Ainda que a desenvolvedora tenha um histórico de mancadas com os jogadores ao longo da última década, parece que, recentemente, a Electronic Arts tem se esforçado para deixar o posto recorrente de “a pior empresa dos EUA”. No entanto, a empresa pode colocar tudo a perder por conta de um game mobile de Star Wars lançado no fim do ano passado. Ao que parece, para obter um personagem específico de Star Wars: Galaxy of Heroes é necessário desembolsar milhares – sim, milhares – de dólares.

O caso polêmico envolvendo a EA teve início na última quarta-feira (24) com a postagem de um usuário do fórum NeoGAF consideravelmente revoltado com o sistema de microtransações do aplicativo. Com um sistema de batalha envolvente, ótimos gráficos para as plataformas móveis e uma infinidade de personagens icônicos da franquia transmídia, o jogo chamou atenção logo que foi lançado despontando como mais um exemplo da boa leva de produções de Luke e companhia para o público gamer.

Porém, bastou que os jogadores mais dedicados se aventurassem mais a fundo na brincadeira para perceberem que desbloquear um herói específico em meio dos mais de 70 disponíveis é uma tarefa no mínimo desgastante – para a cabeça e para o bolso. De acordo com o internauta Commish, o sistema de desbloqueio de avatares exige que você colete peças suficientes dentro do game. Simples? Acredite, não poderia estar mais longe disso.

Entendendo o esquema

Com 80 desses fragmentos é possível descolar a versão 4 estrelas do personagem, com mais 65 você faz o upgrade dele para 5 estrelas, adicionando outros 85 se consegue o 6 estrelas e, por último, o 7 estrelas requer 100 peças extras. Assim para que um usuário consiga maximizar seu combatente e torná-lo apto a encarar os desafios mais cabeludos do jogo, é preciso juntar nada menos do que 330 shards para cada jedi, alienígena ou vilão oferecido na produção da EA.

Infelizmente, um dos figurões mais queridos dos aficionados pelo game, o General Grievous, não pode ser obtido nem aperfeiçoado diretamente por esse sistema. Caso você faça parte do fã-clube do colecionador de sabres de luz com múltiplos braços, vai se ver diante de uma insanidade em forma de gerenciamento de recursos. Para conseguir shards do militar, você precisa aprimorar outro herói comum até o nível máximo e fazer com que o excedente de fragmentos seja convertido em uma nova moeda.

O problema? A conversão do dinheiro virtual é pior do que a do real para dólar, exigindo 15 peças tradicionais para 1 especial. Em uma conta simples, um Grievous maximizado demanda 4950 shards para ser habilitado, uma quantia que, por si só, é astronômica. Para tentar facilitar a missão, alguns jogadores pensaram em se focar em apenas um herói comum para “farmar” o máximo de moedas excedentes possíveis. A estratégia, de acordo com alguns cálculos, exige cerca de oito meses de empenho, deixando de lado qualquer progressão no título.

Dinheiro para todo o lado

A alternativa já era a esperada para quem acompanha a EA há algum tempo: abrir a carteira. Como a loja do game vende oito pacotes de shards por US$ 20 (R$ 79) e cada um dos packs pode trazer um punhado de peças de personagens aleatórios, a solução não deve sair nada barata. A estimativa é que no mínimo você gaste US$ 2 mil (R$ 7,9 mil) para ter o vilão em sua forma mais boladona ao seu lado, mas, caso os deuses da sorte não estiverem dando uma força, esse montante pode passar facilmente dos US$ 5 mil (R$ 19,7 mil).

Para ter noção da aposta arriscada que é recorrer a esse mecanismo, alguns usuários confirmaram que já “investiram” milhares de dólares na lojinha e nem sequer desbloquearam Grievous em sua forma mais básica – com o vilão em sua versão 4 estrelas. Quanto a EA, por mais que uma medida como essa possa manchar sua já sofrida honra, ela só tem motivos para comemorar com o esquema de monetização, já que o público não parece querer parar de tentar a sorte – ou o azar – na jogatina.

Enquanto na Google Play o Star Wars: Galaxy of Heroes fica na 29ª posição entre os games mais rentáveis, em sua versão para iOS o app transita constantemente entre o Top 5 e o Top 20. Como esses rankings apresentam ainda diversos outros jogos da companhia – como The Sims Freeplay, Real Racing 3 e SimCity BuildIt – as chances são de que não veremos a desenvolvedora mudando de atitude tão cedo.

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