Ao lado de títulos como Duke Nukem Forever, Diablo 3 e Final Fantasy XV, The Last Guardian é aquele tipo de obra que, aparentemente, precisa de uma longa jornada para ser lapidada até sua forma final. A espera pelo game da Sony foi tão grande que, para muita gente, ele assumiu aquele status de lenda da indústria, ficando muito tempo envolto em uma boa dose de mistério. Agora, para delírio dos fãs, o jogo está em sua fase derradeira de desenvolvimento e tem tudo para ser um dos grandes lançamentos do ano.

Se a nova produção do estúdio japonês da Sony já foi uma das grandes surpresas da E3 2015, fazendo seu novo trailer rivalizar com a notícia de que teríamos o aguardado remake de Final Fantasy VII, o fato de ele aparecer em uma versão jogável na edição 2016 do evento foi a confirmação que muitos esperavam: The Last Guardian é real! No entanto, será que a criação definitiva de Fumito Ueda vai corresponder a todo o hype? Para tentar responder a isso, confira a seguir tudo o que sabemos a respeito do game.

Pronto para encarar essa aventura?

O que é The Last Guardian?

The Last Guardian é considerado o sucessor espiritual de Ico e Shadow of the Colossus. Aqui, diferentemente do que vimos em seus antecessores, a figura do protagonista heroico e a valorosa missão de salvar uma princesa são trocadas pela história de um garotinho e de seu companheiro fantástico – um animal mitológico e gigantesco.

Apesar das diferenças pontuais, a saga tem todos os ingredientes necessários para seguir um rumo semelhante ao de outras obras de Ueda, tomando a forma de uma aventura épica, cheia de emoções, que é traduzida mais pela experiência em jogo do que por grandes tramas mirabolantes. Quebra-cabeças, escaladas vertiginosas e alguns combates não convencionais também devem marcar presença na brincadeira.

O game era mesmo, originalmente, para o PS3?

Por mais impressionante que isso possa parecer, é a mais pura verdade! Conhecido primeiramente como Project Trico, The Last Guardian começou a ser desenvolvido para o PlayStation 3 ainda em 2007, dois anos depois de o Team Ico ter lançado Shadow of the Colossus para o PS2. O título foi anunciado oficialmente ao público durante a conferência da Sony na E3 2009 e prometido, inicialmente, para algum ponto de 2011. Infelizmente, as coisas não saíram como o esperado para os japoneses.

Ao longo de todo o tempo em que o PS3 foi o console principal da casa, Ueda e sua equipe não conseguiram chegar a um produto finalizado ou satisfatório para viabilizar um lançamento – mesmo mobilizando boa parte das forças da Sony. Essa demora fez com que muita gente especulasse que o projeto havia sido cancelado, ainda mais quando a empresa se “esqueceu” de renovar os registros da marca. Internamente, porém, o time só havia decidido realizar algo ousado para uma empreitada tão grande: transferir tudo para o então secreto PlayStation 4.

Essa ambientação saiu da geração anterior para encontrar no PS4 sua nova casa.

De acordo com o chefe da produção, o processo de transportar o game de uma plataforma para a outra foi extremamente trabalhoso e longo. Ao que parece, todos os envolvidos tiveram que suar – e muito – a camisa para refazer diversas partes já prontas da aventura e também para adequar as antigas tecnologias e mecânicas ao hardware novo. A troca de sistema só foi revelada ao público na E3 do ano passado, caindo como uma verdadeira bomba no meio da comunidade gamer.

Ok, mas já sabemos algo sobre a história?

Mesmo com esse longo tempo de estrada, pouca coisa foi divulgada a respeito da trama de The Last Guardian. Com receio de estragar uma experiência tão aguardada pelo público, até mesmo os veículos que conseguiram testar o game durante a E3 2016 preferiram não contar detalhes da aventura. Ainda assim, o básico da saga: um garoto sem nome acorda no meio de uma cidade em ruínas, sem saber como foi parar ali, e se depara com uma estranha criatura, precisando conquistar sua confiança para tentar escapar do local.

A cidade abandonada, totalmente afastada da civilização, parece guardar seus próprios segredos e abrigar uma série de guardiões sombrios, prontos para acabar com seus planos de fuga. Simples demais? Calma, essa é uma das características principais das obras de Ueda. Porém, em uma postagem feita no site da PlayStation há apenas alguns dias, o chefão do projeto explicou mais sobre a campanha, falando sobre as técnicas que ele e seu time utilizaram para tentar contar uma boa história.

The Last Guardian vai contar com uma boa dose de narrações, com o herói – no futuro – relembrando seu próprio passado

Entre os recursos escolhidos pela trupe estão: a apresentação do enredo de uma forma visual, contado pelos gestos e atitudes do menino e pelas ações do seu companheiro; o fato de a trama fazer com que o jogador se sinta na pele do protagonista; o estreitamento de laços entre a dupla de personagens principais; e o fato de os inimigos serem usados de uma forma mais criativa, sem serem apenas obstáculos. Adicionalmente, The Last Guardian vai contar com uma boa dose de narrações, com o herói – no futuro – relembrando seu próprio passado.

A jogabilidade vai seguir a fórmula de seus irmãos mais velhos?

Tudo indica que veteranos das franquias do Team Ico vão se sentir em casa na hora de se aventurar pelo mundo de The Last Guardian. A visão da jogatina, por exemplo, ainda é a tradicional em terceira pessoa, permitindo que você tenha uma perspectiva mais geral dos imponentes ambientes em 3D. Os controles também parecem seguir a mesma receita, apesar a demo exibida no evento norte-americano indicar que algumas das manobras ficaram mais “complexas”, exigindo botões secundários para serem completadas.

De qualquer forma, a ideia é que você possa fazer com que o protagonista corra, pule e escale para vencer perigos e superar barreiras. Os puzzles, claro, também fazem parte do kit, fazendo o jogador exercitar o raciocínio e a percepção e utilizar elementos do cenário para resolver o problema antes de seguir para o próximo ponto da história. O charme do gameplay de The Last Guardian, no entanto, é a interação do garoto com o simpático animal que o acompanha na jornada.

Espero por puzzles inteligentes ao longo da campanha.

A expectativa é que o uso do animal seja essencial para a experiência como um todo, possibilitando que o herói alcance locais remotos, vença armadilhas impossíveis de serem superadas por ele sozinho e lide com os habitantes misteriosos da cidade perdida. Como é possível conferir no material em vídeo, você também vai poder pegar uma carona nas costas do bicho e, eventualmente, indicar para ele a hora de derrubar objetos ou detonar estruturas antigas para criar uma ponte ou abrir uma passagem pelo mapa.

Afinal, quem (ou o que) é Trico?

O animal é o companion do protagonista de The Last Guardian, dando nome tanto ao projeto inicial do game (Project Trico) quanto ao jogo no Japão – que, por lá, se chama “Hitokui no Owashi Trico” (algo como “Trico, a Águia Devoradora de Homens”). Ao que parece, a criatura faz parte de uma raça de pássaros gigantes – e mamíferos – que lembram bastante os lendários grifos e que têm um paladar bastante aguçado para a carne humana.

Felizmente, Trico é consideravelmente diferente de seus pares. Ao ser encontrado pelo herói logo no início do jogo, por exemplo, o bicho está preso por pesadas correntes e com uma dupla de lanças fincada nas costas. A reação inicial do personagem ao ser libertado pelo garoto é golpeá-lo contra a parede, fazendo com que ele desmaie. Essa desconfiança inicial, porém, é superada conforme ambos percebem que precisam um do outro para escapar do lugar e acaba dando lugar a uma amizade entre eles.

Trico possui características que podem ser associadas a gatos e cachorros. Isso quer dizer que ele pode ser arredio, genioso ou até teimoso em alguns momentos

Apesar de se assemelhar mais com uma ave em grande escala, Trico possui características que podem ser associadas a gatos e cachorros. Isso quer dizer que ele pode ser arredio, genioso ou até teimoso em alguns momentos, obrigando você a se esforçar mais na comunicação e a estreitar cada vez mais os laços com ele. Para facilitar um pouco essa interação, vai ser possível – além de dar assovios e apontar para pontos do mapa – conferir o rosto do animal, interpretando seus sentimentos conforme a cor predominante em seus olhos.

Outro detalhe de Trico em The Last Guardian é que, aparentemente, ele teve as suas asas cortadas ou arrancadas, impedindo voar livremente como outros integrantes da sua raça. Mesmo assim, o gigante de penas guarda algumas surpresas para a jogatina, incluindo algumas habilidades bastante poderosas – como a que faz com que ele dispare relâmpagos ao entrar em contato com um escudo encontrado pelo protagonista.

Qual é o perigo de tudo parecer velho demais?

Essa é uma grande preocupação tanto da mídia especializada quanto dos próprios gamers, já que o game está há quase uma década em desenvolvimento e passou por uma mudança brusca de plataforma no meio desse percurso. Outro título que teve uma jornada semelhante, Final Fantasy XV, conseguiu, até agora, provar que é possível superar esses desafios ao apresentar um conteúdo que parece melhorar de qualidade e desempenho a cada nova demo ou trailer. Será que esse também é o caso com The Last Guardian?

A resposta para esse questionamento, do ponto de vista técnico, pode não agradar quem esperava um polimento ao estilo da Square Enix. Isso porque um dos principais comentários do pessoal que conseguiu jogar os 40 minutos iniciais da obra durante a E3 deste ano foi que ela parecia muito um “remake de PS3” – desses que estamos acostumados a ver no atual console da Sony. As texturas chapadas ou de baixa resolução foram um dos principais alvos de crítica – algo que pode ser conferido, inclusive, nos clipes oficiais do game.

Algumas texturas podem fazer os gamers mais novos torcerem o nariz.

Os efeitos de luz e sombra e o visual das partículas, por exemplo, também são mais característicos da geração passada de video games do que do hardware do PlayStation 4. Os gráficos mais antiquados e os controles um pouco tradicionais ou truncados demais, apesar de poderem ser facilmente superados por veteranos desse tipo de jogatina – em favor da experiência da saga –, podem se revelar uma barreira extra para quem não cresceu com outros títulos do Team Ico no currículo gamer.

Mesmo com tudo isso, é inegável que The Last Guardian vai contar com todo o storytelling visual e a ambientação fantástica que são marcas registradas de Ueda – elementos essenciais nas aventuras apresentadas em Ico e Shadow of the Colossus. Ao que parece, a beleza do game está nos detalhes, principalmente na representação de Trico. O companheiro ave-gato-cão tem uma movimentação bastante realista e penas que se movem conforme a ação do vento no local. Assim, fica mais fácil ignorar algumas escorregadas, não é?

O que mais vale a pena saber sobre o jogo?

Se depender desse clima de constante interação entre o protagonista e o seu companheiro e do florescimento da amizade entre ambos, as chances são de que você vai precisar deixar uma caixinha de lenços a tiracolo para encarar a aventura. Isso porque a suspeita de boa parte do público é que Trico pode acabar morrendo em algum momento da trama, provavelmente nos instantes derradeiros da jogatina. O próprio Ueda já afirmou que a relação entre a dupla será bem profunda e terá seus altos e baixos, portanto é melhor se preparar para o pior.

Outras especulações interessantes sobre The Last Guardian dizem respeito a uma possível relação com os outros dois games do estúdio. O estilo arquitetônico da cidade perdida que serve como palco para o game, por exemplo, é bastante parecido com o de muitas das estruturas apresentadas nos títulos anteriores. Isso levantou a hipótese de que a ambientação da campanha pode corresponder a alguma das localidades exploradas pelos jogadores em Ico. Consegue identificar algo desse tipo nos vídeos mais para frente?

Pretende separar uma graninha para levar essa edição para casa?

Felizmente, nem só de rumores vive The Last Guardian. Para desespero – ou alegria – dos colecionadores de plantão, é bem provável que seus cofres sejam saqueados ou suas contas bancárias penalizadas para a aquisição de uma versão especial do título. A Collector’s Edition foi confirmada graças a vazamentos antecipados do e-commerce britânico – e, posteriormente, da Amazon norte-americana – e deve tomar o controle do seu dinheiro ao oferecer uma seleção bem agradável de mimos:

  • Case metálico premium e disco Blu-ray com o jogo
  • Estatueta do herói e de Trico
  • Artbook com 72 páginas
  • Trilha sonora digital (10 faixas)
  • Cartela de adesivos
  • Caixa de madeira da Collector’s Edition

Vídeos

Trailer da E3 2015

Trailer da E3 2016

Galeria de imagens

Data de lançamento e a plataforma derradeira

The Last Guardian é um título exclusivo para o PlayStation 4 e está agendado para chegar ao console da Sony no próximo dia 25 de outubro.

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Para conferir mais notícias e saber de todas as novidades a respeito de The Last Guardian, acesse a página do jogo no TecMundo Games.

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