Mesmo que muita gente ainda torça o nariz para a comparação entre os eSport e os “esportes de verdade”, o sucesso das competições internacionais, as cifras milionárias circulando nesse mercado e a ampliação considerável do público que acompanha o cenário têm feito com que seja difícil ignorar o esporte eletrônico. Até mesmo as tradicionais universidades norte-americanas têm percebido isso, como é o caso da University of California-Irvine, que está distribuindo bolsas para gamers e montou uma arena de cair o queixo para a jogatina.

A iniciativa foi anunciada no começo deste ano e atraiu a atenção de jovens de todo o país, empolgados pela oportunidade de se dedicar à atividade e, ao mesmo, receber descontos substanciais para o estudo. O incentivo de 50% na taxa de ensino anual da UCI, por exemplo, representa uma economia de cerca de US$ 7,4 mil (R$ 24,1 mil) aos participantes do projeto, por exemplo, amaciando um pouco da dívida estudantil pesada que os universitários costumam levar para depois do término do curso.

Será que as conquistas no eSport serão comemoradas como nos esportes tradicionais?

Segundo Mark Deppe, diretor da UCI eSports e responsável por toda a empreitada no campus da instituição, das dez vagas disponíveis para essa primeira fase da iniciativa, cinco já estão preenchidas e outras cinco serão decididas em testes abertos – muito provavelmente colocando à prova as habilidades dos candidatos com o teclado e o mouse. A ideia é que o time, quando completo, possa treinar junto e se preparar para disputar torneios dos mais variados games – de olho nos prêmios cada vez mais polpudos do setor.

Que os jogos comecem!

Claro que, para atender essa turma e atrair outros estudantes interessados nessa área da universidade, Deppe e sua equipe precisaram montar uma estrutura de primeira linha dentro do campus. Assim um dos salões da UCI está sendo completamente reformulado para abrigar dezenas de estações de jogatina com PCs de dar inveja. Cadeiras profissionais, monitores gamers e placas de vídeo de última geração fazem parte da arena que deve ser inaugurada na próxima sexta-feira (23). Confira abaixo um pouquinho dessa “meca” dos games:

Bem-localizada, a arena de eSports da UCI fica no prédio do centro estudantil da universidade, dando fácil acesso à área de alimentação e aos auditórios locais

A mascote da universidade, um tamanduá, indica muito bem a proximidade da arena, com o bichinho operando um notebook calmamente em um dos bancos disponíveis para os estudantes

A entrada do centro de esportes eletrônicos já anuncia a data da cerimônia de abertura e, assim como nas equipes profissionais de eSport, estampa a marca de alguns de seus patrocinadores

Lembra da época das lan houses? Entrar na UCI eSports Arena é praticamente dar de cara com uma evolução desse conceito. As 70 estações de jogatina saem na faixa para os dez atletas do time da casa e custa US$ 4 (R$ 13) por hora para o resto dos estudantes

Cada unidade é pensada para ser a mais confortável possível para os jogadores, contando com uma estrutura nada modesta

Graças às amplas possibilidades de configuração das cadeiras, por exemplo, dá até para tirar uma sonequinha entre uma partida (ou esticar a coluna, caso você prefira chamar assim)

Essas belezinhas não saem por menos de US$ 300 (cerca de R$ 977) no mercado norte-americano, dando uma prova de quanto a UCI está levando a sério esse novo projeto

Achou que eles gastaram muito nisso? Saiba, então, que o restante do hardware de cada estação tem um valor estimado em US$ 2 mil (algo que, por aqui, custaria bem mais que os R$ 6,5 mil resultantes da conversão direta de dólar para real)

A placa de vídeo da NVIDIA que repousa calmamente em cada gabinete deve corresponder a uma boa porcentagem desse custo dos PCs (embora não se saiba se estamos falando de uma GeForce GTX 1080 ou de uma 1070 “humildona”)

Com o apoio da Logitech, que custeou boa parte dos periféricos, cada estação conta com um headset G430 para que os gamers possam se concentrar nas sessões de jogo e se comunicar durante as partidas

A fabricante também equipou as máquinas com um belo conjunto de mouse e teclado (mesmo que alguns atletas prefiram plugar seus próprios dispositivos na hora dos torneios)

Segundo Deppe, a parceria com iBuyPower, Logitech, Vertagear e outras empresas fez com que o custo de montagem da arena para a UCI fosse praticamente zero (espaço, energia, manutenção e outros encargos ficam por conta da universidade, claro)

Para a UCI, todo esse investimento e parcerias faz todo o sentido, já que a universidade tem uma longa história junto ao mercado de jogos. O curso de Computer Game Science, por exemplo, faz com que a instituição seja um celeiro de profissionais para os estúdios da região

A comunidade de League of Legends também é bem forte no campus, atraindo ainda mais pessoas interessadas em aliar estudo e diversão

Por enquanto, a equipe da universidade está correndo contra o tempo para montar tudo o que falta no espaço (que deve render uma infinidade de caixas e pedaços de isopor para reciclagem)

Esse espaço bagunçado, por exemplo, deve abrigar alguns Xbox One e PlayStation 4 para a turma dos consoles (ou para dar uma descansada do Counter-Strike, claro)

Uma série de monitores também devem ser instalados em pontos específicos da arena de eSports, permitindo que jogadores e visitantes possam acompanhar rankings, campeonatos e transmissões ao vivo no maior conforto

Por falar em streaming, atletas específicos ou o time da casa vai contar, futuramente, com um espaço reservado para a transmissão de jogos. Narradores também poderão usar o “aquário” para comentar cada jogada realizada pelo time da UCI

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Apesar de títulos como League of Legends e Counter-Strike: Global Offensive serem as opções preferidas de muitos dos jogadores interessados no programa da universidade norte-americana, Deppe afirma que os PCs da arena devem vir com muito mais games instalados por padrão. Isso significa que os aficionados por Diablo 3, Overwatch, Final Fantasy XIV e até Minecraft também vão poder aproveitar tranquilamente o espaço. E aí, será que veremos algo parecido no Brasil em algum momento? Deixe a sua opinião nos comentários.

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