(Fonte da imagem: Baixaki Jogos/Tecmundo)

Nesse final de semana, aconteceu em São Paulo o primeiro campeonato GeForce GTX Invitational Brasil League of Legends, que reuniu os seis melhores times das terras tupiniquins, inclusive as estrelas do Brasil Game Show: a VTI Ignus, que é a campeã brasileira.

O prêmio total foi de R$ 10 mil, sendo que o primeiro colocado ganharia R$ 5 mil; o segundo, R$ 2,5 mil; o terceiro, R$ 1,5 mil; e o quarto colocado, R$ 1.000. O Baixaki Jogos esteve lá para fazer a cobertura do evento e trouxe um especial completo sobre como foram o evento e as partidas.

Chegando ao evento, fomos muito bem recebidos pela organização, que nos mostrou a "aparelhagem" que foi instalada para suportar o campeonato — como podemos ver na foto abaixo, o nível estava muito alto. A X5 Games conseguiu montar uma produção muito bonita e confortável, não só para os jogadores mas também para quem estava lá acompanhando o campeonato. Logo às 10 horas do dia 24 (sábado), as primeiras partidas foram começando, com muitas emoções.

(Fonte da imagem: Baixaki Jogos/Tecmundo)

Brasil, um país de e-sports

Fica quase impossível não notar a semelhança de qualquer e-sport com o futebol ou outro esporte comum. Dentro do evento, estávamos em um clima de festa porém de muita competição: enquanto dois times estavam jogando, o resto ficava torcendo e gritando, comemorando cada kill como se fosse gol. E o que falar sobre os lances bonitos?

Rolinhos, lambretas, chapeuzinhos, todos mudados para Ganks, Dives e muitos outros termos de jogo. Podemos afirmar que o cenário brasileiro de jogos está crescendo de uma maneira incrível, e o League of Legends talvez esteja sendo um dos pioneiros dessa mudança.

Outro ponto interessante foi o fato de que o jogo foi narrado e transmitido via streaming por todo o final de semana. Os jogadores Toboco e Melão foram sensacionais nas partidas, e cada Team Fight era narrada como se fosse um contra-ataque incrível.  O Toboco até deixou um “oi” para os leitores do Baixaki jogos.

Entrevistas

No meio de tantos jogadores e expectativas, conseguimos arrancar um pouco das palavras dos jogadores e descobrimos como funcionam alguns pontos cruciais na vida de um profissional de e-sport.

Matheus Baronti (Mylon) - VTI Ignis

BJ: Como rola o treinamento de vocês? Vocês se juntam durante a semana antes do campeonato?

Matheus Baronti: Agora que a gente voltou a nossa rotina de treino normal, nós estamos treinando três horas por dia e cinco horas nas sextas-feiras. Nós tentamos jogar com outros times brasileiros e, mesmo que a gente não jogue, ficamos conversando e assistindo a partidas para montar novas estratégias.

BJ: Como é ser Campeão Brasileiro de League of Legends?

Matheus Baronti: É simplesmente o maior título que tivemos até agora, e acho que o único jeito de te passar como nos sentimos é dizendo que nos sentimos como reis.

(Fonte da imagem: Baixaki Jogos/Tecmundo)

Taylor (Tittu) - Pain Gamimg Razer

BJ: Vocês já sabem o que fazer com o dinheiro do campeonato?

Taylor: Olha, a gente ainda não está pensando na premiação; estamos muito focados no campeonato, e o dinheiro é apenas uma consequência.

BJ: Qual é a sua visão sobre League of Legends no Brasil?

Taylor: Em relação ao jogo, eu acho que é como a Riot disse: é o começo de tudo, o jogo está crescendo porque a Riot viu o potencial no país; basta nós mostrarmos por que esse investimento foi feito e, com isso, os games vão crescer juntos no Brasil.

BJ: Como é ser gerenciado por uma empresa que contém várias equipes como se fosse um clube de futebol?

Taylor: Não tenho palavras para explicar (risos), mas eu sempre gostei de jogar e sonhei em me profissionalizar. A Pain está entre as três equipes tops do país e é uma ótima sensação você estar fazendo aquilo que gosta, ganhar dinheiro com campeonatos e ainda viajar para jogar.

Murilo Alves (Takeshi) - Insights

BJ: Vocês ganharam a primeira partida do campeonato. Como você enxerga essa vitória importante e logo no começo?

Murilo Alves: Foi uma partida tranquila, conseguimos administrar bem o jogo e levamos as torres.  Acredito que acabou não tendo muito desafio.

BJ: Vocês viajam muito pela equipe?

Murilo Alves: Então, eu viajei só agora e pela BGS para fazer campeonatos presenciais, até mesmo porque eu sou de Brasília. Mas a equipe já chegou a ir para Botucatu, só que infelizmente eu não pude participar desse campeonato.

BJ: Uma curiosidade: todo mudo se conheceu no Ragnarok mesmo?

Murilo Alves: Sim, cara (risos)! Os seis integrantes do time jogavam e se conheceram lá dentro, em mais ou menos três ou quatro anos. Mas agora a gente "travou" no League of Legends para levar um pouco mais a sério que o Ragnarok e conseguimos ir bem mais para frente.

(Fonte da imagem: Baixaki Jogos/Tecmundo)

Rodrigo Rodrigues - Nex Impetus

BJ: Vocês acabaram perdendo a primeira partida do campeonato. O que aconteceu?

Rodrigo Rodrigues: Nós tínhamos uma estratégia boa para o primeiro jogo; eu até comecei bem, só que errei muitas vezes seguidas e o time inteiro do adversário acabou caindo em cima de mim, forçando mais erros ainda. Mas foi um jogo bom, eles conseguiram abrir a vantagem inicial em cima de mim e mantiveram até o final.

BJ: Como você vê o League of Legends no Brasil? Você acha que vai dar para sobreviver com jogos por aqui?

Rodrigo Rodrigues: O mercado de jogos no Brasil está sendo puxado da mesma maneira que o mercado geral brasileiro faz com o crescimento do país: as empresas dessa área específica estão começando a olhar como elas podem investir no Brasil, por ser esse um mercado gigantesco. As empresas de informáticas estão começando também a trabalhar com a população e a focar mais ainda o seu trabalho em cima dos brasileiros.

BJ: Um detalhe da Nex é que a empresa está no mercado desde 2007, mas foi apenas depois do BGS que eles começaram a investir no LoL. Como é estar em uma equipe nova e já jogar em partidas importantes como a de hoje?

Rodrigo Rodrigues: Ah, cara, são bons o suporte deles e sua estrutura. Nós recebemos muita atenção, o que acabou gerando tranquilidade dentro do jogo. Você pode ficar tranquilo que fora do game eles cuidam de tudo.

Rafael Marques - RMA

BJ: O que você achou da primeira partida da equipe?

Rafael Marques: A partida foi muito boa para a gente, porque provamos saber como bater de frente, machucando justamente o melhor time do Brasil, a Pain. Conseguimos lutar com eles com apenas um mês de novo time, o que é muito bom, mas a tristeza bate porque acabamos perdendo o jogo por uma imagem distorcida:demoramos muito para ganhar, achando que o jogo já era nosso.

BJ: A RMA tem uma característica de focar sempre em jogadores novos, renovando o time e tudo mais. Como funciona isso para quem já está na equipe?

Rafael Marques: O problema da renovação na verdade não é ser uma característica; o problema maior foi uma certa instabilidade para continuar com jogadores que sempre saíam na mesma área, então não conseguimos manter os players.

Caio Coelho de Almeida (Loop) - VTI Nox

BJ: Vocês também ganharam a primeira partida do jogo, que pelo que podemos acompanhar foi muito bem organizada. O que você achou da vitória de vocês?

Caio Coelho de Almeida: Foi uma vitória bem pensada, nós entramos no jogo já com uma estratégia e conseguimos rodá-la perfeitamente, ou seja, tudo rolou do jeito que nós esperávamos. O jogo foi bem seco, sem nenhum erro extraordinário; o time da Insight jogou bem, mas como cada um de nosso time fez a sua parte, conseguimos a vitória.

BJ: Você acha que vai dar para viver de campeonatos aqui?

Caio Coelho de Almeida: Eu acredito que não, por causa da instabilidade. Todo mundo que joga LoL, ou quase todo mundo, ainda mora com os pais, a maioria estuda e usa LoL como diversão. Ser completamente profissional não funciona por enquanto, não ao menos no Brasil. 

Bom, isso tende a crescer, o problema é que a cultura brasileira não é muito compatível com jogos e 90% das pessoas na rua vão falar que o esporte preferido deles é futebol. Essa visão unilateral afeta muito o LoL para ser visto como um esporte de verdade. O governo não ajuda em nada; nós temos uma infraestrutura horrível que acaba com as possibilidades do e-sport e não é recomendada para suportar grandes campeonatos.

League of Legends no Brasil

Durante o evento, tivemos a presença ilustre de Bruno Vasone, o "Esbagaçador", que na verdade é Gerente Sênior de E-Sports da Riot Brasil. Conseguimos conversar um pouco com ele e tiramos algumas palavras importantes que são bem direcionadas aos jogadores brasileiros e melhorias da comunidade.

BJ: O League of Legends está ajudando e muito o país na comunidade de jogos. Como é cuidar de algo tão grande assim com tanta gente utilizando o "produto"?

Bruno Vasone: Olha, vou te falar que é um desafio muito grande, a gente não esperava que fosse crescer desse jeito e ainda mais nessa velocidade, mas todo esforço está valendo muito até mesmo porque o brasileiro tem uma paixão absurda, que ultrapassa até mesmo outras comunidades. O jeito como eles se envolvem no jogo é o que nos motiva a continuar seguindo em frente, afinal, se não existisse essa paixão, não seria assim.

Chega a ser tão envolvente que funciona como se fosse um jogo futebol em que as pessoas torcem para os times, xingam e vão assistir aos jogos; isso acaba virando a vida deles. Eles é que são nossos chefes na verdade, e não o Tryndamere ou outro campeão (vários risos). Não é à toa que estamos fazendo um investimento brutal para trazer mais servidores para o Brasil, para conseguir suprir as necessidades dos jogadores, até mesmo porque nós também jogamos e sabemos de todos os problemas, como o ping.

BJ: Aproveitando essa gancho, eu entrevistei um jogador da Nox que falou sobre o Brasil ser bem unilateral nos esportes, com todo mundo gostando apenas de futebol. A Riot está conseguindo mudar um pouco isso e trazer um público bem grande para os seus campeonatos. Você acha que isso vai crescer mais?

Bruno Vasone:  Como a gente sabe que existe essa paixão dos jogadores, nós temos um foco muito grande em trazer esse desenvolvimento para o país. O LoL não fica para trás de nenhuma competição real, rola a intriga entre as equipes, tem aquela pressão, tem a habilidade física, que é muito complicada para dominar no jogo. LoL está se desenvolvendo lá fora de uma maneira brutal: a final do mundial foi transmitida para 9 milhões de pessoas, ultrapassando de longe alguns esportes e quase chegando a uma final da NBA.

Se não me engano, também foi usado cerca de 5% a 10% da banda inteira americana para essa final. No Brasil, a final do campeonato chegou a transmitir para meio milhão de pessoas. A nossa ideia é fazer um campeonato com estabilidade em partidas, no qual as pessoas têm a sua tabela semanal de jogos, criando um calendário constante de eventos, como se fosse realmente um grande campeonato e um grande cenário. Também queremos conseguir patrocínios para os jogadores conseguirem se dedicar mais ao jogo e virar um trabalho para eles.

BJ: Você tem alguma coisa de especial para falar para os nossos leitores, que jogam LoL?

Bruno Vasone: Os fãs podem esperar que a gente veio para ficar, vamos investir muito para aumentar o cenário, não apenas o competitivo, mas também o jogo em si. Vamos aumentar a comunicação da Riot Global com o Brasil, criando uma ponte da pré-terceira temporada que está vindo agora — na qual o LoL vai ser reinventado —, fazendo mudanças nas jungles, revisando todos os itens e muito mais. Nós queremos ouvir vocês, principalmente os fãs do Baixaki Jogos (risos), e podem confiar que o LoL só vai melhorar.

(Fonte da imagem: Baixaki Jogos/Tecmundo)

Os campeões

Como falado anteriormente, os campeões foram a VTI Nox. No meio da muvuca de entrega de prêmios e tudo mais, o Loop falou um pouco com a gente:

BJ: Vocês poderia fazer um resumo pra gente de como foi o campeonato?

Loop: Foi sensacional, conseguimos realizar todos os nossos objetivos, todo mundo está feliz e satisfeito. Conseguimos a vitória sobre a Pain e estamos muito felizes pelo campeonato, agora é só se divertir!

BJ: O que ganhamos com isso?

Ao final de dois dias intensos, conseguimos aumentar um pouco mais a ideia de que os jogos no Brasil estão crescendo cada vez mais. Esse campeonato foi muito importante para a comunidade, que chegou ao pico de 12 mil visualizações simultâneas e mais de 200 mil diferentes durante o campeonato inteiro. Espero que as empresas comecem a olhar para os e-sports de maneira diferente e que possam ver o grande mercado que existe nessa modalidade.

Via BJ

Texto coproduzido com Lucas Takashi Hagui

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