamente, mover o cursor de um lado ao outro rapidamente e acessar uma série de opções disponíveis na interface. Não é impossível realizar tais façanhas com um controle, mas não é tão simples como com um mouse.

É necessário notar que os games de estratégia exigem uma série de comandos em sequência. Em um teclado, há dezenas de teclas à sua disposição, sendo possível configurar uma função específica para cada uma. Realizar a mesma tarefa em um gamepad é difícil, pois o acessório conta com poucos botões, algo que requisita um incremento no game.

Esportes

Seja futebol, basquete, beisebol ou qualquer outra modalidade de esporte, o grande acessório para as partidas é o gamepad. Os comandos de fácil acesso, os analógicos que garantem a liberdade na orientação dos movimentos e os botões com níveis de pressão são ideais para games de esporte.

É evidente que as desenvolvedoras não deixam de criar esquemas de jogatina para o teclado, mas, independente da habilidade de jogador, é muito complicado realizar as mesmas jogadas com os botões do teclado (nesses games, o mouse não é tão essencial).

Vale notar que mesmo com as duas mãos no teclado, dificilmente você consegue usar tantos comandos. Pense na seguinte situação: você está jogando Pro Evolution Soccer, correndo em direção ao gol, precisa realizar um drible, direcionar um passe e ainda dar um chapéu no adversário. Parece simples, mas no teclado as coisas complicam.

O gamepad leva vantagem, pois a movimentação dos atletas e a orientação dos passes são realizadas apenas com os dedões (cada um controla um analógico). Em um teclado, você precisa usar quatro dedos para movimentar o personagem e tem um sério problema quando precisa manter uma tecla pressionada (para correr) e ainda realizar outros comandos rápidos.

Corrida

Alguns jogos de corrida tentam imitar o modo de dirigir da vida real. Em franquias como Gran Turismo, por exemplo, desde a direção no volante até a resposta dos pedais são características embutidas nos games. Para aproveitar todo esse nível de realismo, muitos jogos aceitam volantes especiais como controle de jogo.

Claro que esses seriam os acessórios perfeitos para esse tipo de jogo, mas, considerando nosso entrave, devemos dar o maior mérito para o gamepad. Os controles de video game garantem maior precisão na hora de girar o volante, oferecem aceleração parcial com os gatilhos e trazem um sistema de feedback que ajuda muito.

A experiência com o teclado não é ruim, mas a falta de níveis de pressão e a impossibilidade de definir um ângulo para realizar as curvas são problemas que afetam diretamente na jogatina. Sem a possibilidade de aumentar ou reduzir a velocidade gradualmente, o jogador se obriga a manter o botão do acelerador pressionado ou a pressionar a tecla de freio repetidas vezes.

RPG

Assim como ocorre nos games de estratégia, os RPGs — incluindo os MMOs — requisitam comandos simultâneos, diversos atalhos e liberdade para explorar as opções da interface. Além disso, é importante notar que muitos desses títulos precisam da movimentação constante da câmera. Novamente, ponto para o combo mouse + teclado.

Sim, existem alguns títulos (como Dark Souls) que fogem à regra, ou seja, são RPGs adaptados especialmente para gamepads. No entanto, há jogos multiplataforma, como Dungeon Siege 3, que podem ser desfrutados de maneira mais eficiente com o uso do teclado e mouse. Não é por acaso que a maioria desses jogos são feitos especialmente para computadores.

Plataforma

Considerando a maioria dos games de plataforma, jogos “à la Mario”, percebemos que muitos são preparados especialmente para os gamepads. Nesse tipo de jogo, as desenvolvedoras aproveitam bem as funcionalidades dos controles analógicos, garantindo que o jogador possa movimentar o personagem com mais agilidade ou com cautela.