(Fonte da imagem: Reprodução/Troca Jogo)

Na manhã de hoje (04), o BJ foi até a sede da Asteria, empresa responsável pela criação do TrocaJogo, para conversar com Flávio Banyai, um dos criadores do famoso site brasileiro para a troca de games originais de PlayStation 3, Xbox 360 e Nintendo Wii.

Durante a conversa, Banyai nos contou que o TrocaJogo surgiu a partir de uma proposta recusada. Como a Astéria produz sites e soluções web para diversas empresas, são comuns as situações em que Flávio e seu sócio, Leonardo Oliani, coletam algumas ideias e apresentam-nas para clientes que pretendem investir no mercado da internet.

“Press Start to Begin”

Títulos diversos estão disponíveis para troca no site. (Fonte da imagem: Divulgação/Troca Jogo)

Em uma dessas ocasiões, surgiu a possibilidade de criarem um site que permitisse a troca de jogos de video game, mas o cliente não aprovou. Apesar disso, os empresários resolveram levar a ideia adiante, já que enxergavam nela uma boa oportunidade.

Pesquisas de mercado demonstraram que esse tipo de site era quase inexistente no Brasil e que, na maior parte das vezes, os usuários acabavam trocando seus games por meio de fóruns de discussão. Sendo assim, surgiu o TrocaJogo, que foi ao ar em julho de 2010.

Além de possibilitar um ponto de encontro virtual para gamers interessados em renovar seus acervos de games, o site também serviria como uma espécie de laboratório de testes da Astéria, permitindo que a empresa pudesse se aventurar com tecnologias e atividades que não eram tão presentes em outros projetos. Atualmente, são mais de 63 mil usuários cadastrados que, no total, já realizaram 80 mil trocas em um período de dois anos.

Criando um ambiente confiável

Flávio Banyai, um dos criadores do TrocaJogo. (Fonte da imagem: Reprodução/Astéria)

Com a rápida aceitação do público, Flávio e Leonardo sentiram que deveriam dar um passo adiante e oferecer mais recursos e segurança para a comunidade de usuários do TrocaJogo. Uma das medidas tomadas para esse aspecto foi a criação de um sistema de validação que pudesse atestar a veracidade e a boa fé de uma pessoa inscrita no site.

Atualmente, o jogador que quiser ter seus dados validados precisa pagar uma taxa de R$ 20 por ano e enviar os documentos necessários para a Astéria. Assim, por meio de um código de validação que o assinante recebe em casa, ele pode confirmar a conclusão do processo de registro e ostentar em seu perfil o selo de usuário certificado. Dessa forma, o processo de troca de jogos ganha mais confiabilidade.

Infelizmente, Banyai afirma que a aceitação desse recurso não tem sido muito boa. Apesar de a taxa ser o equivalente a R$ 1,67 por mês, muitos membros do TrocaJogo acham o valor alto, preferindo continuar a usar o serviço gratuitamente e sem validação de dados. Em defesa contra essas alegações, Banyai afirma que a anuidade não pode ser barata demais, caso contrário, isso facilitaria a ação de golpistas que poderiam enganar os gamers cadastrados no serviço.

Receitas e mobilidade

Aplicativo do TrocaJogo para Windows Phone (Fonte da imagem: Reprodução/Marketplace)

Flávio Banyai também comentou que, a princípio, não esperava lucrar com o TrocaJogo, sendo o site apenas um experimento da Astéria. Porém, o projeto tem começado a gerar alguma receita com a venda de publicidade e dos planos de validação de dados.

Além disso, o site ganhou também um aplicativo para Windows Phone, que começou a ser desenvolvido antes de a plataforma estrear no Brasil. A opção pelo sistema operacional móvel da Microsoft se deu pelo fato de que a empresa é uma das clientes da Astéria. Mesmo assim, Banyai afirma que existe uma versão do aplicativo sendo desenvolvida para iPhone, mas ainda sem data de lançamento.

Nas palavras do empresário, o lançamento do aplicativo para Windows Phone é uma prova de que o TrocaJogo serve como laboratório de testes, já que, com ele, foi possível dominar mais uma tecnologia que não seria explorada normalmente. “Quem ganhou com isso foram os usuários, que acabaram tendo um aplicativo já no lançamento do Windows Phone no Brasil”, complementa.

Trocas que deram errado

Leonardo Oliani, a outra mente por trás do TrocaJogo. (Fonte da imagem: Divulgação/Astéria)

Por conta da estrutura enxuta do TrocaJogo, Banyai comenta que não há meios de acompanhar todas as trocas feitas pelo site. Por isso, quando ocorre algum problema, a equipe aconselha o gamer a fazer um boletim de ocorrência e, então, caso seja necessário, a polícia pode entrar em contato com a empresa para obter os registros de acesso e dados do golpista.

Outra pequena complicação que os usuários podem enfrentar é o atraso da correspondência, seja por causa de um feriado prolongado ou, até mesmo, sobrecarga no serviço dos Correios. Por isso, Flávio aconselha os usuários a aguardarem um pouco mais antes de negativar o perfil de alguém. Como essa ação não pode ser desfeita facilmente, a outra parte envolvida na troca poderia acabar prejudicada injustamente, caso o game fosse entregue com atraso de um ou dois dias.

De qualquer forma, o TrocaJogo não perdoa a presença de golpistas no site. Tão logo sejam identificados, as contas desses usuários são banidas para sempre.

Postos oficiais de troca

Primeiro Posto Oficial fica na On Game Station, em São Paulo. (Fonte da imagem: Reprodução/One Game Studio)

Para diminuir a possibilidade de problemas como extravios ou danos físicos causados pelo transporte via correio, Flávio e Leonardo criaram os postos oficiais do TrocaJogo. Por enquanto, há apenas um deles, mas Banyai afirma que já recebeu propostas do Brasil todo e estão analisando cada uma delas. Até mesmo uma padaria chegou a entrar em contato, afirma Banyai.

No momento, o único posto oficial existente fica no espaço On Games Station, em um shopping localizado na Avenida Paulista, em São Paulo (SP).

Ameaças do mercado cinza

Consoles novos podem bloquear jogos usados. (Fonte da imagem: Reprodução/GameIndustry)

Quando questionado sobre os rumores de que a próxima geração de consoles rejeitariam jogos usados, Banyai diz que acredita que algum tipo de bloqueio deva ser proposto pela indústria, visando diminuir a influência do chamado “mercado cinza”, que é muito forte no exterior.

Entretanto, o criador do site também acha que o público não vai aceitar uma medida dessas com naturalidade e, provavelmente, muitos se pronunciarão contra. Por enquanto, o TrocaJogo está observando o que acontecerá com o mercado de games nos próximos meses para, então, tomar uma decisão para se adaptar ao novo cenário.

Qual game você não trocaria de jeito algum?

É claro que os responsáveis por um site como esse também passam horas em frente à TV, jogando os títulos de sua plataforma favorita. Flávio Banyai disse que, no momento, tem dividido seu tempo entre o PlayStation 3 e outros compromissos, mas que além do console da Sony, também costuma se divertir com Resident Evil 4, no Nintendo Wii. Além disso, Flávio confessou que nunca seria capaz de trocar sua cópia de Guitar Hero Metallica.

Leonardo Oliani também tem o PlayStation 3 como plataforma preferida. Porém, o game que nunca seria capaz de trocar é Gran Turismo 5, jogo de corrida que, não por acaso, ganhou nota 92 no BJ.

Via BJ

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