Não é segredo para ninguém que o mercado de jogos para aparelhos mobile representa um setor massivo dos hábitos do consumidor, e isso ocorre em escala mundial. Felizmente, o Brasil está completamente mapeado na categoria, com uma crescente comunidade de desenvolvedores, investidores e outros profissionais – inclusive de fora – que acreditam em nosso potencial.

Visando fomentar essa indústria, a Gazeus, desenvolvedora carioca de jogos sociais e casuais para browsers e dispositivos móveis, trouxe à vida uma spin-off focada na publicação de games mobile: a Leela Games. Na verdade, se pararmos para observar, trata-se da primeira do Brasil na categoria – ainda que existam iniciativas similares em nosso território –, algo que representa um marco para todo mundo: desenvolvedores, investidores, e, acima de tudo, consumidores.

A visão de Dario Souza, CEO da Gazeus, é justamente a identificação de um momento certo. “Identificamos que o momento para criar uma publisher nacional é agora. O mercado de usuários de smartphone que tem acesso a meios de pagamento cresceu o suficiente no ano passado para justificar investimento massivo no lançamento de jogos. (...) Vamos aproveitar a experiência de anos de trabalho com publicação e monetização de jogos para auxiliar estúdios brasileiros e estrangeiros a aumentarem suas receitas no Brasil”, endossou.

Alguns dos jogos do portfólio da Gazeus

Ideia principal: fazer um acompanhamento completo do jogo e da publicação

Para conhecer um pouco mais a proposta da Leela e entender a iniciativa dela no Brasil, o TecMundo conversou com Carlos Estigarribia, CEO da spin-off, e Paula Neves, Head de Marketing da Gazeus. Num bate-papo enérgico e cheio de ideias, os dois compartilharam sua visão de mercado, sua experiência e, sobretudo, a iniciativa dessa empreitada, muito bem-vinda no atual cenário mobile do Brasil.

A dupla tem um longo tempo de estrada na indústria. Com passagem pela Nano Games e pela Nuuvem, uma das plataformas de distribuição digital mais consagradas do PC, Paula enxerga o mercado mobile como o mais promissor no atual modelo de investimento no setor.

“É mais fácil, é mais acessível, e o consumidor brasileiro tem esse perfil variado. Há jogadores casuais, hardcore, aquele que está no meio dos dois. Os desenvolvedores daqui crescem, e os que estão lá fora se interessam muito pelo nosso mercado. Nossa ideia é auxiliar esse pessoal e fazer um acompanhamento que cubra tudo”, afirmou.

Paula Neves, Head de Marketing da Gazeus

Carlos, por sua vez, já atuou em diversas empresas do setor de jogos (mobile e não mobile), tendo sido diretor de estúdio da Electronic Arts no Brasil por vários anos. O executivo traça um raio-x do país e opina que, apesar do amadurecimento do mercado, ainda é difícil, mesmo para um estúdio grande, monetizar no Brasil.

“Mesmo para um estúdio de grande porte, monetizar no Brasil ainda é difícil, pois diversas parcerias comerciais locais precisam ser fechadas para maximizar o potencial de receita do jogo. Um dos valores agregados que vamos oferecer aos estúdios é usar o que aprendemos nesses anos todos sobre o comportamento do jogador brasileiro, que é bem diferente dos americanos ou chineses”, exemplificou, citando esses dois mercados igualmente importantes.

Carlos Estigarribia, CEO da Leela Games

O que exatamente a Leela fará

Além dos serviços de publishing, a empresa se posiciona como licenciadora e está negociando com diversos detentores de propriedade intelectual – ou IPs, aos mais chegados – para o lançamento e acompanhamento de jogos mobile.

A ideia não é apenas lançar o jogo, monetizar e ponto final. A Leela quer fazer um acompanhamento completo e, se for preciso, até dá pitacos nas etapas de desenvolvimento – sem interferir no formato do produto final, é claro. Isso, de acordo com Paula e Carlos, fornecerá uma ótima ponte a desenvolvedores brasileiros e, ao mesmo tempo, permitirá que os talentos de fora consigam monetizar aqui.

Nós faremos o trabalho de acompanhamento, divulgação, opinaremos onde for necessário e como ficar melhor para os desenvolvedores. (...) Sabemos como pensar em um produto que respeite a propriedade intelectual e ao mesmo tempo tenha um viés comercial forte, podendo se tornar uma grande fonte de receita

"Nós faremos o trabalho de acompanhamento, divulgação, opinaremos onde for necessário e como ficar melhor para eles [desenvolvedores]”, explicou Carlos. “Sabemos que falta isso no Brasil, uma espécie de ‘agência’ que faça isso, e nós atuaremos dessa forma”, reforçou Paula.

Cronograma de lançamentos: como funcionará? Quais serão os gêneros?

O intuito da Leela não é se restringir a um tipo de jogo. Todos aqui devem conhecer a Ketchapp, uma das maiores publishers de games mobile lá fora. Religiosamente todas as quintas-feiras (quartas na Nova Zelândia), a empresa lança um novo jogo mobile, cada qual assinado por um estúdio diferente. Todos eles, porém, seguem uma fórmula parecida: ser aquele “joguinho arcade viciante” que usa e abusa dos reflexos do jogador.

No caso da Leela, o objetivo é trabalhar com todos os tipos de jogos, respeitando-se, é claro, um cronograma e um código de conduta. “A ideia é trabalhar com aquilo que as pessoas mais pedem, avaliar todas as ideias”, disse Carlos. “Sempre fui jogadora hardcore e sei como é isso! RPGs e outros produtos mais densos podem chegar no futuro. Primeiramente, vamos nos posicionar, avaliar as propostas, ver as demandas do mercado”, enalteceu Paula.

Segundo a dupla, a ideia é lançar, em média, um jogo por mês, mas isso ainda está sujeito a mudanças. Trata-se de uma média apenas. O primeiro game desse projeto deve sair em abril, feito 100% por brasileiros. Os detalhes serão divulgados em breve.

Leela Games quer fomentar mercado brasileiro de jogos mobile

Sou um desenvolvedor! O que preciso fazer?

O processo é muito simples. O primeiro passo é aquele clássico: entrar no site oficial da Leela e submeter seu jogo a uma análise através do referido botão no portal. Após essa primeira etapa, a equipe entrará em contato com você para combinar os detalhes.

E ah! Os jogos poderão ser lançados para as três plataformas mobile: Android, iOS e Windows Phone. “Por termos experiência anterior com grandes IPs, sabemos como pensar em um produto que respeite a propriedade intelectual e ao mesmo tempo tenha um viés comercial forte, podendo se tornar uma grande fonte de receita. Já temos massa crítica para lançar um jogo que se pague no Brasil e ainda ajude a globalizar a marca", concluiu Carlos.

O TecMundo ficará de olho nos lançamentos realizados com a ajuda da publisher. Que a iniciativa da Gazeus seja muito bem-sucedida nesse aquecidíssimo mercado no qual nos encontramos. A Leela já está em fase de fechamento de contrato com dois estúdios brasileiros e estará na GDC 2016 (Game Developers Conference), que ocorre agora em março em São Francisco, nos EUA, e reúne importantes players da indústria. A ideia é avançar negociações com desenvolvedores estrangeiros.

Leela quer se consagrar como publisher de games mobile do Brasil! Converse sobre a iniciativa no Fórum do TecMundo.

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