Até poucos anos atrás, o mercado mobile era visto como uma alternativa para desenvolvedores iniciantes mostrarem seu trabalho e obterem certo sucesso. Devido à relativa falta de barreiras, um time pequeno conseguia liberar um protótipo, ver a reação do público e, a partir disso, trabalhar iterações ou em iniciar um novo jogo com fórmula distinta.

No entanto, essa não é a mesma situação encontrada atualmente: segundo o CEO Kevin Chou, é preciso investir no mínimo US$ 10 milhões (o dobro disso, se levarmos em conta o marketing) para conseguir um espaço relevante nesse universo. Mais do que um sinal do quanto essa indústria cresceu, isso mostra como o público se acostumou a lidar somente com algumas poucas experiências.

Conforme apontado pelo site Games Industry International, os jogos mais populares de 2016 — com a exceção de Pokémon GO — são aqueles que já estávamos aproveitando em 2014 e em 2015. Segundo o jornalista Rob Fahey, embora todos eles tenham ganhado atualizações e ajustes, o fator que mais ajuda títulos como Clash of Clans e Candy Crush Saga a se manterem no topo são investimentos massivos em marketing — algo impossível para um desenvolvedor independente.

Investimentos em marketing

Fahey argumenta que, embora títulos mobile se beneficiem de gráficos de ponta, eles não são um requesito obrigatório e podem até trabalhar contra os desenvolvedores visto que o maior uso de recursos visuais tem impacto negativo na duração de baterias. Isso faz com que duas áreas tomem prioridade nos orçamentos: a infraestrutura online e o marketing.

Games como Clash of Clans têm orçamentos de marketing generosos

“O volume de anúncios em TVs, outdoors e meios online ocupado pelos jogos diminui até mesmo o marketing dos maiores games para consoles, pela simples razão de que a equação é diferente. Operadores de games mobile sabem que suas existências dependem de captar muitos jogadores (o que custa dinheiro de marketing), segurá-los pelo maior tempo possível e, finalmente, conseguir mais lucro com eles do que o valor necessário para capturá-los”, afirma o jornalista.

Mercado fechado

Levando em consideração a grande quantidade de opções do mundo mobile, se torna cada vez mais raro o caso de um título pequeno que captura a atenção do público através do mero “boca a boca”. Quando o marketing se torna algo essencial para o sucesso de um produto, isso automaticamente deixa de fora desenvolvedores pequenos, que não têm milhões de dólares disponíveis para fazer esse tipo de investimento.

“Há algumas formas de contornar isso, como fazer com que alguém da Apple ame seu jogo e o coloque na capa da App Store, por exemplo — mas essa é 1 chance em 1 milhão”, alerta Fahey. Isso faz com que PCs e plataformas de mesa mais “convencionais” sejam uma opção mais adequada a desenvolvedores independentes — ao menos no momento atual.

“Por enquanto, o ambiente mobile seguiu o mesmo caminho dos consoles há uma década; custos crescentes e uma corrida no marketing que matou, ou está matando, inteiramente o lado de baixo custo do mercado. A não ser que você tenha milhões que possam ser apostados, considere o mercado mobile fechado para novos concorrentes no momento atual”, finaliza Fahey.

Via TecMundo Games.

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